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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Crónicas da Pandemia | O torrejano Fábio Calado vive a crise no coração de França

Nos próximos dias vamos partilhar os olhares de pessoas da nossa região pelo mundo, nestes tempos de pandemia. Hoje a palavra é dada a Fábio Calado, 32 anos, natural do Pedrógão, concelho de Torres Novas, gerente de empresa de Serralharia em Draveil (Île de France, a 20 km de Paris).

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“Na rádio, os especialistas não davam muita importância a este novo vírus (Covid-19). A taxa de mortalidade era baixa e representava perigo apenas para doentes crónicos e idosos. O primeiro falecimento deu-se e mais uma vez não lhe foi dado muito crédito. Afinal o senhor era idoso e já vinha contaminado. Parecia tudo muito distante”.

Fábio Calado – Natural do Pedrógão, concelho de Torres Novas, 32 anos, gerente de empresa de Serralharia em Draveil (Île de France, a 20km de Paris).

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No começo, quando ainda só sabíamos as notícias vindas da China, a importância que dávamos ao novo coronavírus era quase nula. Arrisco a dizer que dávamos mais importância aos relatos dos hospitais construídos em tempo recorde e às rigorosas medidas de confinamento. No meu grupo de amigos o tema era raramente abordado. A situação começou a mudar quando o primeiro caso chegou.

Na rádio, os especialistas não davam muita importância a este novo vírus (Covid-19). A taxa de mortalidade era baixa e representava perigo apenas para doentes crónicos e idosos. O primeiro falecimento deu-se e mais uma vez não lhe foi dado muito crédito. Afinal o senhor era idoso e já vinha contaminado. Parecia tudo muito distante.

Quando os número se foram alterando e Itália começou a sentir dificuldades, os canais de informação, como a BFM TV, começaram a abordar o tema várias vezes ao dia. Mas mesmo assim a situação continuou sempre a ser desvalorizada pela população em geral.

Na minha opinião, depositamos muita confiança no sistema de saúde francês, nunca pensado que a sua saturação poderia trazer graves consequências. Quando as entidades de saúde recomendaram não apertarmos as mãos e lavá-las frequentemente, senti dificuldade em colocar isso em prática. A maioria das pessoas, principalmente as mais velhas, não faziam caso e achavam tudo isto um exagero, levando a que até os mais cautelosos ficassem reticentes se tudo não seria um exagero.

Os espetáculos foram sendo proibidos. Num primeiro momento foram apenas os grandes, com mais de 5000 pessoas, se não estou em erro. As medidas foram-se agravando com o aumento de casos.

Sinceramente para mim o alarme tocou quando as notícias de Itália nos diziam que já se fazia a triagem de pessoas a tratar. Na semana do 14/03 um espetáculo de um humorista português, para o qual tinha reservado bilhetes para ir com família e amigos, deveria ser cancelado, mas a organização estava reticente. Nos vários emails trocados senti que estavam a forçar, mas a nossa vontade de ir já era zero.

A tensão era palpável. Já todos assumiam que havia risco. Até que acabou por ser cancelado e fomos reembolsados.

Na segunda-feira, se não estou em erro, os restaurantes e cafés foram obrigados a encerrar e algumas empresas fizeram o mesmo por livre e espontânea vontade. Uma empresa vizinha da minha, na terça-feira, fez os condutores trazerem todos os camiões para o estaleiro e os funcionários foram para casa num regime de “chômage partielle”.

Acabei por adotar as mesmas medidas na quarta-feira mandei dois funcionários para casa. Um estava de seguro de acidente de trabalho e comuniquei que não viesse. Continuei a trabalhar sozinho. Estando sozinho, não contamino nem sou contaminado.

Saídas de casa só com justificativo patronal e/ou para fazer compras, ou apoio a familiares em perigo. É obrigatório assinar uma atestado com data, máximo uma pessoa por viatura (com excepção se forem menores), motivo da saída num papel disponível para impressão na página oficial de governo.

Hoje fui a primeira vez às compras. As entradas nas grandes superfícies onde fui eram limitadas por número. Havia tudo, mas algumas marcas estavam em rotura, principalmente as com mais saída. A meio da semana passada tudo ficou a zeros nos supermercados, principalmente bens de primeira necessidade.

Hoje estou em casa. Amanhã também estarei, certamente. Limitamos as saídas ao máximo. Contudo há quem transgrida o isolamento e os vídeos na net vão aparecendo aqui e ali.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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