Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Quinta-feira, Julho 29, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Crónica: “Gripe Sazonal”, por Rui Calado

Na ordem do dia

- Publicidade -

Temos visitas

Ela vem todos os anos. Chegará lá para o final de dezembro ou no início de 2016.

- Publicidade -

GRIPE1Esperamos que se apresente sem nos trazer novidades desagradáveis ou problemas insolúveis. No ano passado não afetou uma grande quantidade de pessoas, mas revelou-se muito perigosa para muitos dos que adoeceram. Sim, em 2015, o número de óbitos que se verificaram em Portugal nas primeiras semanas do ano novo foi muito superior ao esperado, tendo sido atribuído esse aumento aos efeitos diretos e indiretos da gripe. Este ano, teremos que nos preparar, ainda com mais cuidado, para a receber.

Para esse efeito um grupo de profissionais de saúde do Médio Tejo encontrou-se para pensarem, para discutirem formas eficazes de abordagem do problema e escreveram um documento, um Plano de Contingência para a Gripe que submeteram à consideração superior. Com base nas propostas nele incluídas, tanto os profissionais do nosso Agrupamento de Centros de Saúde, como os do Centro Hospitalar do Médio Tejo, assim como os respetivos serviços, têm agora um novo instrumento de trabalho que nos ajudará a combater um problema que não deve, não pode ser negligenciado.

Não há problema?

O rasto que a gripe deixa à sua passagem é bastante variável, mas sempre relevante. As epidemias provocam importantes constrangimentos nos serviços de saúde e manifestações de insatisfação nos seus utentes. No ano passado, a memória coletiva identifica uma redução dos problemas relacionados com a gripe, mas esquece que os óbitos ocorridos em Portugal durante o período epidémico foi substancialmente superior ao número esperado.

E este ano, como será?.  Muito sensatamente, ninguém se atreve a dar opinião. É sempre tudo muito imprevisível.

GRIPE2Entre as diferentes possibilidades de preparação para enfrentarmos a gripe em 2015/16, o nosso instinto de sobrevivência, a nossa inteligência prática, indica-nos que o que é mesmo mais importante é estarmos vacinados. Não podemos esquecer, não devemos ignorar o valor comprovadíssimo da vacinação. É bom relembrar aos mais novos que a descoberta das vacinas é responsável pelo desaparecimento ou drástica redução de doenças terríveis que eles nunca viram, como a difteria, a paralisia infantil, o tétano, a tosse convulsa, as meningites bacterianas, o sarampo. E são vacinas o que os grandes cientistas internacionais procuram para resolver gravíssimos problemas dos nossos dias, como o ébola, o VIH / SIDA, a malária.

E são vacinas o que estamos a usar para combater doenças que ainda nos afetam, com bons resultados na tuberculose, em alguns cancros com a vacina do Papiloma Vírus, nas hepatites com êxito recente no combate da hepatite C.

A gripe é uma doença evitável pela vacinação. Não há nenhuma justificação para nos expormos a riscos desnecessários, nem para sujeitarmos os outros às consequências da nossa gripe. Tratando-se de uma doença transmissível é importante refletirmos sobre a nossa influência no bem-estar dos que nos rodeiam e sobre deveres de cidadania que neste cenário não podemos deixar de corporizar. Finalmente, uma palavra de encorajamento, para que todos sejamos capazes de assumir as consequências desta reflexão.

Ouvir quem sabe…

Ao longo dos últimos anos, a população de risco e os restantes utentes dos Centros de Saúde do Médio Tejo tem vindo a receber a vacina nos nossos serviços. O enfermeiro-chefe Fernando Nogueira tem como atribuição as questões de logística e disponibilização de vacinas nas Unidades Funcionais dos 11 concelhos que formam o ACES. Por isso, fomos perguntar-lhe como está a decorrer o processo de vacinação em curso:

GRIPE3“A campanha de vacinação contra a gripe sazonal está a decorrer de forma bastante normal. Os utentes, os profissionais, já vivenciam esta situação com a experiência e o hábito que as campanhas anteriores transmitiram. Embora os primeiros dias de outubro tragam sempre uma procura acentuada de utentes que se querem vacinar, este ano o processo está a decorrer de forma mais gradual, mas mantendo a adesão que já se vinha a verificar nos anos anteriores. A vacina encontra-se disponível em todas as Unidades de Saúde do ACES Médio Tejo, não se têm verificado roturas de “stock” e a vacina existe para todos os utentes que têm direito à mesma de forma gratuita. Recordo que para além destes utentes, também existem grupos alvo prioritários para os quais a vacinação contra a gripe é fortemente recomendada”.

Em cada uma dessas Unidades Funcionais são os enfermeiros que aplicam as vacinas. Como será que se sentem os protagonistas deste fantástico trabalho? Para o saber, resolvemos recolher a opinião da enfermeira Maria José Mota:

“Satisfação é a palavra que me parece traduzir melhor o sentimento dos enfermeiros. Embora o volume de trabalho, motivado pela procura de vacinação nesta época do ano seja elevado e provoque algum cansaço, os enfermeiros sentem-se especialmente agradados por verem os bons resultados do seu trabalho numa área para a qual estão especialmente vocacionados, a promoção da saúde e a prevenção da doença. Saberem objectivamente, que ano após ano os resultados são melhores, porque mais pessoas aderem à vacinação para a gripe sazonal, dá sentido prático ao seu papel de poderem contribuir para a saúde da população”.

Obrigado a ambos. Agora, resta-nos solicitar a colaboração da população e desejar que a gripe venha e vá sem nos afetar. Pela sua saúde, vacine-se!

Rui Calado é médico epidemiologista e especialista em Saúde Pública. Foi coordenador da USP (Unidade de Saúde Pública) do ACES Zêzere e do Médio Tejo.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome