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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Crónicas da Pandemia | Entre o Qatar e Macau, Elisabete Reis conhece as regras das epidemias

Nos próximos dias vamos continuar a partilhar os olhares de pessoas da nossa região pelo mundo, nestes tempos de pandemia. Hoje a palavra é dada a Elisabete Reis, 47 anos, natural de Moçambique, com família em Ourém, e consultora de imagem, etiqueta e protocolo no Qatar.

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“Estamos tranquilos, estamos em casa. Vivemos fora há tantos anos, sem família por perto (13 anos de Qatar), estar em casa juntos é o nosso prato do dia. Sempre gostámos de estar em casa, mas claro, nestas circunstâncias, sem poder sair mesmo, é inédito”.

Aqui no Qatar já vínhamos a observar a situação na China, até porque tendo vivido 11 anos em Macau, o Miguel 22 e os nossos dois meninos, Diogo e Duarte, nascidos lá, Macau é a nossa casa. Além disso o meu irmão está a viver em Hong Kong com a família, de modo que estávamos muito atentos às notícias.

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Entretanto começou a espalhar-se, mas no Qatar não havia casos ainda. Quando surgiram notícias do Irão e dos muitos infectados naquele país, ficámos mais apreensivos.

O Qatar decidiu ir buscar os seus cidadãos que estavam no Irão e ao chegarem foram imediatamente postos de quarentena. O governo começou logo a tomar medidas e a alertar para a situação.

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As escolas fecharam imediatamente. A nossa escola já tinha andado, durante o último mês, a fazer exercidos em caso de fecho e os alunos estavam perfeitamente informados de como iriam funcionar as aulas em casa. Eles ficaram em casa numa segunda-feira e na quarta-feira tiveram imediatamente uma aula online. Tem sido um trabalho espetacular da parte da escola e dos professores e respetivo staff (American School of Doha)

Foi muito rápida a atuação do governo. Não houve pânico nenhum e nunca faltou nada em nenhum supermercado.

Mas o que é certo é que se foram registando mais casos de pessoas a regressar ao Qatar. Entretanto surgiu uma grande onda de infetados num condomínio de trabalhadores. Foram mais de 200 pessoas. O Qatar ficou em estado de alerta.

O governo impôs regras mais firmes: redução de horário de trabalho de staff a trabalhar em casa, fecho de lojas e centros comerciais. Foi tudo feito de uma forma bastante calma e sem criar alarido. A população recebeu informação para só sair de casa para trabalhar se não pudesse trabalhar em casa e para ir ao supermercado e farmácia. Fora isso, ficar em casa.

Restaurantes e cafés a funcionar somente via take away e até nisso o governo criou medidas para as pessoas que andam a transportar os pedidos. Ate à data nunca faltou nada aqui no super ao pé de casa, nem de frescos.

O meu marido trabalha para o governo e, por tal, ficou logo a trabalhar de casa. Eu como trabalho no privado tive ainda uma semana sempre a sair todos os dias, uma vez que tinha alguns projetos que não foram cancelados e que requeriam a minha presença.

Tinha os cuidados possíveis (eu trabalho com pessoas sempre): levava os gel e álcool para passar nas mãos e quando chegava a casa punha a roupa para lavar, tomava banho, enfim. Nas idas ao supermercado opto por usar máscara e óculos de sol porque me ajuda a não ter tendência de tocar no rosto.

Estamos tranquilos, estamos em casa. Vivemos fora há tantos anos, sem família por perto (13 anos de Qatar), estar em casa juntos é o nosso prato do dia. Sempre gostámos de estar em casa, mas claro, nestas circunstâncias, sem poder sair mesmo, é inédito.

Vamos para o jardim apanhar sol todos os dias, fazemos puzzles, vemos séries e filmes, arrumamos armários, conversamos bastante e vamos levando um dia de cada vez. O governo aqui tem-nos mantido constantemente informados dos números, das regras das novas, directrizes das conferências de imprensa, etc etc. Sentimos confiança para já na atuação do governo.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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