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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

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“Demasiadas coincidências”, por Vasco Damas

Não sou incendiário e tenho consciência que os fogos não se apagam com gasolina, mas recentemente ao ler a publicação de um amigo numa rede social recordei um texto que tinha escrito em 2017 e que na altura intitulei “O monstro”.

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“O dia fez-se noite numa tarde de Verão. O sentimento de impotência dá lugar à raiva quando percebemos que pouco se pode fazer contra as forças da natureza.

Mais difícil se torna quando os meios não chegam e os que chegam não são suficientes. O drama ganha dimensão e rapidamente fica descontrolado. A ansiedade transforma-se em angústia e resta pouco além da fé.

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Fé nos heróis que, de forma altruísta, lutam para nos defender dos ferozes ataques de uma natureza cada vez mais monstruosa. Monstruosa mas com ajudas, porque temos que estar conscientes que estes monstros naturais são alimentados por muita maldade e alguma negligencia humana.

Faz-se o que se pode porque não se fez tudo quanto se devia. Há responsabilidades e elas têm um denominador comum. Mas mais uma vez, elas não serão assumidas porque “foi feito tudo o que podia ter sido feito”.

Faz-se o que se pode porque não se fez tudo quanto se devia

A vida ensinou-me a confiar desconfiando e se há algo que continuo a desconfiar é de coincidências. Principalmente quando elas são utilizadas para justificar o injustificável ou para afastar as responsabilidades de quem as tem.

As alterações climáticas não explicam tudo e não explicam certamente o desperdício de tempo e de recursos. Não explicam também que certos fogos comecem em simultâneo em três localizações diferentes ou que se legisle, proibindo que os bombeiros portugueses façam o que os bombeiros espanhóis podem fazer.

Ficam ainda mais longe de explicar que os recursos financeiros deste país salvem bancos e banqueiros e não cheguem para investir em meios de combate a um monstro que, ano após ano, nos vai matando sem dó nem piedade.

A natureza tem sido particularmente implacável porque o homem tem sido passivamente inconsciente ou conscientemente passivo. No dia em que mudarmos a nossa passividade ou exigirmos que o façam por nós, o monstro ficará naturalmente mais fraco… porque terá menos mãos para o alimentar.”

Esta recordação levou-me a ir à procura de outros textos que tinha escrito sobre este flagelo e recupero parcialmente um texto de 2016 que já tinha sido escrito com excertos de outro texto de 2013 e que na altura intitulei “Quem ganha quando Portugal está a arder?”

“Porque tenho lido muitas publicações, muitos comentários e muita indignação sobre o assunto e porque invariavelmente em agosto este é, infelizmente, um tema que marca a atualidade, partilho parcialmente o texto que escrevi neste espaço de opinião no dia 30 de agosto de 2013 e que intitulei “Bombeiros – Os heróis de Portugal”.

Qualquer português com um mínimo de sensibilidade não pode ficar indiferente à sucessão de notícias dramáticas que temos tido conhecimento. A somar ao recorde de área de floresta ardida temos a inestimável perda de vidas humanas.

Algo estará mal, porque não tenho memória de um número tão alarmante de mortes entre os bombeiros deste país. Assisto incrédulo ao facto… e ao silêncio dos responsáveis em torno deste facto.

Não dá vontade de perguntar o que está por trás de tudo isto? Serão os interesses por trás da “privatização” de recursos no combate aos incêndios? Será por causa do desvio de verbas da formação aos bombeiros? Será por causa da desadequação de meios no combate aos incêndios? Será devido aos superiores interesses privados, que têm originado uma sucessão de “erros” no investimento em recursos materiais, que no passado recente, se deu inclusivamente ao luxo de canalizar verbas para se investir em submarinos negligenciado os meios de combate aos incêndios? O apuramento de responsabilidades não devolverá a vida aos que entretanto morreram mas pode evitar que se continuem a perder vidas.”

Este pequeno texto parece não ter perdido atualidade, porque passados três anos tudo parece igual. Mas na realidade, apenas parece, porque nem tudo está igual. Entretanto, arderam milhares de hectares de floresta e por isso o património nacional “encolheu” e o país ficou mais pobre.

Mas ao que parece, nem todos ficaram mais pobres com o “negócio do fogo”. Pelo que se sabe, as empresas privadas que assinaram contratos com os governos portugueses para o combate aos incêndios “…que ainda há pouco tempo tinham que alugar os seus meios aéreos a empresas estrangeiras, agora têm enormes frotas de helicópteros, hangares, pavilhões… e inclusivamente, aeródromos próprios”.

A falta de transparência e a falta de conhecimento público destes contratos deixa dúvidas, suspeitas e transforma os responsáveis por estas decisões em cúmplices nestes crimes. E aqui não cola o argumento de que Portugal não tem dinheiro porque facilmente se encontram soluções mais económicas com resultados mais vantajosos.

Se é assim, quem é que ganha quando Portugal está a arder?”

Termino como comecei. Não sou incendiário e tenho consciência que os fogos não se apagam com gasolina, mas ao ler o que fui escrevendo ao longo dos últimos seis anos concluo que há demasiadas coincidências que se repetem há demasiados anos.

Assumo que sou um leigo na matéria e que sou apenas alguém que pensa com base nos dados que são divulgados, mas parece-me claro que há responsabilidades individuais mas que também há responsabilidades políticas. Desde logo pela falta de coragem para se combater um negócio que é ilegal e que nos deixa coletivamente mais pobres. Quando houver essa coragem talvez nos aproximemos da resolução parcial desse problema. Até que esse dia chegue continuaremos a assistir a estes episódios dramáticos que não dignificam o nosso país.

Usem os argumentos que quiserem. Não dignificam nem nunca dignificarão. É um país em cinzas que estamos a deixar como herança aos nosso filhos. E esta realidade devia-nos fazer corar de vergonha. A todos.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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