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Domingo, Julho 25, 2021

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CRIA/CLDS 3G | Quando não ter emprego é sinónimo de exclusão social

Está a decorrer a segunda edição da Feira de Emprego e Empreendedorismo de Abrantes, no edifício-sede do Tagusvalley, em Alferrarede, concelho de Abrantes. O mediotejo.net foi visitar o espaço e perceber qual a verdadeira missão da iniciativa e da organização da mesma, mais propriamente a equipa de CLDS 3G de Abrantes e o CRIA. Segundo Nelson de Carvalho, presidente da direção do CRIA, “o drama de hoje é que o emprego escasseia, e isso significa automaticamente mais exclusão e mais desigualdade, porque não há para milhares de pessoas outra modalidade de acesso ao rendimento que não seja o seu próprio trabalho”.

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A equipa de CLDS 3G do concelho de Abrantes, coordenada por Paula Henriques, estará ativa durante 3 anos, com cerca de 20 atividades no plano de ação, nas quais se engloba a realização da Feira de Emprego e Empreendedorismo de Abrantes, algo que “era uma lacuna que tinha de ser colmatada no concelho” e que contará com 3 edições, referiu a coordenadora em declarações ao mediotejo.net.

“Há uma grande necessidade e isso enquadra-se no nosso projeto, do Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego (POISE), e um dos nossos eixos destina-se essencialmente a pessoas desempregadas, em termos de Intervir, Capacitar e Qualificar [lema do projeto de terceira geração]”, disse Paula Henriques.

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Também representado na Feira de Emprego está o Gabinete de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo, lançado o ano passado durante a primeira edição do evento, que tem sido muito utilizado pelas pessoas em termos de “procura do emprego, medidas ativas de empregabilidade”, notando-se afluência de população jovem que não pretende continuar os estudos. Havendo um registo em base de dados que facilita o trabalho da equipa, para dar uma resposta a essas pessoas, além do acompanhamento que é feito nas Juntas de Freguesia, a equipa de CLDS 3G de Abrantes faz ainda um trabalho de articulação com o Centro de Emprego, divulgando as ofertas junto da comunidade.

collage__01“No Gabinete de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo já temos 200 pessoas inscritas, e no decorrer da feira já recolhemos mais. Infelizmente, o desemprego é uma realidade, e estamos crentes que vamos ultrapassar os números que estão previstos em sede de candidatura. (…) Já temos muitas entidades parceiras, nomeadamente empresas de recrutamento e seleção que também estão aqui representadas”, explicou a economista da equipa, Sónia Paulino.

“Vamos tentando encaminhar as pessoas e sensibilizar, acima de tudo, os empresários para fazerem estágios profissionais para os jovens ou estágios Reativar para pessoas com mais de 31 anos mas que já são desempregados de longa duração. Temos feito um bom trabalho e vamos dar continuidade certamente, pois é um dos eixos que consideramos de bastante relevo e o desemprego é sem dúvida uma forma de exclusão social,e ao agirmos sentimos que é uma forma de desenvolvermos a comunidade”, concluiu Sónia Paulino.

Neson de Carvalho (à direita), presidente da direção do CRIA - Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, durante a sessão de abertura da II Feira de Emprego e Empreendedorismo, aqui com a autarca M. Céu Albuquerque. Foto: CM Abrantes
Nelson de Carvalho (à direita), presidente da direção do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, durante a sessão de abertura da II Feira de Emprego e Empreendedorismo, aqui com a autarca M. Céu Albuquerque. Foto: CM Abrantes

Desmistificar é a palavra de ordem quanto ao emprego e à inclusão social

O CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes é uma instituição cuja missão e cujos valores e atividade têm a ver de modo inteiro com a promoção de uma sociedade inclusiva e com o ajudar as pessoas, as famílias, cada um, quando tem dificuldades e quando tem problemas, a encontrar caminhos para uma melhorar inclusão na sociedade. Quem o diz é Nelson de Carvalho, presidente da direção da instituição.

Em conversa com o mediotejo.net, o responsável referiu que o trabalho feito “seja lidando com pessoas portadoras de deficiência, seja noutros casos como pessoas de Rendimento Social de Inserção, gerimos o RLIS, fazemos um pouco de tudo no que toca ao acompanhamento e atendimento social nos concelhos de Sardoal e Mação”, pretende, nomeadamente através do programa de CLDS “criar oportunidades de inclusão”.

Para Nelson de Carvalho, o emprego é hoje “uma questão central de inclusão”, pela “crise global e com a escassez de emprego”, fazendo notar que “ninguém desempregado tem possibilidades de estar incluído. Por uma razão muito simples, é que hoje, para a esmagadora maioria das pessoas, o acesso a qualquer rendimento é o emprego. A não ser para as pessoas que sejam ricas e que possuam muitos bens, mas não é essa a esmagadora maioria das pessoas. Se uma pessoa de repente se vê sem emprego, fica excluída automaticamente, não tem rendimento”, salientou.

O projeto CLDS “deu atenção a isso, para lá destas feiras de emprego” (haverão 3 edições, a de 2016 é a segunda), destacando Nelson de Carvalho a criação do Gabinete de Apoio ao Emprego e ao Empreendedorismo, “no sentido de criar oportunidades, funcionar como intermediário entre as pessoas e as empresas, facilitar a própria procura que as pessoas fazem do emprego, mas também ao contrário, empresas que precisam de encontrar trabalhadores e que têm aqui um instrumento de ajudar nessa matéria”.

collageDesmistificar as dificuldades de trabalho por pessoas portadoras de deficiência, tema de um dos workshops promovidos na 2ª edição da Feira, é um tema de especial importância para o presidente da direção do CRIA. “Há muita gente com problemas físicos e/ou mentais que fazem determinadas tarefas muito bem, e há mecanismos e apoios para tal, é preciso desmistificar isso”.

Lamentando, o responsável referiu ainda que se tem acentuado a discriminação de género, havendo “muito trabalho a fazer, na promoção da inclusão relativamente ao género feminino, que continua a ter mais dificuldade e a ser o género mais excluído. Tirando o facto de também em muitos locais receber menos. É um trabalho que também já se assumiu na edição anterior, e este ano também integra o programa, dirigir às mulheres no sentido de as dotar de algumas ferramentas que eventualmente não tenham no domínio da informação, de saber o que se passa, que apoios e programas existem, que instituições é que há que podem ajudar num caminho para a sua própria inclusão na sociedade, à volta do trabalho e do emprego”, enumerou.

“Não sei se isto vai melhorar do ponto de vista global, tenho algumas dúvidas pela própria evolução da sociedade e porque a evolução tecnológica vai substituindo em muitos casos o trabalho humano pelo trabalho automático. E isso não creio que vá retardar, é um fenómeno que vai acelerar, e à medida do progresso tecnológico, à medida da automação, os empregos vão sendo reduzidos”.

Quanto à solução, passa por refletir sobre o assunto e pensar o futuro. “Temos de começar a pensar em inventar uma outra sociedade em que o rendimento das pessoas não esteja exclusivamente vinculado ao emprego. Porque quem vai trabalhar no futuro vão ser as máquinas, e, já hoje nós conhecemos um conjunto enorme de atividades e empresas quase inteiramente automatizadas (…) É bom que as pessoas, as instituições intervenham nas questões do emprego, e que haja projetos que no quotidiano possam fazer sentir este esforço de pensar o emprego e de criar mecanismos concretos de apoiar as pessoas na procura de emprego ou na procura de uma atividade que lhes dê o rendimento”, finalizou.

A II edição da Feira de Emprego e Empreendedorismo termina esta tarde, pelas 19h00, no edifício do Tagusvalley, havendo a possibilidade de encontrar ofertas de emprego, ofertas formativas e entrar em contacto com empresas de trabalho temporário, bem como associar-se ao Gabinete de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo junto das técnicas da equipa de CLDS 3G de Abrantes.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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