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Crónica fotográfica, por Paulo Jorge de Sousa

Estávamos em vésperas do Novo Ano. Preparei os plásticos e os vidros e fui ao ecoponto mais próximo. Lá chegado, entrei numa espiral de interrogações sobre um objeto que estava entre os contentores. Será que, com o covid-19 e a necessidade de arejar os espaços, alguém se lembrou de ir ali instalar uma pequena casa de banho, vulgo wc ou, em linguagem moderna, um eco-sanitário?

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Não, talvez não, pensei eu. Se assim fosse teriam deixado um rolito de papel higiénico e como também não tinha qualquer letreiro a dizer “traga o seu próprio papel” acabei por descartar essa possibilidade.

Então o que poderá significar aquele objeto ali? Ah, já sei, foi alguém que recebeu como prenda de natal um livro sobre Arte e estava lá uma referência a Duchamp. Alguém que ficou influenciado com a ideia de poder retirar os objetos do seu uso comum e dar-lhe outro sentido quando fora do seu contexto, nomeadamente em espaço público.

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E fiquei com esta última possibilidade como sendo a certa. Aquele objeto, ali, só poderia ter sido colocado por um verdadeiro “artista”.

PS – Ontem, dia 9 de janeiro, o objeto ainda se encontrava em exposição, embora já vandalizado por alguém que lhe levou a tampa, em jeito de recordação, claro. Já não há respeito pela arte em espaço público…

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Fotografia: Sardoal, 29 de dezembro de 2020, Sardoal.

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Paulo Jorge de Sousa
Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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