“Crónica de Dezembro”, por João Morgado

O rio Tejo, nas Portas de Rodão. Foto: Wikimedia Commons

Este mês de dezembro, meu amigo leitor, vamos em conjunto fazer uma retrospetiva pelas minhas crónicas deste ano que finda e reforçar a minha opinião sobre as temáticas. É um enorme gosto para mim escrever para o mediotejo.net e orgulho-me ainda hoje de ter aceite o convite que me foi feito pelo Mário Rui Fonseca para começar esta aventura. Uma aventura que eu vejo como evolutiva por me ajudar a aperfeiçoar a minha escrita, o que me tem sido útil na faculdade e ao mesmo tempo pela perceção da aceitação da vossa parte daquilo que é a minha opinião.

PUB

No já longe mês de janeiro escrevia aquela que foi, sem dúvida a minha crónica mais partilhada, intitulada Touradas – Cultura ou Tortura. Nessa crónica abordei, como tento sempre fazer, a minha opinião acerca das touradas e do futuro que antevejo para elas, nada mais do que uma longevidade de 10 anos, pois é notório o desinteresse da população portuguesa pelo “espetáculo”, pois caso contrário não haveria a necessidade de ser baixo o IVA, de modo a que quem sobrevive desta “arte” possa obter um maior lucro, não mexendo nos preços das entradas.

Em fevereiro o tema foi o rio Tejo e a poluição que o enegrecia. Com o auxílio de Pessoa, perdão de Alberto Caeiro e do seu poema “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia”. Hoje, em Abrantes o Tejo corre cheio e parece limpo, a luta do ativista Arlindo Consolado Marques parece ter os seus efeitos. Bem-haja por lutar pelo rio que é de todos.

PUB

Março foi um mês difícil para quem vive na Venezuela, e mereceu a minha atenção e a de todos que a leram. Agora em dezembro Nicolas Maduro está em risco de deixar de ser presidente da República, perdeu o parlamento e está a ser investigado pelos crimes que tem cometido desde o inicio do seu mandato que são crimes contra o povo venezuelano e contra toda a humanidade.

A minha sexta crónica foi publicada no mês de abril, nesse mês fomos abalados pela notícia de que um autocarro com jovens da cidade que agora me acolhe de setembro a junho se tinha despistado e feito um morto. Na Covilhã já tive a oportunidade de conhecer jovens que estiveram envolvidos neste acidente e que conheciam a vitima. Com a perda relembrei as pessoas muito especiais para mim que já partiram e a forma como a vida nos traz umas surpresas com as quais temos de aprender a lidar e a viver.

PUB

O mês de maio foi um mês escaldante para as Relações Internacionais, relações essas que agora me dediquei a estudar. O anúncio da cimeira entre Trump e Kim Jung Un era um marco na história da diplomacia, aquando da visita do líder norte coreano à Coreia do Sul. Na altura expliquei o porque da guerra e da tensão entre as duas coreias. Nos meses seguintes alguns progressos aconteceram nas negociações, mas atualmente pouco se tem falado das relações entre os dois países e sabe-se que as negociações entre EUA e Coreia do Norte não tem sido muito bem-sucedidas.

No mês da cidade de Abrantes e de Portugal fiz uma crónica um pouco diferente. Optei por tentar um diálogo entre um taberneiro e cidadãos abrantinos sobre o estado da cidade e a forma como se generaliza e culpabiliza a autarquia por acontecimento que nem são da sua competência numa tentativa de sensibilizar o leitor para os reais problemas que a nossa cidade enfrenta e a diversidade de opiniões, sobre tudo no problema do antigo mercado municipal e da decadência da nossa imagem de marca, a cidade florida.

Julho, o mês do meu aniversário foi o mês que escolhi para falar da morte medicamente assistida, um tema fraturante que a meu ver deveria ser referendado. Não podemos continuar a permitir que a vontade de uns limite a liberdade de outros. No meu entender tanto a eutanásia e o aborto devem ser legais, pelo simples facto de que somos diferentes nos valores e não devemos deixar que os valores de uns interfiram nas vontades de outros, isso para mim é um golpe à liberdade. Não é por serem legais que quem com elas não concorde vá recorrer a elas mas simplesmente dá ao outro a possibilidade de se socorrer em alguma eventualidade.

A minha preocupação com o estado do ambiente e a forma como estamos a gerir os poucos recursos que temos foi o tema da crónica transformada em conto “o breve conto da terra”. Uma tentativa de transpor para literatura a forma como surge a terra e a lua e o passar do tempo, desde os dinossauros até à atualidade, misturando um pouco de futurologia sobre aquilo que nos aguarda.

Em setembro fiz uma pausa pois a adaptação à universidade e as praxes dificultaram e limitaram a minha vontade de escrever, mas em outubro voltei, de novo preocupado com a ecologia seguindo o desafio lançado num acampamento de escuteiros que era simples, difundir ao máximo a política dos 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar e mostrar à sociedade civil a forma como os escuteiros abordam este assunto e estão preocupados com o meio ambiente, pois o escuta é amigo das plantas e dos animais.

“As minidemocracias” é o título da minha última crónica (antes desta), nela faço uma comparação entre o sistema político nacional com um sistema político em pequena escala, no caso em analise as associações de estudantes, e as principais semelhanças encontradas. Podemos, de certo modo explicar as taxas de abstenção elevadas graças ao descredito dado, desde cedo pelas pessoas nos seus meios de contacto mais direto com o poder político. O descontentamento e a manipulação que pouco enaltecem a política e a corrompem por dentro levando as pessoas a afastar-se dela.

Dezembro fica assim marcado pelas negociações do Brexit. Teresa May, a líder do governo britânico foi no dia 12 de dezembro alvo de uma moção de confiança por parte dos membros do seu próprio partido. Esta moção vem demonstrar o crescer da desunião, do desentendimento e as diferenças que se instalam dentro do Partido Conservador em relação ao Brexit. Independentemente do resultado é uma quebra na confiança depositada em Teresa May o que pode ser um sinal de que se calhar os britânicos queiram reverter o processo do Brexit e não deixar a União Europeia.

Enfim, resta-me desejar um bom Ano Novo e que haja sempre assuntos novos e do seu interesse para eu dar a minha opinião sobre eles.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here