“Da série ‘As coisas não estão a correr bem'”, por Duarte Marques

Foto: DR

1.

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TAXA DE DESEMPREGO SOBE PARA 12,4% NO 1º TRIMESTRE DE 2016

A taxa de desemprego voltou a aumentar no primeiro trimestre do ano, pelo segundo trimestre consecutivo, para o valor mais alto do último ano. Atinge agora 12,4%, mais duas décimas que o verificado no final de 2015.

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No final do ano passado, a taxa de desemprego já tinha crescido de 11,9% para 12,2%.

Destaque-se: num trimestre, há mais 6.3 mil pessoas desempregadas.

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No mesmo período de três meses, registaram-se MENOS 48.2 mil pessoas empregadas (do 4.º trimestre de 2015 para o 1.º trimestre de 2016, o número de pessoas que transitaram do emprego para o desemprego foi de 121,4 mil e o das que transitaram do emprego para a inatividade (15 e mais anos) foi de 182,6 mil. O total de pessoas que deixaram de estar empregadas, no espaço de um trimestre, foi, assim, de 304 mil.

 

DADOS MENSAIS (ajustados de sazonalidade): Em maio, a taxa de desemprego deverá ter-se mantido nos 11.6%, o mesmo valor de abril, com menos 5000 pessoas desempregadas.

PREVISÕES: As previsões adotadas pelo conjunto dos bancos centrais da Zona Euro (Eurosistema) apontam para uma taxa de desemprego em Portugal de 11,9% este ano, acima dos 11,4% previstos pelo governo. Os números revelados pelo BCE colocam Portugal, em 2016, com a quarta maior taxa de desemprego entre as 19 economias da Zona Euro, atrás apenas de Grécia (24,1%), Espanha (20,1%) e Chipre (13,1%).

2.

PORTUGAL PERDE POSTOS DE TRABALHO DIARIAMENTE

Segundo dados do Eurostat, Portugal não criou emprego nos primeiros três meses do ano, apresentando uma evolução de 0% na comparação com o trimestre anterior, o último de 2015.

Portugal tem, assim, um dos piores resultados entre os países europeus, apenas batido pela Polónia, Grécia, Letónia e Holanda, que destroem emprego face ao anterior trimestre.

A população empregada registou um ligeiro recuo em abril, estimando-se menos 500 pessoas no mercado de trabalho, no período de um mês.

DADOS MENSAIS (ajustados de sazonalidade): Em maio, registaram-se menos 26,7 mil pessoas empregadas que no mês anterior. Entre os jovens, foram 4.1 mil os que deixaram o mercado de trabalho no período de um mês.

3.

EXPORTAÇÕES TOTAIS EM QUEDA NOS PRIMEIROS QUATRO MESES DO ANO

Face a Abril de 2015, as exportações totais (bens e serviços) caíram 3,1%. Em termos acumulados nos primeiros quatro meses deste ano por comparação com igual período do ano passado, as exportações totais estão a cair 1,9% (nos primeiros quatro meses de 2015 por comparação com igual período de 2014 as exportações totais haviam aumentado 7,3%). O mau momento é comum aos bens (-2,0% face ao quadrimestre homólogo) e aos serviços (-1,8%).

Até no turismo se sente a desaceleração. As exportações de turismo de 5,5% nos primeiros quatro meses do ano comparam negativamente com o crescimento de 13,6% em igual período de 2015.

4.

DÍVIDA PÚBLICA EM MARÇO

Em março de 2016, a dívida pública situou-se em 233,0 mil milhões de euros. Este valor representa um aumento de 1,7 mil milhões de euros relativamente ao final do mês anterior.

Esta variação reflete emissões líquidas positivas de títulos (1,4 mil milhões de euros), um aumento das responsabilidades em numerário e depósitos (0,5 mil milhões de euros) e uma diminuição de empréstimos (0,3 mil milhões de euros).

O aumento da dívida pública foi acompanhado por um aumento menos acentuado dos ativos em depósitos (1,1 mil milhões de euros), pelo que a dívida pública líquida de depósitos da administração central registou um aumento de 0,6 mil milhões de euros face ao mês anterior, ascendendo a 218,6 mil milhões de euros.

5.

BANCO DE PORTUGAL MAIS PESSIMISTA

O Banco de Portugal (BdP) está mais pessimista em relação ao nível de crescimento da economia este ano, prevendo um forte abrandamento das exportações e uma estagnação do investimento.

Em vez de uma variação de 1,5% do PIB, como projetado em Março,  o banco central está agora (8 Junho) a contar que a economia progrida apenas 1,3% este ano, abaixo da expectativa do Governo e da Comissão Europeia.

No boletim económico divulgado a 8 de junho, com as projeções económicas para o período de 2016 a 2018, o banco central alerta que a procura externa dirigida à economia portuguesa vai perder dinamismo em 2016, com as exportações a apresentarem uma forte desaceleração face aos últimos anos.

6.

OCDE – INDICADOR COMPÓSITO AVANÇADO NO VALOR MAIS BAIXO DESDE 2013

As perspetivas de evolução da economia portuguesa, que estão a cair desde Agosto, estabilizaram em Março, nos 100,2, o valor mais baixo desde Novembro de 2013. O indicador compósito avançado tenta antecipar, em seis a nove meses, pontos de viragem na atividade económica em relação à tendência. Este indicador atingiu o seu valor máximo recente em Março de 2014, em 101,3, tendo depois estabilizado em torno de 100,8, antes de voltar a subir para 101 em Junho de 2015.

Registou o maior recuo mensal em Dezembro do ano passado. E chegou ao valor mais baixo de há dois anos e meio em fevereiro, tendo-se mantido inalterado em março.

7.

OCDE PIORA PREVISÕES PARA PORTUGAL

A OCDE piora as perspetivas para Portugal no défice, no crescimento do PIB e na dívida pública. Assim, em 2016, o défice deverá atingir os 2,9% do PIB (em Novembro antecipava um défice de 2,8%) e o crescimento deverá ficar-se pelos 1,2% (1,7% em Novembro).

A OCDE está, assim, mais pessimista do que o governo, que mantém como meta para este ano um défice para 2,2% do PIB, e junta-se ao FMI, que também antecipa um défice de 2,9%, e à Comissão Europeia, que estima um défice de 2,7%.

No relatório a OCDE também duvida das metas orçamentais do governo para 2017, estimando que no próximo ano o défice fique nos 2,6% do PIB, quando o executivo liderado por António Costa comprometeu-se com um défice orçamental de 1,4% do PIB para esse ano, no Programa de Estabilidade 2016-2020.

Quanto ao crescimento económico, cuja previsão em Novembro era de 1,7%, foi agora revisto em baixa para 1,2% em 2016 e 1,3% em 2017.

A organização também piorou a estimativa da dívida pública na ótica de Maastricht (a que conta para Bruxelas), prevendo agora que represente 128,3% do PIB este ano, mantendo-se nesse valor em 2017.

8.

PORTUGAL NÃO TRANSMITE CONFIANÇA ÀS INSTITUIÇÕES

Todas as previsões divulgadas após a apresentação do Orçamento do Estado em Fevereiro trouxeram revisões em baixa, fazendo da estimativa do Governo de um crescimento do PIB de 1,8% em 2016 a mais otimista (considerada irrealista por alguns).

(A OCDE foi a sétima instituição a rever em baixo as previsões económicas para Portugal).

O núcleo de estudos da Católica é o mais pessimista: em abril, cortou a estimativa de crescimento português de 2% para 1,3%, o valor mais baixo entre previsões conhecidas.

A acompanhar a revisão em baixa do crescimento, chegou uma revisão em alta do défice que, nas contas da Católica, será superior a 3% do PIB, o que poderia forçar o Governo a aplicar medidas adicionais de consolidação orçamental.

O FMI baixou agora as previsões de crescimento em 0.4 p.p. para 1% em 2016. O défice está projetado nos 3% (0.8 p.p. acima da previsão do governo).

9.

INVESTIMENTO CAI PELA PRIMEIRA DESDE 2013

Segundo o INE (Contas Nacionais Trimestrais), o investimento diminuiu pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, o momento em que Portugal começou a sair da recessão dos anos da ‘troika’.

Segundo dados do INE, o investimento registou uma contração homóloga, pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, diminuindo 2,2% face ao mesmo trimestre do ano passado, o que prolonga a desaceleração do indicador.

A quebra é explicada essencialmente por terem sido meses terríveis para a construção. “O comportamento da formação bruta de capital fixo [investimento] em construção explicou, em grande medida, a diminuição da FBCF total verificada no 1º trimestre, registando uma variação homóloga de -3,9% em termos reais, após ter aumentado 4,4% no 4º trimestre“.

10.

PRODUÇÃO NA CONSTRUÇÃO CAIU 4.5% EM ABRIL

Segundo o INE, o índice de produção na construção registou uma variação homóloga negativa de 4,5% em Abril, depois de cair 5,1% em Março.

Os índices de emprego e de remunerações decresceram, respetivamente, 5,5% e 5,9% em termos homólogos (variações de -5,4% e -4,1% no mês anterior).

Quando comparado com o mês anterior, o índice de emprego registou uma taxa de variação de -0,5% (-0,4% em Abril de 2015). Já ao nível das remunerações, comparativamente com o mês anterior, o índice das remunerações diminuiu 2,6% (-0,8% em Abril de 2015).

11.

PREÇOS DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL ACENTUAM QUEDA

Os números do INE indicam que o índice de preços na produção industrial acentuou em Abril a diminuição homóloga, recuando 4,3%, tendo registado uma taxa de variação mensal de -0,3%. Em Março passado, a variação homóloga deste indicador tinha sido de -3,9% e a taxa de variação mensal tinha sido de 0,2%.

O índice do agrupamento de energia, com uma variação homóloga de -11,9%, apresentou o contributo “mais expressivo” para a queda do índice total. 

12.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL CAI 3,7% EM MAIO

A produção industrial diminuiu 2% em maio, face ao mesmo mês do ano passado. No mês passado, a queda homóloga foi de 3,4%.

Comprando com o passado mês de abril, o índice de produção industrial registou em maio uma quebra mensal de 3,7% (em abril tinha registado um aumento de 5,3%).

O contributo negativo mais influente para esta diminuição homóloga em maio do índice agregado foi o do agrupamento de bens de consumo, que diminuiu 5,2%, mais do que a quebra de 4% do mês anterior.

O agrupamento de bens intermédios registou uma diminuição de 2,9%, acima da quebra de 3,5% em abril. A secção das indústrias transformadoras diminuiu 4,8%, quando em abril tinha tido uma variação de 0,3, enquanto o índice da eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio passou de uma taxa de 35,4%, em abril, para 15,7%, em maio.

 A secção das indústrias extrativas diminuiu 9,5% em maio, depois de em abril ter registado uma descida de 28,3%.

13.

CONFIANÇA DOS CONSUMIDORES CONTINUA EM QUEDA

Depois de muitos meses de recuperação, a confiança dos consumidores portugueses está a cair desde abril. Em junho, voltou a piorar, segundo o INE, tendo contribuído para este agravamento todas as componentes, perspetivas relativas à evolução da situação financeira do agregado familiar, da poupança, da situação económica do país e do desemprego.

O indicador de clima económico estabilizou em junho nos 1,2 pontos, com evolução negativa na construção e obras públicas e nos serviços.

14.

VOLUME DE NEGÓCIOS NOS SERVIÇOS CAI 1.4% EM ABRIL

O índice de volume de negócios nos serviços diminuiu, em termos homólogos e nominais, 1,4% em abril, variação superior em 1,9 pontos percentuais (p.p.) à observada em março).

A maioria das secções continuou a apresentar contributos negativos para a variação do índice agregado, tendo as de Transportes e armazenagem e de Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares registado os contributos mais intensos (-0,8 pontos p.p. e -0,6 p.p., respetivamente), resultantes de taxas de variação homóloga de -5,3% e -9,4% (-6,5% e -4,1% no mês anterior) pela mesma ordem.

15.

ATIVIDADE ECONÓMICA NO VERMELHO PELA PRIMEIRA VEZ DESDE AGOSTO DE 2013

O indicador do Banco de Portugal para medir a atividade económica atingiu um valor negativo em Maio deste ano, o que sucede pela primeira vez desde Agosto de 2013, ano de recessão na economia portuguesa.

O indicador coincidente cifrou-se em -0,1%, contra 0,1% em Abril. De acordo com os dados do BdP, trata-se da sexta queda consecutiva, sendo que no primeiro mês deste ano o indicador estava a crescer 1%.

Já o indicador coincidente para o consumo privado manteve o perfil de redução ligeira iniciado em Fevereiro, ao subir 2%. Trata-se do registo mais baixo desde Fevereiro de 2014 e que compara com os 2,2% verificados em Abril.

16.

PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS CONTINUA A AUMENTAR

De acordo com os dados da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC), os preços médios do gasóleo aumentaram 1,4% (1,9 cêntimos por litro) entre abril e maio, enquanto o custo médio da gasolina subiu 3,4% (3,7 cêntimos por litro) no mesmo período.

17.

PORTUGAL DESCE NO RANKING MUNDIAL DA COMPETITIVIDADE

Portugal caiu três lugares no ranking mundial da competitividade para 2016, e ocupa agora a 39ª posição (estava no 36º lugar em 2015).

O ranking, elaborado pela escola suíça de negócios IMD World Competitiveness Center, ordena 61 países e permite avaliar a competitividade dos países, considerando quatro grupos de questões: o desempenho económico, a eficiência na Administração Pública, a eficiência nos negócios e as infraestruturas (físicas, tecnológicas e humanas).

No ranking para 2016, Portugal piora todas vertentes exceto na eficiência nos negócios, onde o país subiu de 48ª posição para 46ª. Nas restantes vertentes Portugal apresentou resultados piores do que no ranking de 2015. O desempenho económico foi pior, principalmente devido ao investimento internacional. A eficiência na Administração Pública deteriorou-se, em resultado de praticamente todos os subindicadores (finanças públicas, política orçamental, enquadramento institucional e legislação dedicada aos negócios). Apenas o enquadramento para as empresas evitou uma degradação.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

1 COMENTÁRIO

  1. Sobre o ranking mundial da competitividade para 2016, pedi esclarecimentos ao IMD que me respondeu: “Hard data statistics (2/3): In the 2016 edition, most of these data are for 2015; some are for 2014 or even older”. Business executives opinion survey (1/3): In the 2016 edition all surveys are for 2016″.
    Assim, a queda de 3 lugares no ranking mundial da competitividade (de 36º para 39º) responsabiliza sobretudo o governo anterior do PSD/CDS-PP, ou seja, o senhor deputado Duarte Marques reconhece o desastre que foi a governação do seu partido, pelo menos em matéria de competitividade.

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