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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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“Da gestão das ilusões para evitar desilusões”, por Pedro Marques

No início de cada ano formulamos votos de que seja o melhor de sempre.

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Nem sempre assim é mas queremos sempre que assim seja. E por vezes queremos tanto que fabricamos ilusões. Esta atitude é própria de quem anda sempre para a frente, com ânsia de andar mais e mais e por vezes esquece o que ficou para trás. Todos, ou quase todos, depressa esquecemos o que ficou para trás. E às vezes alimentarmo-nos do passado é a melhor forma de projetar o futuro, planear o caminho que queremos fazer, estudar a tática que vamos implementar e os procedimentos operacionais para lá chegarmos. Com medições pelo caminho, a chamada monitorização. Sem planearmos não sabemos para onde vamos e sem medir não sabemos se estamos a ir bem e se o resultado é aquele para onde apontámos.

O problema das ilusões, dos grandes sonhos imaginados mas não concretizados é a desilusão. Esta é o reverso da ilusão. Com o passar dos anos vamos tendo menos ilusões e, também por isso, menos propensão a desilusões. Vivemos mais conformados ou mais realisticamente adaptados ao mundo que nos rodeia. Continuamos a sonhar sim, mas sabemos bem o que são os sonhos que podemos atingir, os que talvez se consigam alcançar e aqueles que será difícil ou impossível alcançar. Gerimos melhor as expetativas.

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Ora, eu para 2016 tenho expetativas baixas. Tenho mesmo. Desde que a saúde se vá mantendo em níveis elevados, para mim e para os meus (seria bom que fosse para todo o mundo…), já o ano está ganho.

Espero que consigamos viver em paz. Não há flagelo maior na humanidade do que a intolerância, os radicalismos e o recurso à violência. Tenho aversão a toda e qualquer espécie de violência, sobretudo a que é fundada em extremismos, incompreensões, radicalismos ou pretensões totalitárias que acabam por retirar toda a dignidade, liberdade e sentido de justiça à condição humana.

Depois espero que haja trabalho remunerado. Não gosto – nunca gostei – de ter um emprego. Prefiro dizer – porque assim o sinto – que sou remunerado pelo meu trabalho. Que não me é dado nada, que o dinheiro que ganhe é a retribuição pelo trabalho que faço. E, já agora, que faço com muito gosto.

Depois espero que possa sorrir, divertir-me, estar com amigos, amar, ser amado, viajar, ler, escrever.

Estes são os sonhos que, com alguma probabilidade, irei ser capaz de atingir.

No plano menos atingível, gostaria de ter uma atividade cultural performativa. Ou ocupar o pouco tempo livre de que ainda disponho a fazer teatro, ou a (re)aprender música. Pode ser em 2016 ou pode ser depois. Não é uma obsessão.

Espero ainda, no futuro, ter condições para ser mais útil à sociedade, porventura através de voluntariado. É algo que ainda não consolidei totalmente. Será voluntariado de proximidade. Perto da minha residência e da minha zona de conforto. Preciso de um incentivo de coragem e de ser menos egoísta nas minhas rotinas.

Mais tarde, quem sabe se conseguirei juntar dois sonhos num só? Seria muito interessante e desafiador eu ter coragem para ajudar pessoas noutros países do mundo, onde as condições de vida são gritantemente assimétricas face às nossas? Com isso poderia visitar outros países, conhecer outras culturas, aprender com outros povos, ficar uma pessoa mais rica, imaterialmente mais rica…

Os meus sonhos serão, seguramente, semelhantes aos de muitos que me leem, diferentes aqui ou acolá ou, no limite, a mais completa falta de sentido para outros. Cada um tem os seus. Da minha parte sei apenas que aprendi com o meu passado. Dentro de mim ainda está a irrequieta criança que pensava que podia mudar o mundo. E que ainda pensa que, não podendo mudá-lo pode contribuir para o mudar, deixando a sua marca, deixando uma pegada positiva, deixando um legado de esperança, contagiando os outros pelo otimismo e pela alegria de viver.

O que mudou é que estou convencido de ter deixado de ter visões irrealistas, irrealizáveis, utópicas.

Por isso espero mesmo que haja saúde, paz, trabalho, boa disposição e coragem para ousar fazer diferente, fazendo melhor.

Pedro Marques, 47 anos, é gestor, gosta de ler, de exercício físico e de viajar

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