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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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Covid-19 | “Temos de fazer mais do que aquilo que estamos a fazer!”, diz autarca de Sardoal

Após a aplicação do critério que o Governo tem seguido, e ao verificar-se a evolução dos indicadores da evolução pandémica no concelho, Sardoal teve de recuar no plano de desconfinamento, ficando desde sexta-feira com medidas mais restritivas.

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A delegada de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) disse hoje que a situação pandémica em Sardoal, o único concelho do Médio Tejo que teve de recuar no desconfinamento, está a evoluir favoravelmente tendo apelado pelo cumprimento escrupuloso das regras de confinamento, mantendo-se em casa, para travar o contágio.

ÁUDIO: MARIA ANJOS ESPERANÇA, DELEGADA SAÚDE PÚBLICA:  

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O presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges, confirmou na sexta-feira que o concelho “travou” nas medidas de desconfinamento e teve mesmo de fazer marcha-atrás após a avaliação do Governo ao mapa de risco de transmissibilidade da covid-19. Sardoal encontra-se agora num nível de risco elevado, tendo em conta os números de casos positivos de SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias.

“De acordo com os dados do Serviço Nacional de Saúde, da DGS e da ARSLVT, temos um número acumulado de casos de infeção nos últimos 14 dias de 23 casos, o que dá um número de novos casos nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes de 615 casos, sendo certo que a partir dos 240 há a possibilidade de não avançarmos no desconfinamento”, disse Miguel Borges ao nosso jornal. Após a aplicação do critério que o Governo tem seguido, e ao verificar-se a evolução dos indicadores, Sardoal teve mesmo de recuar no plano de desconfinamento.

“Sabemos que todo o País não avançou e Sardoal passou para a fase anterior”, notou, existindo por isso algumas alterações relativamente a horários de funcionamento do comércio, nomeadamente nos horários dos restaurantes, cafés e pastelarias, que podem funcionar até às 22h30, ou a obrigatoriedade do teletrabalho, ou ainda os espetáculos que não podem prolongar horário além das 22h30.

O presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges. Créditos: mediotejo.net

Em Sardoal, o executivo já havia “tomado algumas medidas na semana passada, assim que os casos começaram a aumentar, nomeadamente o encerramento de alguns parques infantis e de alguns serviços municipais, como a biblioteca, o centro cultural, a piscina coberta, porque o que conta é tentar travar o contágio”, explicou Miguel Borges.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Entre as medidas municipais com o objetivo de travar a pandemia o presidente refere, ainda, “uma testagem aos trabalhadores do Município que já estava prevista na semana passada mas que, entretanto coincidiu com a testagem da DGS. Vamos voltar a fazer um protocolo com a ARSLVT durante a próxima semana, ou seja, passados 15 dias sobre esta primeira testagem, vamos voltar a testar os nossos trabalhadores, tentando obter uma ‘radiografia’ daquele exato momento, uma amostragem do nosso concelho”.

Assegura que o gabinete de Ação Social do Município, bem como o CLDS e as Juntas de Freguesia “estão disponíveis para ajudar as pessoas nas suas fragilidades”, bem como os estabelecimentos comerciais “disponíveis para ir levar a casa das pessoas” os bens de primeira necessidade. “A comunidade está a funcionar também naquilo que é um aspeto solidário, fundamental neste momento”.

 

Este sábado o Sardoal mantém-se no vermelho e recuou no plano de desconfinamento por ter apresentado dados superiores a 240 casos por 100 mil habitantes em duas semanas consecutivas. Constância está há uma semana no vermelho e se repetir os dados pode também regredir no desconfinamento.

Sardoal é o concelho com dados mais preocupantes na região do Médio Tejo e que, no âmbito da última reunião do Conselho de Ministros, em 24 de junho, ficou sujeito a medidas mais restritivas.

O presidente admite que tais medidas tenham implicações diretas na economia local. “Haverá sempre. É sempre aborrecido numa altura em que as pessoas estavam a pensar em ter alguma dinâmica local, principalmente os restaurantes, cafés e pastelarias. Encerrarem às 22h30 faz com que o tempo para negócio seja mais reduzido”.

Miguel Borges nota também que a dinâmica cultural do concelho “faz com que as pessoas se desloquem a Sardoal para assistir ao cinema ou a outro espetáculo que poderia existir, mas não existe”, disse, referindo-se particularmente à primeira fase do Programa Caminhos, uma parceria com os municípios de Celorico da Beira e Castanheira de Pera. “Íamos começar as iniciativas no dia 3 de julho e já adiámos.”

O que a Câmara pode fazer, tendo em conta as medidas para inverter a situação, passa por aquilo que foi aprovado na última reunião de executivo municipal: “Isentarmos os consumidores não domésticos do consumo de água, saneamento e resíduos, um valor que deixa de ser um custo para o comércio local, para a economia local”, notou.

Miguel Borges deixa um alerta: “É preciso ter consciência que temos de fazer mais do que aquilo que estamos a fazer! Tivemos até determinada altura imposições daquilo que devíamos fazer e não podíamos fazer. O Governo, e muito bem, fez o aliviar das medidas, mas o facto do Governo, por despacho ou por decreto, ter decidido o aliviar das medidas não quer dizer que nós, cidadão comum, não tenhamos de as manter”.

Reconhece que “as pessoas estão um bocado cansadas”, mas que “ainda não é o tempo para reuniões familiares, visto que os casos estão a crescer”.

Relativamente à vacinação, o presidente dá conta de estar tudo “a correr muito bem” e a “um bom ritmo”. Mas, diz, “é importante que as pessoas percebam que a vacina não é a resolução para todos os males. O facto das pessoas estarem vacinadas não significa que fiquem completamente imunes à covid-19. Pelo contrário, sabemos de casos de pessoas numa segunda infeção, e pessoas com as duas doses da vacina que contraíram o vírus”, vinca, alertando para o perigo de “uma falsa sensação de segurança”.

Por outro lado, nota que os especialista desconhecem “o impacto das novas estirpes e, como tal, temos de ter toda a prudência para bem da nossa saúde”.

Quanto à reação dos sardoalenses, tendo em conta a situação epidemiológica no concelho, o presidente diz que “não só no Sardoal, mas em todo o País, há vontade de vir para a rua, de convívio familiar, de estar com os amigos… e às vezes pisamos o risco ou ultrapassamos aquela linha que não devíamos ultrapassar”. A linha passa pelo distanciamento físico, pelo uso de máscara e “um conjunto de cuidados que devemos continuar a ter”, lembra. “Espero que a população de Sardoal faça agora um esforço ainda maior do que aquele que já tem feito até aqui.”

 

O nível de risco elevado aplica-se aos concelhos que registem, pela segunda avaliação consecutiva, uma taxa de incidência superior a 120 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias (ou superior a 240 se forem concelhos de baixa densidade populacional).

As regras aplicáveis a estes concelhos de risco elevado são o teletrabalho obrigatório quando as atividades o permitam; restaurantes, cafés e pastelarias podem funcionar até às 22h30 (no interior com o máximo de seis pessoas por grupo e em esplanada com 10 pessoas por grupo), espetáculos culturais até às 22h30, casamentos e batizados com 50% da lotação.

Por outro lado, o comércio a retalho alimentar e não alimentar só pode funcionar até às 21h00, há permissão de prática de todas as modalidades desportivas, sem público, permissão de prática de atividade física ao ar livre e em ginásios, eventos em exterior com diminuição de lotação, a definir pela Direção-Geral da Saúde (DGS), e Lojas de Cidadão com atendimento presencial por marcação.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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