Covid-19 | Terceiro período atípico com ensino à distância num “complicado” caminho diário

O terceiro período letivo arrancou esta terça-feira, mas a maioria dos alunos já não regressa à escola e continua a estudar à distância, através dos planos determinados por cada agrupamento escolar. Diretores e professores esforçam-se para chegar aos alunos fazendo uso de plataformas online, conscientes das limitações existentes, enquanto pais apreensivos e em teletrabalho percorrem um caminho “complicado” numa situação nova para todos. O mediotejo.net foi tentar perceber como será a reta final da escola em tempo de pandemia.

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São mais de um milhão os alunos que retomaram as atividades letivas, esta terça-feira 14 de abril, após as férias da Páscoa. Contudo, as escolas permanecem encerradas e o terceiro período iniciou com ensino à distância, devido à pandemia da covid-19. É possível que os alunos de 11º e 12º regressem às aulas presenciais em maio, mas essa decisão ainda não foi tomada pelo Governo.

Recorda-se que as escolas encontram-se encerradas desde 16 de março, quando o Governo decidiu suspender todas as atividades letivas presenciais, e os alunos trocaram a sala de aula por um espaço na sua casa e passaram a ter aulas ‘online’ e a receber os trabalhos por ‘e-mail’ ou pelo correio.

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Neste terceiro período, os alunos contam também com as emissões televisivas na RTP que arrancam dia 20 de abril, e servem de apoio à matéria lecionada à distância. Mas como será esta nova realidade marcada por uma transição repentina para o mundo virtual?

Agrupamento de Escolas de Sardoal

No primeiro dia, em Sardoal, a escola decorreu “de modo tranquilo”, assegura a diretora do Agrupamento, Ana Paula Sardinha. Aquando do encerramento das aulas presenciais, ainda no decorrer do segundo período, “fizemos um levantamento dos alunos que não tinham equipamentos tecnológicos, sem computador ou Internet. Distribuímos equipamentos aos alunos, verificamos que alguns não tinham Internet e neste momento, em conjunto com a autarquia, estamos a contratualizar alguns pacotes para que estes alunos possam aceder às plataformas”, dá conta.

Um plano de ensino pensado para a distância, criou-se uma plataforma “onde temos todas as disciplinas, os professores podem trabalhar de forma síncrona ou assíncrona, a metodologia é o professor que escolhe. Estamos a informar os encarregados de educação e as informações têm sido colocadas” no site do Agrupamento, explica Ana Paula Sardinha. Onde consta também o “plano semanal do trabalho a desenvolver com os alunos, e um horário específico enviado aos pais e publicado na página do Agrupamento, assim como as respetiva planificação com os prazos que têm de cumprir”.

Como as “videoconferências” estão previstas – ou seja uma ferramenta síncrona em que é necessária a participação do aluno e do professor no mesmo instante e no mesmo ambiente, no caso, virtual – os alunos poderão dialogar com os professores e esclarecer dúvidas sobre as matérias em estudo, em horas estabelecidas com esse prepósito, espelhadas nos horários semanais.

Ao longo das primeiras semanas de ensino à distância várias associações representantes dos diferentes membros da comunidade escolar denunciaram que nem todos os alunos tinham computadores e Internet em casa e, por isso, viam-se excluídos das aulas.

Entretanto, as escolas esforçaram-se por mitigar estas dificuldades, com algumas a possibilitarem o levantamento dos trabalhos em papel, e algumas entidades públicas e privadas também se juntaram, assegurando a entrega dos materiais em casa ou a distribuição de computadores e ‘tablets’ pelas famílias carenciadas.

Dentro da planificação a ideia é que “os alunos não fiquem muito assoberbados, com muitos trabalhos”. Essa situação de “demasiadas tarefas” decorreu no final do segundo período “com alunos a não conseguirem dar resposta”, admite a professora, reconhecendo uma “pressa de corresponder ao ensino à distância para o qual não estávamos preparados”, diz.

Ana Paula Sardinha, diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal

Apesar das circunstâncias difíceis, um “caminho que se faz calmamente, ajustado diariamente de acordo com algumas dificuldades sentidas pelos professores e que os encarregados de educação nos vão transmitindo, para que corra bem, de forma a que os alunos não percam a ligação com a escola e percebam que têm de continuar a trabalhar”, refere a diretora.

A tarefa de motivar os alunos, particularmente os mais pequenos, do ensino básico, “tem de ser complementada pelos encarregados de educação e com os pais porque têm essa função. Até porque alguns na educação pré-escolar ainda não são autónomos”, nomeadamente para a utilização de plataformas digitais, diz.

Reconhece uma maior dificuldade nessa faixa etária da educação pré-escolar e do ensino básico contando com os encarregados de educação. Ana Paula Sardinha sabe que alguns pais “se encontram em situação difícil, em teletrabalho, tendo os filhos a seu cargo e todas as outras tarefas e o confinamento ao espaço de casa”. Mas acredita na união para levar a “bom porto” o ensino à distância.

A diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal explica que o objetivo pretendido não passa pela substituição da Escola pelos pais. “As tarefas que enviamos para os alunos são tarefas que podem resolver de forma autónoma. Aos encarregados de educação ou aos pais cabe a tarefa de “monitorizar se os alunos cumprem” as atividades escolares e os prazos de entrega aos professores.

O problema da falta de equipamentos tecnológicos também não passou despercebido ao Governo, que criou uma solução para este terceiro período assente na televisão, através da transmissão de conteúdos pedagógicos na RTP Memória direcionados aos alunos do 1.º ao 9.º ano de escolaridade.

Ana Paula Sardinha explica que a telescola “não é obrigatória, mas mais um dos recursos disponíveis para professores e alunos. Que os professores podem incluir ou não na sua planificação e nas tarefas que dão aos alunos”.

A grelha do espaço #EstudoEmCasa, que vai ocupar parte da programação da RTP Memória durante o terceiro período, das 09h00 às 17h50, com aulas de 30 minutos para as várias disciplinas, já é conhecida, mas os professores querem ter também acesso aos temas que vão ser tratados em cada emissão para poderem preparar o trabalho com os alunos.

O Ministério da Educação já garantiu que as Escolas irão receber “antecipadamente os conteúdos das aulas lecionadas”. Perante esses conteúdos os professores poderão verificar se tais conteúdos se adaptam ao que estão a lecionar. Se sim “podem sugerir a visualização de um determinado conteúdo” ou não, tendo em conta a “flexibilidade do currículo” que não coloca todos os agrupamentos em igualdade de circunstâncias.

“Não estamos todos no mesmo ponto do currículo” nota a professora dizendo que a telescola “deve ser sempre utilizada pelos alunos que não têm equipamentos tecnológicos para não ficarem afastados da escola” até setembro.

A fase agora é de implementação mas a avaliação terá de ser pensada, pelo conselho pedagógico. Poderá verificar-se a “necessidade de redefinir os critérios de avaliação porque há instrumentos que eram aplicados de forma presencial que neste momento não podem ser aplicados. Mas o que importa é dar um feedback dos trabalhos dos alunos para que melhorem as suas aprendizagens. Essa é a finalidade da avaliação, ter um efeito formativo”.

Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes

Por seu lado, o diretor do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes, Jorge Costa, explica que, neste terceiro período, a Escola “não espera muito dos pais, porque uns podem acompanhar os alunos e outros não”. Portanto, o plano de ensino à distância contempla “trabalho com os alunos de interação ‘online’”. Para o ensino básico a Escola também conta com a RTP Memória, acresce ainda “trabalho autónomo, tarefas indicadas pelos professores que serão enviadas por e-mail ou através de plataformas de ensino”.

Jorge Costa reconhece que nem todos os alunos têm acesso a Internet ou sequer computador, sendo que esses alunos recebem as tarefas em papel via CTT. “Haverá sempre alguma injustiça relativamente aos alunos com menos possibilidades mas estamos a tentar resolver os problemas de modo a chegarmos a todos”.

O diretor garante que o Agrupamento realizou um levantamento no sentido de apurar quais os alunos sem ferramentas digitais e tem esse conhecimento “turma a turma”, contabilidade essa que foi enviada para a autarquia, diz.

Esta quarta-feira, durante a última reunião de executivo, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos, garantiu que a autarquia tem “todos os equipamentos para dar resposta” aos alunos do concelho. Avançou ter adquirido, através da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, 72 computadores que serão disponibilizados a título de “empréstimo” aos alunos que necessitem deste tipo de equipamento para trabalhar. Quanto às placas de Internet “estamos a analisar os preços”, acrescentou.

No entanto, Jorge Costa reconhece a existência de locais no concelho de Abrantes onde não existe rede de Internet, o que implica “alunos sem condições de acesso”.

Jorge Costa , diretor do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes

Por seu lado, a vereadora Celeste Simão, responsável pelo pelouro da Educação, fez notar que o número de computadores resultou de “uma primeira listagem” decorrente dos dados constantes nas fichas que os encarregados de educação preenchem no início de cada ano letivo. Na verdade, ainda “um número em atualização” pela existência de famílias com pais em teletrabalho e vários filhos e sem computadores para todos. “Estamos a tentar que todos os alunos tenham computador”, vincou.

Mas “o fundamental” para o Agrupamento nº1 neste terceiro período passa por “consolidar aprendizagens e desenvolver competências”. Preferencialmente sem “conteúdos novos, porque alguns alunos não vão ter acesso” aos mesmos, explica o diretor, admitindo que sem aulas presenciais e sem professores “não é a mesma coisa!”.

Tal como a Escola de Sardoal, também em Abrantes os novos horários do alunos contemplam plataformas de sala de aula, com uma ferramenta semelhante à “videoconferência” onde é possível a interação. Os horários semanais compreendem momentos de esclarecimento de dúvidas aos alunos nas respetivas disciplinas através da plataformas digitais como Classroom, WhatsApp ou e-mail e ainda por telefone.

Para Jorge Costa, importa que os pais percebam que os alunos “não estão de férias e devem tentar que cumpram a escola”, enquanto aos alunos é pedido a realização das propostas com responsabilidade, interesse e empenho. O professor acredita que “a maioria dos alunos tem uma atitude responsável”, até pela experiência dos últimos 15 dias do segundo período. “Muito deles cumprem as tarefas. Haverá sempre alunos mais responsáveis que outros mas isso também acontece no regime de ensino presencial.”

Também Jorge Costa afirma que o espaço #EstudoEmCasa, que vai ocupar parte da programação da RTP Memória, “não é a telescola” de antigamente, “com um professor presencial que trabalhava os conteúdos lecionados pela televisão”. Esta nova telescola irá funcionar como “apoio” suplementar, até porque cada Agrupamento define o currículo escolar tendo em conta a flexibilidade.

“Os conteúdos que pudermos trabalhar, trabalhamos. As matérias que os professores considerarem não fazer sentido trabalhar é apenas suplementar, serve para o conhecimento do aluno mas não é trabalhada a seguir”, diz.

Neste momento os professores desconhecem os conteúdos, e como “é muito difícil planificar sem conhecimento”, o plano de trabalho do Agrupamento nº1 para o terceiro período foi elaborado “sem contar” com #EstudoEmCasa, podendo, no entanto, “ser encaixado. É sempre uma mais valia”.

Quanto à avaliação no final do terceiro período, Jorge Costa lembra que o Agrupamento optou por um modelo de avaliação “muito diferente das restantes escolas” e que agora, no contexto de situação crítica que o País atravessa, devido à pandemia de covid-19, segundo alguns professores “faz todo o sentido!”.

Nas escolas deste agrupamento de Abrantes o modelo de avaliação é diferente do tradicional, “a avaliação é contínua, ao longo do ano, feita por descritor. Temos a avaliação total dos alunos de mais de 2/3 do ano. Portanto é muito fácil avaliar os alunos, para nós é pacifico. Neste momento os alunos ainda podem melhorar em algum descritor e isso é que importa”, considera o diretor. Assim, no terceiro período será aplicada a avaliação realizada durante todo o ano.

Jorge Costa, neste cenário de pandemia, reconhece que o atual modelo de ensino à distância é o possível mas não coloca as crianças em pé de igualdade. Considera “difícil” a existência de equidade entre todos os alunos, apesar do trabalho colaborativo na comunidade escolar.

Encara “as grandes dificuldades” como “novos desafios” para os professores, nomeadamente “a utilização de algumas plataformas que nunca usaram”. Mas na qualidade de diretor, sente como maior dificuldade “chegar a todos os alunos sabendo que muitos não têm condições em casa para ter computador ou Internet”. Além disso, “alguns não têm, do ponto de vista familiar, quem os ajude a regular-se e a fazer o melhor possível as atividades propostas”.

Regresso à escola (imagem ilustrativa). Créditos: Pixabay

A opinião dos pais

Em todo o País, são 960 mil as crianças com menos de 12 anos. Anabela Simões é mãe de duas dessas crianças. Uma delas com pouco mais de um ano que ficou sem creche, e outra de dez anos a frequentar o quarto ano do ensino básico. Conta-se entre os pais que ficam em casa a tomar conta dos filhos e recebem 66% do salário como apoio financeiro. Para quem o terceiro período “vai ser muito complicado”.

Em casa faltam-lhe alguns equipamentos, como impressora. Para estes primeiros trabalhos enviados pela escola contou com a colaboração de uma família amiga na impressão e pode também contar com a Junta de Freguesia da sua aldeia que se disponibiliza para imprimir as atividades propostas pelos professores e até levar a casa.

Embora disponha de Internet em casa, dá conta de outras dificuldades nomeadamente a utilização do computador na consulta do e-mail, por exemplo. Acresce aos obstáculos digitais os problemas de “disciplina”, de “instabilidade emocional” e até de “sonos trocados”, que nota na filha de 10 anos, que “é boa aluna” refere, “mas na escola tem regras, presta atenção nas aulas e em casa é mais complicado impor regras”, adivinhando-se a impossibilidade de transformar a quarentena num período normal de aulas.

Apesar dos bons resultados escolares da filha, Anabela teme que “fique para trás” na aprendizagem, particularmente no inglês onde a aluna revela maiores dificuldades. “É difícil entender a responsabilidade e o empenho” pedido diz, principalmente quando se trata de um aluno que “não gosta muito de estudar”.

Clara (nome fictício) também tem dois filhos, de 12 e 6 anos. Num apartamento a cumprir “rigorosamente a quarentena”, em teletrabalho, continua a ser jornalista, uma profissão que “exige muita concentração”, e os miúdos “são ativos e estão aborrecidos, stressados, há muitos atritos”. Tenta encontrar formas de estarem entretidos fora dos equipamentos tecnológicos, como o tablet, ou da televisão, “mas não é fácil”, desabafa. A juntar a isto, “as refeições e as outras tarefas domésticas. É uma experiência desgastante!”.

Este terceiro período em casa revela-se “uma dor de cabeça” e “uma preocupação”. O filho iniciou hoje a “escola virtual mas não sabe trabalhar com o programa”. Numa casa onde só há um computador portátil – o que Clara usa para trabalhar.

“Vamos ter de comprar mais um computador. Será uma despesa extra. Temos um tablet mas não é a mesma coisa, porque não tem teclado e complica o desempenho de determinados trabalhos”, indica.

Com Clara em teletrabalho na sala de estar da habitação, foi obrigada a criar no quarto do filho a sala de aula. “Não queria levar para o quarto a tecnologia nem a televisão, mas precisei de organizar o quarto para a telescola”, conta.

Como resultado, horários desajustados e conjunturas difíceis de gerir, nomeadamente quando precisa sair de casa sem ter com quem deixar os filhos porque o marido trabalha, diariamente, fora de casa. Clara deita-se cada vez mais tarde. “Aproveito o tempo que estão na cama para trabalhar, mas são horas que já não posso contactar pessoas”. Ou seja, “quem decidiu que em teletrabalho podemos tomar conta dos filhos e ainda apoiar na escola, é porque nunca teve essa experiência”, desabafa.

A juntar à problemática familiar ainda perdeu o apoio dos avós, por isso Clara diz não entender como o Governo não avançou com o apoio financeiro aos pais em teletrabalho”, quando o terceiro período será em confinamento, em estudo acompanhado.

“Os miúdos são da era tecnológica e dominam o toque, o dedo, não dominam a parte prática de escrever, formatar, as ferramentas”. Além disso, o filho está no sexto ano de escolaridade “e há matérias que não domino!”, vinca, garantindo que o filho “não vai conseguir organizar-se sozinho”.

Após o encerramento das escolas, nas últimas duas semanas do segundo período, Clara teve de se adaptar a trabalhar em casa, “juntos, com muitos e-mails da escola, com prazos de entrega. Eu própria fiquei desorientada e notei que os professores não estavam orientados”.

Relativamente ao ensino pré-escolar, frequentado pela filha de seis anos, “não há quaisquer orientações, e precisa!. Não é pela TV que vai conseguir recortar, colar, pintar dentro das linhas. Ficará sem preparação”, teme.

No que toca à aquisição de conhecimentos, Clara não se mostra preocupada porque o filho “é bom aluno”, embora reconheça que “matemática, português e inglês são disciplinas base” de acompanhamento obrigatório, sob pena de perder o essencial que permitirá a evolução. Manifesta-se mais preocupada com a concentração. “Se na escola, com um professor, se distrai, imaginem num quarto.”

APFN alerta para impossibilidade da escola em casa para muitas famílias

Entretanto, após o anúncio de que as escolas permanecerão fechadas, com atividades letivas em casa, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), na sequência dos insistentes apelos dos sócios, alerta para dificuldade que muitas famílias poderão atravessar por não possuírem os equipamentos eletrónicos necessários ao regular funcionamento da medida, que permitam a todos os filhos acompanhar as atividades letivas nos novos moldes.

A APFN defende, por isso, que seja “garantida a existência dos equipamentos necessários a um acesso equitativo de todos os alunos aos mesmos conteúdos e recursos pedagógicos em cenário de pandemia”.

Com os pais em regime de teletrabalho e sem possibilidade de acompanhar os filhos, a Associação considera que deve também ser “assegurado que as tarefas solicitadas correspondem ao grau de autonomia dos alunos, bem como flexibilidade em relação ao cumprimento de prazos”.

Relativamente ao teletrabalho e apoio à família diz ser “necessárias medidas urgentes, dado que muitas famílias estão já a sentir uma enorme pressão e sobrecarga”.

A APFN vem também reiterar a urgência de ser dada a possibilidade de: “Os pais (ou um deles, mesmo estando o outro em teletrabalho) optarem pelo apoio excecional à família enquanto durar o estado de emergência ou na pendência das medidas preventivas de isolamento social que levam famílias inteiras a permanecerem em casa; Ser dada a possibilidade do teletrabalho a tempo parcial, combinado com a medida de apoio à família a tempo parcial, numa relação horária que seja acordada entre colaborador e entidade empregadora. Os pais devem poder escolher entre as medidas que mais se adequem à sua situação familiar e laboral: apoio excecional à família ou teletrabalho parcial (com acordo da entidade patronal), com compensação proporcional pela segurança social.
De acordo com a legislação em vigor, basta um dos pais estar em teletrabalho, para que deixe de ser possível o acesso ao apoio que corresponderia a 66% do seu salário, dos quais 33% são um apoio da segurança social (no quadro do apoio excecional à família)”.

As famílias numerosas notam que este apoio “não é acessível em caso de teletrabalho em regime de tempo inteiro, estando a exigir‐se aos pais ou ao pai/mãe que está em casa sozinho que assegurem no mesmo horário e em simultâneo o trabalho profissional, o apoio aos filhos nos vários ciclos de ensino, e por vezes também simultaneamente a bebés, bem como a preparação das refeições e as tarefas da casa”.

Consideram que “a situação agrava‐se em quadros de maior fragilidade, que devem ser por isso ainda mais acautelados, como o caso das famílias em que apenas um dos pais acompanha os filhos em casa, das famílias mais numerosas e daquelas que têm elementos com deficiência ou necessidades especiais”.

Por fim, a APFN apela ao Governo para “uma rápida tomada de decisões relativamente a estes aspetos, para que as famílias portuguesas possam efetivamente dar uma resposta positiva e globalmente satisfatória em tempos de grande exigência como são os que atravessamos”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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