“Da ponte que falece a Tramagal”, por António José Carvalho

Em setembro de 2018, quando se preparava o Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030) publicitado pelo Governo por estes dias, a Assembleia de Freguesia de Tramagal aprovou por unanimidade uma moção apresentada pelo Movimento Independente Freguesia Tramagal (MIFT) que solicitava “ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas que considere prioritária a implementação de uma nova travessia sobre o Tejo que sirva diretamente a vila de Tramagal, sugerindo que seja analisada a possibilidade de ligação entre a EN118 e a EN3 / A23, solução com boa relação custo/benefício para resolver os problemas de acessibilidade existentes”.

Entretanto fomos assolados pela COVID-19 e a União Europeia criou um quadro financeiro excecional de resposta à crise, denominado Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cerca de 15 mil milhões de euros para Portugal aplicar em projetos que se concretizem entre 2021 e 2026.

Neste plano foram consideradas prioritárias a melhoria dos acessos a parques industriais, o completamento de redes de estradas no interior, obras de média dimensão e de rápida execução que tenham forte impacto socioeconómico e contribuam para a melhoria ambiental e resiliência dos territórios, objetivos a que a ponte de Tramagal sugerida pelo MIFT corresponde plenamente.

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Quando se esperava que o PRR trouxesse a tão necessária obra rodoviária, no PNI 2030 é reeditada a promessa de conclusão do IC9 Nazaré-Ponte de Sor como exclusiva prioridade.

Este projeto é uma construção que pelo seu elevadíssimo custo e pouca utilidade nacional tem grande probabilidade de nunca chegar a sair do papel em que está há décadas e é uma solução que pouco ajuda ao desenvolvimento local. Estamos assim na iminência de “uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”.

Não é justo. Abrantes, Constância e Chamusca precisam mesmo da ponte de Tramagal. Os decisores não se podem distrair.

Ainda é possível termos a curto prazo uma ponte a ligar a EN118 e parque industrial de Tramagal à EN3 / A23 e Abrantes. Uma ponte que assegura a circulação de todo o tipo de veículos e peões, sustentável, que facilita e potencia a circulação e interligação das localidades e que, estou certo, em conjunto com a beneficiação das “curvas de Tramagal” será capaz de alavancar o desenvolvimento da região.

Imagem: “Solução de localização de ponte ao Tramagal (verde) e solução de ponte do IC9 (vermelho)]

*António José Damas de Carvalho, eleito do MIFT na Assembleia de Freguesia de Tramagal, é Professor de geografia e especialista em planeamento regional, ordenamento do território e ambiente.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Compreendo perfeitamente as razões invocadas pelas forças vivas do Tramagal para a construção da Ponte como o mapa indica. Aliás as ligações entre as duas margens do Tejo, depois de terem estrangulado a Ponte da Chamusca, estão perfeitamente deficitárias porque a Ponte da Praia do Ribatejo só permite um sentido de trânsito e só para ligeiros. Mas não nos podemos esquecer também que o acabamento do IC3, agora A13, entre Almeirim e a Atalaia (VNBarquinha) é uma necessidade imperiosa e também tem no projecto, incluido no PRN de há mais de 20 anos, a contrução de uma ponte naquela zona. E convenhamos, Almeirim, Alpiarça e a Chamusca têm direito a que lhe seja retirado de dentro das localidades todo aquele trânsito pesado que ali passa todos os dias a caminho dos CIRVER no Paqrque do Relvão. Se um dia scontecer um acidente grave dentro duma daquelas localidades com um camião carregado de matérias perigosas, ninguém imagina o que por ali pode acontecer. Acho que as forças vivas da região deveriam pensar melhor o que seria mais razoável porque o óptimo é inimigo do bom.

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