“Covid-arte (regras e exceções)”, por Massimo Esposito

Tudo mudou em poucos meses. Ao entrar numa loja temos de pôr uma máscara (antes era sinónimo de assalto), temos de desinfetar as mãos dezenas de vezes ao dia (antes era raro), temos de fazer filas em todos os lugares (os latinos sempre fugiam das filas, ou furavam-nas), e assim por diante.

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Os artistas fazem parte da sociedade e devem respeitar as mesmas normas, e isto é justo, apesar das regras para as exposições serem muito restritivas e impedirem a fluidez em mostrar o trabalho exposto ao público. Como já relatei num outro artigo, a imposição de só duas pessoas em simultâneo nas galerias não ajuda em nada a quem é responsável (ou proprietário) do espaço nem ao artista que tem pouco publico na inauguração.

Do outro lado, vi leituras de poemas em Torres Novas com muita gente junta, sem máscaras e distanciamento social com representantes da Câmara, de galerias privadas e de associações, com beberete e fotos de grupo, ao monte. Não entendo estas duas bitolas, mas enfim…

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Mas hoje queria escrever sobre o que mudou, e está a mudar, no nosso meio e também no resto do mundo. Primariamente os temas. Agora são mais profundos, mais sombrios, mais impactantes (com menos florzinhas e paisagens copiadas). Depois, está a mudar a maneira de divulgar o próprio trabalho. A internet é o veículo preferido e mais instantâneo, as aplicações multiplicam-se e redes sociais também, tanto é que é difícil agora escolher qual usar e como.

Mas estou certo que devemos procurar outros meios para aproximar os cidadãos ao que agora os artistas estão a fazer, outras maneiras de socializar e fruir a arte. Uma conhecida minha, bailarina, fez um pequeno show ao ar livre vestida com uma bata de cirurgião, máscara, óculos e bem distanciada dos espetadores. Vi uma exposição de quadros na rua, com expositores fixos tipo outdoor comercial. O Festival dos Canais em Aveiro (este ano mais reduzido) realizou-se na mesma, mas em moldes “Covid”.

Se houver vontade e possibilidade de colaborar e trocar impressões, estou certo que nó,s artistas, poderemos continuar a expressar-nos e o publico a deleitar-se em ver, ouvir e sobretudo participar no desenvolvimento artístico que tanto ajuda nestes momentos estranhos e complicados.

Como já disse outras vezes, precisamos dum espaço livre onde os artistas de várias áreas se possam encontrar e desenvolver em comum as próprias ideias e projetos. Utopia? Não acho, mas que seria bom, seria.

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