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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Crónica/Incêndios | “Por favor, tentem saber alguma coisa da minha aldeia”

O apelo caiu na caixa de mensagens do mediotejo.net deste modo. Seco. “Por favor, tentem saber alguma coisa da minha aldeia”, suplicava quem nos escrevia. Como este, já no dia anterior tinha caído outro, que revelava a precoce idade do seu autor e o seu enorme coração. “Por favor, não deixem o fogo chegar a Alcaravela.” Mais tarde voltava a pedir: “Apaguem o fogo”, como se fossemos bombeiros. São por estas mensagens que nós, jornalistas, humanos como os demais, vamos na direcção da coluna de fumo quando o nosso instinto de sobrevivência nos diz o contrário.

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Engolimos em seco muitas vezes, confesso. Sabemos que um passo dado em falso pode ser fatal. Às vezes, é mesmo uma questão de sorte não nos cair um eucalipto queimado em cima do carro enquanto entramos pelo pinhal interior, que agora é tão escuro que até magoa os olhos. Mas o leitor precisa de nós e do nosso trabalho. É por ele que incomodamos – sentimos isso mesmo, que incomodamos – os autarcas e os homens da Proteção Civil, de meia em meia hora, para nos fazerem um ponto da situação.

Muitas vezes, vamos encontrá-los de mãos na cabeça, olhos marejados, sem dormir há 24 horas. Já me aconteceu ouvir um deles dizer uma camioneta de palavrões feios, dois minutos antes de entrar em direto, após atender um telefonema que dava conta do agravamento da situação. Compreensível.

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As informações não são para os jornalistas, são para as pessoas que andam com o coração nas mãos. Para os que vivem ali, ou estão longe da sua terra, e precisam de saber. Por isso, incomodamos as vezes que forem necessárias.

Nós precisamos de dizer aos nossos leitores se a terra deles está a arder ou não. Se há mortos ou feridos. Se podem ficar sossegados.

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Nós, comunicação social regional, precisamos de dar notícias destas terras, até porque sabemos o seu nome de cor, não nos enganamos ao dizer onde fica, não há cá lugar para falhas geográficas. Já ali estivemos no passado, em trabalhos anteriores, quase sempre por motivos mais felizes do que este.

Nós também somos, como cada um dos nossos leitores, de todas estas aldeias.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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