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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Crónica fotográfica, por Paulo Jorge de Sousa

Início de uma noite normal numa normal estação de transportes públicos da região. O comboio chegaria pelas dezoito e picos e traria talvez meia dúzia de pessoas para aquela estação. Entrei e olhei para o painel informativo. Não trazia atrasos de registo.

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Naquele deserto aparente, um casal de idade jovem brincava com a sua criança, confortavelmente sentada no seu carrinho. A noite ia chegando e trazia o escuro cerrado de um lado da linha, e o escuro urbano do outro lado, onde três ou quatro luzes se iam revelando timidamente na paisagem.

Negro de um lado, escuro do outro.

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Ali, apenas o brilho de umas poucas lâmpadas que iam cumprindo a sua função, sinalizando que ali era um local que o comboio iria parar.

Contei todos os candeeiros de iluminação pública naquela estação. Eram muitos. Bastantes para iluminar a minha memória de ali passar em tempos e sentir vida, ver a bilheteira aberta, o chefe da estação, o guarda com a bandeirinha na mão e o apito na ponta dos lábios, os taxistas cá fora à espera a olharem de lado a quem lá ia buscar um familiar. Ah, e os sanitários públicos abertos.

Nessa altura havia luz, havia magia, havia gente. Os candeeiros, esses ainda lá estão. Apagados.

(Estação de Alferrarede, novembro de 2018)

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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