“Crescimento”, por Vasco Damas

Trabalhadores do privado em quarentena pagos "integralmente" - ministro. Foto: DR

Quando era mais novo, do alto da arrogância ignorante da minha imaturidade, acreditava que nunca me enganava e raramente tinha dúvidas. Paradoxalmente, à medida que fui avançando na idade e aumentando realmente o meu conhecimento, passei a ter a humildade de reconhecer os meus erros e comecei a ter muito mais dúvidas.

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Curiosamente, ou talvez não, qual “pescadinha de rabo na boca” foi precisamente quando comecei a ter essas dúvidas que ganhei consciência da limitação do meu conhecimento e a procura de respostas ajudou a diminuir o meu desconhecimento.

Durante este processo de crescimento aprendi essencialmente a ouvir com mais atenção aqueles que não pensam como eu porque cheguei à conclusão que é efetivamente com estes que eu posso aumentar o meu conhecimento porque aqueles que pensam como eu, além do conforto de me fazerem sentir acompanhado, pouco ou nada me conseguem acrescentar nesses assuntos.

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Foi também no decorrer deste processo de crescimento que aprendi que opiniões divergentes nos podem fazer seguir por caminhos diferentes acabando mais tarde por nos reencontrarmos precisamente no mesmo ponto de chegada porque a verdade é sempre única mas apenas quando é observada pela mesma perspetiva e com as mesmas variáveis.

Talvez seja por tudo isto que me sinto incrédulo quando observo em pessoas da minha geração alguns tiques próprios de uma intolerância prepotente que não consegue lidar com o contraditório e que faz questão de não disfarçar o incómodo que a situação lhes provoca. Sinto-me incrédulo porque, ou não tiveram a humildade de aprender com o passar dos anos ou talvez esses tiques tentem esconder ou camuflar a falta de preparação para o exercício das funções.

Se quiserem aceitar um conselho que tem apenas um único objetivo desinteressado e altruísta, nestas ou em qualquer outra situação, gritar não nos aproxima da razão e a estratégia que talvez pretenda assustar ou condicionar, mais cedo ou mais tarde poderá e deverá, com legitimidade, ser usada contra nós.

No decorrer deste processo de crescimento fui percebendo que nem todos os que pensam diferente de nós estão contra nós e nem todos os que pensam diferente de nós são nossos inimigos. Quando percebemos que o “combate” de ideias nos fará chegar mais longe, subimos um degrau no “estádio” da maturidade e ganhamos robustez para enfrentar com outra capacidade os desafios que ainda nos estão reservados no futuro.

Cabe a cada um de nós perceber onde está e para onde quer ir ou, se preferirem, cabe a cada um de nós criar as condições para continuar a subir a escada do nosso crescimento. E se, motivado por alguma vertigem, decidirmos parar de subir, que tenhamos a humildade de sairmos do meio para não atrapalhar o crescimento dos outros.

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