“Da série: As coisas não estão a correr bem”, por Duarte Marques

1.
TAXA DE DESEMPREGO NOS 11% EM AGOSTO
Segundo o INE, registou-se uma subida de 0.1 p.p. da taxa de desemprego de julho para agosto, situando-se nos 11%. Registou-se um total de 561.8 mil desempregados, mais 2 pessoas que no mês anterior.
Já a população empregada em Agosto reduziu-se para
4.561,9 mil pessoas, ou seja, menos 6,6 mil pessoas empregadas no período de um mês.
Quanto ao Desemprego Jovem, registou um aumento de 1.3 p.p em dois meses (em junho era de 26.8%, em julho subiu para 27.2% e em agosto fixou-se nos 27.9%).
Criação de Emprego:
A criação líquida de novos postos de trabalho está a reduzir significativamente em termos homólogos. Comparando o 2o trimestre de 2016 com o período homólogo, vê-se que em 2015 criaram-se três vezes mais postos de trabalho do que em 2016.

Entre o último trimestre do ano passado e o 2o trimestre deste ano foram criados cerca de metade do número de empregos que no ano passado no mesmo período.
2.
PORTUGAL REGISTA CRESCIMENTO DECECIONANTE
Está obviamente comprometida a meta de 1,8% do crescimento do PIB do governo para 2016. Segundo o INE, o Produto Interno Bruto registou, em termos homólogos, um aumento de 0,9% em volume no 2o trimestre de 2016 (variação de 0,9% no trimestre anterior). O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu significativamente, observando-se um crescimento menos intenso do consumo privado e uma redução mais expressiva do investimento.
Comparativamente com o 1o trimestre, o PIB registou uma taxa de variação de 0,3% em termos reais (taxa idêntica à verificada nos dois trimestres anteriores).
“O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, passando de 1,7 pontos percentuais no trimestre precedente para 0,6 pontos, refletindo sobretudo o crescimento menos intenso do consumo privado e a redução mais expressiva do Investimento.”
O consumo das famílias cresceu apenas 1,7% face ao mesmo trimestre de 2015, o que é a variação mais baixa desde o quarto trimestre de 2013. Este valor reflete um variação mais modesta da compra de bens duradouros, como automóveis, que passou de 12,7% para 8,2%, entre o primeiro e o segundo trimestre. Além disso, a maior categoria do consumo privado, bens correntes não alimentares e serviços, avançou apenas 1% (também o mais baixo em quase três anos).
3.
EXPORTAÇÕES DE BENS CONTINUAM EM QUEDA E DÉFICE AGRAVA-SE
É preciso recuar a 2009, o ano da grande crise económica mundial, para encontrar um pior desempenho. No primeiro semestre desse ano, registou-se uma quebra de 25%; há um ano, na primeira metade de 2015, as vendas ao exterior estavam a subir 4,4%. Desde então o declínio tem vindo a consolidar-se, colocando agora em xeque as metas de crescimento da economia (1,8%, diz o Governo, que conta com uma subida real de 4,3% nas exportações totais).
Mantém-se uma queda progressiva daquele que foi o grande motor da recuperação económica portuguesa nos últimos anos: as exportações.
Dados mais recentes: No trimestre terminado em Agosto, as exportações desceram 0,8% face ao período homólogo. Na variação mensal, a venda de mercadorias para o exterior cresceu 6,1% no mês de Agosto, a subida mais forte desde Junho do ano passado que ainda assim foi inferior à subidas das importações (+10.6%). O défice comercial agravou-se, com um aumento de 248 milhões para 1.160 milhões de euros.
É a primeira vez desde Abril do ano passado que as importações sobem a dois dígitos. Desde Março que as importações não registavam aumentos homólogos.
4.
DÍVIDA PÚBLICA VOLTA A SUBIR
A dívida pública portuguesa subiu pelo sexto mês consecutivo e atinge novo máximo histórico, nos 243,3 mil milhões de euros em agosto, mais 2.5 mil milhões de euros face a julho.
O país está, desta forma, a endividar-se mais para fazer face a mais gastos. Em quase todos os meses deste ano, o Estado tem vindo a aumentar o total de dinheiro devido aos credores, tendência que se manteve em Agosto.
De acordo com o banco central, o aumento “resultou principalmente de emissões líquidas positivas de títulos”. Esta rubrica passou de 130,77 mil milhões de euros em Junho para 131,6 mil milhões um mês depois.Esta maior necessidade de obter liquidez teve consequências agora claras nas contas do Estado.
Em agosto de 2016, a dívida pública situou-se em 243,3 mil milhões de euros (Gráfico 1), aumentando 2,5 mil milhões de euros relativamente ao final do mês anterior (Gráfico 2).
5.
POUPANÇA EM VALORES NEGATIVOS PELA 1a VEZ EM 17 ANOS
A taxa de poupança do primeiro trimestre de 2016 (peso da poupança bruta sobre esse rendimento disponível) foi negativa (-1,2% do rendimento disponível bruto), algo nunca visto nas últimas décadas.
Pela primeira vez em 17 anos (pelo menos), todo o valor que receberam em salários, pensões e rendimentos do capital foi gasto em consumo, e ainda foram buscar dinheiro às poupanças para pagar estas despesas.
Em 2009, a taxa de poupança das famílias era de 10.9%, em 2011 caiu para 7.8%, mas voltou a recuperar em 2012 e 2013. Durante a vigência do programa de ajustamento, a taxa de poupança das famílias situava-se em 8,3%. Cai agora para valores negativos, pela primeira vez desde 1995 (ano em que o INE começou a avaliar o indicador).
6.
BANCO DE PORTUGAL MAIS PESSIMISTA
O Banco de Portugal (BdP) está mais pessimista em relação ao nível de crescimento da economia este ano, prevendo um forte abrandamento das exportações e uma estagnação do investimento.
Em vez de uma variação de 1,5% do PIB, como projetado em Março, o banco central está agora (8 Junho) a contar que a economia progrida apenas 1,3% este ano, abaixo da expectativa do Governo e da Comissão Europeia.
7.
OCDE PIORA PREVISÕES PARA PORTUGAL
A OCDE piora as perspetivas para Portugal no défice, no crescimento do PIB e na dívida pública. Assim, em 2016, o défice deverá atingir os 2,9% do PIB (em Novembro antecipava um défice de 2,8%) e o crescimento deverá ficar-se pelos 1,2% (1,7% em Novembro).
A OCDE está, assim, mais pessimista do que o governo, que mantém como meta para este ano um défice para 2,2% do PIB, e junta-se ao FMI, que também antecipa um défice de 2,9%, e à Comissão Europeia, que estima um défice de 2,7%.
No relatório a OCDE também duvida das metas orçamentais do governo para 2017, estimando que no próximo ano o défice fique nos 2,6% do PIB, quando o executivo liderado por António Costa comprometeu-se com um défice orçamental de 1,4% do PIB para esse ano, no Programa de Estabilidade 2016-2020.
Quanto ao crescimento económico, cuja previsão em Novembro era de 1,7%, foi agora revisto em baixa para 1,2% em 2016 e 1,3% em 2017.
A organização também piorou a estimativa da dívida pública na ótica de Maastricht (a que conta para Bruxelas), prevendo agora que represente 128,3% do PIB este ano, mantendo-se nesse valor em 2017.
8.
PORTUGAL NÃO TRANSMITE CONFIANÇA ÀS INSTITUIÇÕES NEM AOS ECONOMISTAS
O produto interno bruto (PIB) de Portugal deverá crescer 1% este ano, de acordo com as estimativas dos economistas internacionais que participam no inquérito regular conduzida pela agência Bloomberg.
Esta nova previsão, que está alinhada com as estimativas mais baixas de várias instituições, representa um corte, já que na anterior sondagem a média das estimativas apontava para um crescimento de 1,2% da economia portuguesa este ano.
As estimativas para o próximo ano também foram revistas em baixa, com os 22 economistas que participaram no inquérito a apontarem agora para um crescimento de 1,2% em 2017, abaixo dos 1,5% anteriores.
Têm sido várias as organizações a rever em baixa as suas previsões para a economia portuguesa nos meses mais recentes. O Conselho de Finanças Públicas projetou um crescimento do PIB de 1% este ano e 1,3% em 2017, abaixo da anterior previsão de crescimento de 1,7% nos dois anos.
No boletim económico divulgado a 8 de junho, com as projeções económicas para o período de 2016 a 2018, o banco central alerta que a procura externa dirigida à economia portuguesa vai perder dinamismo em 2016, com as exportações a apresentarem uma forte desaceleração face aos últimos anos.

Além dos economistas consultados pela Bloomberg e do CPF, também outras entidades (como o Montepio e a Comissão Europeia) apontam para um crescimento de 1% no PIB de Portugal este ano.

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Os economistas consultados pela Bloomberg também avançam com projeções para a evolução trimestral do PIB, sendo que neste caso as estimativas também foram revistas em baixa. A economia portuguesa deverá registar um crescimento em cadeia de 0,2% no terceiro trimestre e 0,3% nos últimos três meses do ano, o que traduz uma revisão em baixa de uma décima.
A 27 de setembro, foi a vez do BBVA rever em baixa as previsões que tinha feito em maio para economia portuguesa: estima agora que o PIB cresça 1,0% no conjunto de 2016 e 1,3% em 2017 (em maio previa crescimentos de 1,4% e 1,6% para os dois anos, respetivamente).
Já em Outubro, foi o FMI quem reviu em baixa as previsões de crescimento para Portugal. No World Economic Outlook, o FMI espera agora um crescimento de 1% este ano, quando em abril antecipava que a economia portuguesa crescesse 1,4%. Para 2017, o FMI espera que Portugal cresça 1,1% (uma estimativa que em abril era de 1,3%).
9.
INVESTIMENTO CAI PELA PRIMEIRA DESDE 2013
Dados trimestrais: Segundo o INE (Contas Nacionais Trimestrais), o investimento diminuiu pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, o momento em que Portugal começou a sair da recessão dos anos da ‘troika’.
Segundo dados do INE, o investimento registou uma contração homóloga, pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, diminuindo 2,2% face ao mesmo trimestre do ano passado, o que prolonga a desaceleração do indicador.
A quebra é explicada essencialmente por terem sido meses terríveis para a construção. “O comportamento da formação bruta de capital fixo [investimento] em construção explicou, em grande medida, a diminuição da FBCF total verificada no 1o trimestre, registando uma variação homóloga de -3,9% em termos reais, após ter aumentado 4,4% no 4o trimestre“.
MAIS RECENTE: O indicador de FBCF diminuiu em julho e agosto, retomando o movimento descendente iniciado em abril de 2015. A evolução observada no último mês deveu-se ao contributo negativo da componente de material de transporte, uma vez que o investimento em máquinas e equipamentos apresentou um contributo mais positivo e o investimento em construção um contributo negativo menos acentuado.
10.
PRODUÇÃO NA CONSTRUÇÃO CONTINUA EM QUEDA
O índice de produção da construção apresentou uma variação homóloga de -3,7% em agosto, menos intensa que a verificada no mês anterior (-4,0%) e idêntica à observada em junho.
11.
PREÇOS DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL CONTINUA EM QUEDA
O indice de Preços na Produção Industrial apresentou, em setembro, uma taxa de variação homóloga de -1,7% (-3,0% em agosto). Excluindo o agrupamento de Energia, o índice diminuiu 1,0% (variação de -1,3% no mês precedente). A variação mensal foi 0,1% (-1,2% em igual mês de 2015). No 3.o trimestre de 2016, o índice total apresentou uma variação homóloga de -2,7% (-4,0% no 2.o trimestre)
12.
PRODUÇÃO INDUSTRIAL CAI EM AGOSTO
A produção industrial nacional registou uma queda de 1,6% em Julho, penalizada sobretudo pelo sector dos bens de consumo (-7%). O agrupamento da energia evitou uma queda mais profunda. O agrupamento dos bens intermédios teve também uma variação homóloga negativa, mas menos profunda (2,5%).
 
13.
CLIMA ECONÓMICO ESTAGNADO
Em Portugal, o clima económico, disponível até setembro, estagnou nos 1,4, o mesmo valor de agosto e mais 0,1 do que em julho. A variação homóloga é nula.
O indicador de confiança dos consumidores melhorou (-12.4) em setembro, depois de quatro meses consecutivos a agravar (está agora no valor de abril).
14.
VOLUME DE NEGÓCIOS NA INDÚSTRIA CAI NOVAMENTE
O índice de volume de negócios na indústria passou de uma variação homóloga de -3,1% em julho para -2,3% em agosto. O índice relativo ao mercado interno apresentou uma variação homóloga de -2,4% (-3,5% em julho e -2,2% em junho), enquanto para o mercado externo esta taxa foi de -2,1% (-2,6% em julho e -3,7% em junho).
Excluindo o agrupamento Energia, fortemente influenciado por reduções homólogas de preços, o índice de volume de negócios apresentou uma variação homóloga de -0,4% em agosto (-1,7% em julho e -0,7% em junho).
Em agosto, a variação homóloga do índice de produção da indústria foi 0,2%, após ter registado uma variação de -0,7% em julho e 0,8% em junho. Considerando apenas a indústria transformadora, o índice de produção apresentou uma diminuição homóloga de 2,5%, menos acentuada que a taxa de -3,1% verificada em julho.
O Índice de Preços na Produção Industrial apresentou, em setembro, uma taxa de variação homóloga de -1,7% (-3,0% em agosto). Excluindo o agrupamento de Energia, o índice diminuiu 1,0% (variação de -1,3% no mês precedente). A variação mensal foi 0,1% (-1,2% em igual mês de 2015). No 3.o trimestre de 2016, o índice total apresentou uma variação
homóloga de -2,7% (-4,0% no 2.o trimestre).
PRODUÇÃO INDUSTRIAL CAI EM AGOSTO
A produção industrial nacional registou uma queda de 1,6% em Julho, penalizada sobretudo
pelo setor dos bens de consumo (-7%). O agrupamento da energia evitou uma queda mais profunda. O agrupamento dos bens intermédios teve também uma variação homóloga negativa, mas menos profunda (-2,5%).
15.
ATIVIDADE ECONÓMICA CRESCE AO RITMO MAIS FRACO DESDE JAN 2014
O índice do INE para medir a evolução da atividade económica em Portugal recuou entre Abril e Agosto, contrariando os sinais que apontam para uma recuperação da economia portuguesa.
O indicador, que é calculado com base numa média móvel de três meses, caiu em Agosto para 1,5%, o que compara com 1,5 em Julho e 1,8% em Junho e valores sempre acima de 2% em todos os meses deste ano.
Daqui se conclui que o ritmo de crescimento da atividade económica é o mais fraco, pelo menos, desde janeiro de 2014.
16.
PORTUGAL DESCE NO RANKING MUNDIAL DA COMPETITIVIDADE
De acordo com dados do Relatório Global de Competitividade (2016-2017) do World Economic Forum, Portugal desceu este ano oito lugares, de 38o para 46o, no ranking mundial da competitividade do World Economic Forum, num universo de 138 países.
As taxas e os impostos são apontados no documento como o fator mais problemático (18%) para os negócios e são também a primeira preocupação manifestada pelos empresários.
A burocracia mantém-se no 2o lugar e em 3.o está a preocupação dos empresários sobre a instabilidade política no país. A preocupação com a regulamentação laboral mantem-se como 4a preocupação, os regulamentos fiscais mantém-se como 5a e as condições de acesso ao financiamento são o 6.o fator mais problemático para os empresários.
Recordo que a subida neste ranking era um dos sinais positivos associados ao anterior governo.
Depois de um longo período de deterioração desde 2006, Portugal tinha interrompido a tendência em 2011 e, de 2013 para 2015, subiu 13 posições no ranking da Competitividade 2014
2015, do World Economic Forum. Em 2015, ocupava a 38a posição entre 140 países. O relatório dizia: “Tendo em conta a evolução de 2013 para 2015, Portugal registou realmente uma subida de 13 posições no ranking mundial, resultado de uma série de indicadores terem subido substancialmente na eficiência do mercado de bens (mais 40 posições), no mercado do trabalho (mais 60 posições), no impacto das regras do IDE (mais 71 posições) e na política de custos agrícolas (mais 62 posições)”.
O relatório destacava “uma consolidação dos sinais positivos resultantes do programa de reformas estruturais adotado nos últimos anos, mais evidentes em áreas relacionadas com o funcionamento do mercado de bens”. Portugal estava entre os países europeus (com França, Irlanda, Itália e Espanha) onde o Fórum Económico Mundial considera ter havido uma melhoria significativa nas áreas de concorrência de mercado e de eficiência no mercado de trabalho.
De acordo com o Fórum Económico Mundial, o país estava bem colocado em indicadores como o número de dias para a criação de negócios (o 4.o lugar a nível mundial, quando em 2006 estava no 89.o), nas infraestruturas (15.o) e na formação profissional superior (28.o). Agora, o caminho é o inverso (alguns exemplos): no pilar do ambiente macroeconómico, Portugal é 120o do Ranking, entre 138 países. A dívida é a quinta pior entre os países em análise. O desenvolvimento dos mercados financeiros está em 116o lugar da geral.
17.
AUMENTA O NÚMERO DE FAMÍLIAS SOBRE-ENDIVIDADAS
O Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da Deco recebeu, no primeiro semestre do ano, 17.300 pedidos de ajuda, mais 70 face a igual período de 2015, o que mostra que a situação das famílias não melhorou.
Pelo contrário,
a situação financeira destas famílias é muito débil e não lhes permite ainda procederà sua restruturação de forma a equilibrá-la. “Daí o facto de termos 17.300 pedidos de ajuda e apenas estarmos a acompanhar 1.235 famílias”. Entre as causas do sobre- endividamento estão o desemprego (29%), a deterioração das condições laborais (22%), a penhora dos rendimentos (14%), as execuções de crédito (10% ) e as execuções fiscais (4%). Segundo os dados do GAS, 53% dos processos iniciados este ano já apresentavam créditos em incumprimento, sendo que, no primeiro semestre de 2016, as famílias tinham em média cinco créditos em renegociação.
18.
BCE REDUZ COMPRA DE DÍVIDA PORTUGUESA PARA MÍNIMOS
O BCE reduziu o ritmo de compra de dívida de países como Portugal, Itália e Espanha, em Julho. Não é só caso português, mas é aquele que mais se destaca na redução de compras de dívida por parte do Banco Central Europeu. É Portugal o país que mais pesa para a redução total de 3,3% na compra de dívida na área do euro, em julho.
A compra da dívida portuguesa totalizou 957 milhões de euros, sendo o valor mais baixo de sempre (desde que o programa de compra de ativos avançou em força em março do ano passado). Este valor que compara com 1.438 milhões no mês anterior.
O valor mensal das compras de dívida de Portugal tem vindo a cair sistematicamente à medida que o BCE se aproxima dos limites que travam o investimento nestes títulos, de forma a evitar uma grande exposição ao risco de cada país.
19.
PORTUGAL É O PAÍS DA ZONA EURO ONDE OS JUROS DA DÍVIDA MAIS PESAM
Portugal é o único país do euro que não consegue baixar a fatia de juros em 2017, que vai atingir os 4,3% do PIB. A taxa de juro implícita portuguesa é a mais elevada do euro, e a única que não baixa em 2017 (a par de Chipre)
A economia portuguesa vai entregar, no próximo ano, 4,3% do PIB para saldar juros da dívida pública. São mais de oito mil milhões de euros que, em termos relativos, não encontram paralelo entre os países da moeda única. A taxa de juro implícita da dívida portuguesa chega aos 3,5%.
Além de os contribuintes portugueses serem os que mais vão pagar em juros no próximo ano entre os países do euro, a economia portuguesa será também das poucas que não conseguem reduzir este fardo em 2017. No documento entregue em Bruxelas, Mário Centeno aponta para um gasto com juros de 4,3% do PIB tanto em 2016 como em 2017. Portugal faz assim parte do pequeno grupo países da moeda única que não conseguem baixar a riqueza hipotecada em juros no próximo ano em relação a 2016. Apesar de contar com a companhia de outros quatro países neste grupo, a verdade é que há uma diferença significativa entre Portugal e os restantes: nenhum deles gasta sequer 2% do PIB em juros.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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