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Domingo, Outubro 24, 2021

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Crónica fotográfica, por Paulo Jorge de Sousa

O meu pensamento ao olhar para o Senhor Elísio, na foto, foi uma música de Rui Veloso.

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A Gente não Lê, do álbum “Fora de Moda”, ano de 1982.

Na altura, Portugal tentava levantar-se de um obscurantismo cultural geral. A necessidade de alfabetização era evidente, mas só a partir de 1985, depois da assinatura da entrada de Portugal na CEE, é que começaram a aparecer alguns projetos co-financiados com ações de formação e programas especiais que visavam uma cultura mais assente na promoção da leitura e da nossa cultura.

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No entanto, 36 anos depois desta música continuamos um bocado na mesma, com a diferença de que agora que sabemos ler, temos outras etapas para usar esse saber, ou seja, com a grande proliferação do negócio das notícias falsas e das redes sociais, temos de voltar a aprender a ler as entrelinhas e a pesquisar as fontes, já que por vezes nem a comunicação social instituída o consegue fazer bem.

Bom fim de semana e boas leituras.

(No foto, Elísio Lopes que participava num workshop de Música Tradicional com o grupo Cantares de Outrora, iniciativa integrada no Festival de Musica Tradicional Portuguesa promovido pelo INATEL, no Centro Cultural Gil Vicente.

Sardoal, novembro de 2018)

 

A Gente Não Lê

Carlos Tê / Rui Veloso

 

Aí senhor das furnas

Que escuro vai dentro de nós

Rezar o terço ao fim da tarde

 

Só para espantar a solidão

Rogar a deus que nos guarde

Confiar-lhe o destino na mão

Que adianta saber as marés

 

Os frutos e as sementeiras

Tratar por tu os ofícios

Entender o suão e os animais

Falar o dialecto da terra

Conhecer-lhe o corpo pelos sinais

 

E do resto entender mal

Soletrar assinar em cruz

Não ver os vultos furtivos

Que nos tramam por trás da luz

 

Aí senhor das furnas

Que escuro vai dentro de nós

A gente morre logo ao nascer

Com olhos rasos de lezítia

De boca em boca passar o saber

Com os provérbios que ficam na gíria

De que nos vale esta pureza

 

Sem ler fica-se pederneira

Agita-se a solidão cá no fundo

Fica-se sentado à soleira

A ouvir os ruídos do mundo

E a entendê-los à nossa maneira

 

Carregar a superstição

De ser pequeno ser ninguém

E não quebrar a tradição

Que dos nossos avós já vem

 

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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