“Descontos para uns… E os outros?”, por Hália Santos

Poucas pessoas que andam na estrada andarão a passear. Com o dinheiro a escassear, gastar dinheiro em combustíveis e em portagens, só mesmo em dia de alguma ‘festa’. Desanuviar é preciso, passear e arejar faz bem, mas as contas que se fazem ao fim do mês certamente que impedirão muito boa gente de se passear nos seus automóveis, como fariam há uns anos.

PUB

Os camiões não passeiam. São de empresários que os fazem circular para desenvolver um negócio. É certo que os empresários dão emprego e ainda bem! É verdade que as empresas contribuem para o desenvolvimento da Economia e ainda bem!

Assim, parece bem que um Governo que se preocupa com as pessoas e com o seu bem-estar queira dar um incentivo às empresas transportadoras, para que possam continuar a laborar com alguma folga que pode significar a diferença entre continuar ou desistir. Por outro lado, no limite, direta ou indiretamente, ganhamos todos com isso. Quanto mais não seja porque mais sucesso empresarial significa mais impostos pagos ao Estado.

PUB

A questão que se coloca é que não são só as transportadoras que viram a sua atividade afetada pelos custos acrescidos com combustíveis e portagens. Os cidadãos que circulam, para trabalhar, em zonas como esta do Médio Tejo, foram fortemente penalizados. Os descontos iniciais na A23, ex-scut, não passaram de um rebuçado, se olharmos para eles numa perspetiva algo positiva. Se optarmos por um olhar negativo, esses terão sido areia para os olhos.

São já bem conhecidos os custos que as portagens das ex-scuts, associadas aos aumentos nos preços dos combustíveis, têm vindo a significar para muitas famílias. A constante ‘fuga às portagens’, com desvios por estradas que não estavam preparadas para um aumento considerável de tráfego, são um claro sinal do impacto que as cobranças tiveram na vida das pessoas – e não só das empresas transportadoras. Já agora, poderíamos também acrescentar várias outras empresas que, tendo optado por desenvolver a sua atividade nesta região, também são fortemente penalizadas.

PUB

As discriminações positivas são, regra geral, um bom princípio para regularizar (digamos assim) algo que precisa de uma nova ordem. Às vezes – mas nem sempre – é mesmo preciso evidenciar a diferença para sobre ela chamar a atenção. Ou para concedermos um privilégio que pretende equilibrar uma situação que pende demais para um dos lados. Mas estas opções têm que ser claras, evidentes e tendencialmente bem compreendidas pela generalidade das pessoas.

Se assim não for, passaremos a ter uma medida que pretende ser justa mas que cria ainda mais injustiças…

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here