Descarga na ribeira da Asseca, em Santarém, mata peixes e deixa “cheiro nauseabundo”

O presidente da Junta de Freguesia da Moçarria, no concelho de Santarém, denunciou uma descarga na ribeira da Asseca ocorrida no domingo, que provocou “a morte de todos os peixes”, deixando “um cheiro nauseabundo”.

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Marcelo Morgado disse à Lusa que militares do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR recolheram amostras na terça-feira, tendo dado conhecimento de que foi levantado um auto de contraordenação a uma indústria.

Segundo o autarca, todos os anos por esta altura – que associa ao início da campanha do tomate – se registam descargas poluentes, “mas nunca como esta”.

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Domingo passado, a ribeira da Asseca, que nasce no concelho de Rio Maior e atravessa várias freguesias do concelho de Santarém até desaguar no Tejo em Valada (Cartaxo), “voltou a apresentar sinais evidentes de poluição, com dezenas de peixes mortos em vários locais do percurso”, afirmou Marcelo Morgado numa comunicação enviada a várias entidades, acompanhada por fotografias que “não podem ilustrar a intensidade do cheiro nauseabundo”.

O autarca disse à Lusa que a cor alaranjada da água e a existência de detritos que incluem sementes fazem suspeitar de uma descarga a partir de uma indústria de tomate, receando que exista alguma substância tóxica que possa ter originado a morte dos peixes.

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Segundo afirma na missiva enviada aos responsáveis autárquicos dos concelhos de Santarém e de Rio Maior, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e aos vários partidos políticos, o curso de água “apresenta mau cheiro, uma cor escura, espuma, e muitos peixes mortos, nomeadamente junto à chamada Ponte do Seixal”.

“Cabe-me, enquanto presidente da Junta de Freguesia de Moçarria, lamentar que a ribeira volte a estar neste estado (…) praticamente todos os anos, coincidindo com o início da campanha do tomate”, acrescenta, pedindo que seja investigado “este cenário de horror”.

Fonte do SEPNA confirmou à Lusa que foi identificada uma das fontes da descarga, alvo do auto de contraordenação, mas que o facto de existirem peixes mortos levou a que tenha sido enviada para o local uma equipa de investigação de crimes ambientais que está a averiguar outras eventuais causas.

Inês Barroso, vice-presidente da Câmara de Santarém e responsável pelo pelouro do Ambiente, disse à Lusa que a Equipa Multidisciplinar de Ação para a Sustentabilidade (EMAS) esteve hoje em dois locais da ribeira, na Ponte do Seixal e na Ponte do Paul João Andrade, onde verificou a existência de “cerca de duas dezenas de pequenos peixes mortos, água escura e com muita espuma e um cheiro nauseabundo”.

No local esteve igualmente uma equipa dos Bombeiros Municipais de Santarém, com uma embarcação, para apoio a eventuais ações no leito da ribeira.

Inês Barroso afirmou não ser ainda possível determinar o que causou a morte dos peixes, deixando em aberto a possibilidade de existirem descargas noturnas clandestinas.

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