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Covid-19 | Sobe para 41 as turmas em confinamento em Tomar com autarca a defender fecho das escolas (C/ÁUDIO)

No dia em que o concelho de Tomar acolheu o arranque do projeto para testes rápidos à covid-19 na comunidade escolar, soma já 41 turmas em confinamento, o que representa 19% do total de 241 turmas. Os números foram confirmados ao mediotejo.net pela autarca Anabela Freitas, no dia em que reafirmou a sua convicção junto do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, no pavilhão da Escola Secundária Santa Maria do Olival.

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Enquanto ao final desta quarta-feira se debate o encerramento das escolas a nível governamental com epidemiologistas – com reunião anunciada com a Ministra da Saúde e a Ministra da Presidência, que depois reunirão com o Primeiro-Ministro António Costa – a presidente da Câmara Municipal de Tomar mantém a sua posição quanto ao tema: quer o encerramento das escolas para que seja levado a cabo um confinamento mais sério e duro.

Atualmente, o número de turmas em confinamento no concelho é muito maior em relação ao balanço da Proteção Civil Municipal, feito no início da semana, estando agora 41 turmas em confinamento.

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ÁUDIO: Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, falou sobre o arranque da ação de testes rápidos à comunidade escolar no ensino secundário, que aconteceu hoje em Tomar, na Escola Santa Maria do Olival. A autarca voltou a defender o encerramento de escolas neste novo confinamento para travar a pandemia no concelho, na região e no país

 

Anabela Freitas diz ao mediotejo.net ter aproveitado a vinda dos governantes a Tomar, no arranque da testagem à comunidade escolar do ensino secundário da Escola Santa Maria do Olival, para reafirmar a urgência de fecho dos estabelecimentos escolares para travar a propagação do novo coronavírus.

Só no Agrupamento Nuno de Santa Maria, da qual a Escola Santa Maria do Olival é sede com estabelecimentos que vão desde o pré-escolar ao ensino secundário, entre uma centena de turmas, 20 encontram-se em ensino à distância com alunos infetados, num máximo de contágio na mesma turma de quatro alunos, mas a maioria com um número inferior de casos.

“Continuo a defender o encerramento das escolas, e tive hoje oportunidade de dizer aos dois Secretários de Estado que se deslocaram a Tomar, pelo menos no concelho de Tomar, mas se calhar a nível nacional também será viável uma vez que os números são assustadores. Não estamos a falar de um encerramento como no ano passado em que se perder um ano letivo na sua totalidade, mas um encerramento forte, e depois começar a abrir consoante a evolução das situações. O que nos chega, reportado pelas Autoridades de saúde, é que cada vez temos mais pessoas internadas em Unidades de Cuidados Intensivos, e as idades das pessoas internadas nas UCI também são mais baixas, o que leva a um maior tempo de ocupação das camas”, refere.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, continua a defender que as escolas deveriam ter sido encerradas neste novo confinamento. Foto: mediotejo.net

A edil tomarense aproveita ainda para alertar para a falsa segurança que a testagem também acaba por criar, referindo que as medidas de segurança emanadas pela DGS devem ser cumpridas à risca. “Este tipo de campanhas é sempre importante, porque importa testar para quebrar possíveis cadeias de transmissão. No entanto, alerto para o facto de o teste dar uma radiografia ao momento, não quer dizer que passada uma hora ou duas não estejamos em contacto com um contacto de risco e possamos ser contagiados. Quando um teste dá negativo, não nos deve fazer baixar a guarda naquilo que é o comprimento das regras impostas pela Direção-Geral de Saúde”, salienta.

“As medidas não podem ser desgarradas, tem que haver interligação entre as várias medidas e hoje defendi e partilhei com os Senhores Secretários de Estado aquela que é a minha preocupação em matéria de escolas. Até porque o concelho de Tomar sempre teve os seus números muito mais associados à transmissão na comunidade, pois os surtos em lares e instituições estão identificados e são um número residual quando ao global. E as escolas não são estanques. Portanto, ou confinamos e encerramos tudo fortemente durante um curto espaço de tempo, ou estes meios confinamentos vão demorar mais tempo a fazer baixar os números que temos não só no concelho, mas também no país”, defende.

A autarca tomarense admite que “este tipo de campanhas é sempre importante, porque importa testar para quebrar possíveis cadeias de transmissão. No entanto, alerto para o facto de o teste dar uma radiografia ao momento, não quer dizer que passada uma hora ou duas não estejamos em contacto com um contacto de risco e possamos ser contagiados. Quando um teste dá negativo, não nos deve fazer baixar a guarda naquilo que é o comprimento das regras impostas pela Direção-Geral de Saúde”, diz. Foto: DR

Numa altura em que o município se debate também com a falta de recursos humanos afetos às escolas, nomeadamente no caso do 1º ciclo, que levou ao encerramento da Escola de Santa Iria e da Escola Raul Lopes, a autarca diz que, à data, “não houve agravamento com mais nenhum caso positivo ou de isolamento” entre os funcionários/assistentes operacionais.

Ainda assim, Anabela Freitas admite que, dos testes agora a serem efetuados na campanha referente ao ensino secundário, que “é natural que apareçam casos positivos, sejam em alunos, seja em professores ou pessoal não-docente”.

Durante os dias 20 e 21 serão testadas cerca de 400 pessoas, incluindo alunos, professores e não-docentes, em Tomar, na Escola Santa Maria do Olival, sede do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria que, aliás, foi encerrada em novembro de 2020 por duas semanas, com todas as turmas a terem aulas à distância na altura devido à evolução da pandemia.

Confrontados hoje com a posição pública de Anabela Freitas, durante a ação de testes rápidos, os governantes salientaram anotar as posições que têm sido dadas a conhecer pelos autarcas locais.

Governo avaliará situação a cada momento e tomará “as medidas necessárias”, disse hoje a secretária de Estado da Educação em Tomar. Foto: Hugo Cristóvão

“Tivemos a decisão na semana passada de manter as escolas abertas, com base nas evidências científicas e em como decorreu o primeiro período, que mostrou que o sistema funcionava”, assegurando “maioritariamente o ensino presencial” e mantendo-se o ensino à distância “apenas como recurso”, afirmou, durante a tarde, a Secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, que acrescentou que durante o primeiro período do ano letivo os testes realizados “revelaram incidências mínimas em ambiente escolar” e que o sistema “tem funcionado”, enviando para casa “quem deve ir para casa” e ficando na escola quem aí deve permanecer.

A governante reafirmou a importância da escola para “uma série de alunos”, para quem este é o local onde “conseguem um enquadramento” que permite uma melhoria nas suas vidas.

Também o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, assegurou durante a visita que o Governo está a “acompanhar de muito perto” a evolução da situação e que tem “a humildade suficiente para tomar as melhores decisões de acordo com aquilo que é a própria evolução epidemiológica”.

Em Tomar, já em novembro de 2020 foi encerrada, após pedido do município à DGS, a Escola Santa Maria do Olival, tendo todas as turmas seguido para aulas à distância. Hoje estão encerradas duas escolas de primeiro ciclo, a Escola de Santa Iria e a Raul Lopes, também devido à falta de recursos humanos por questões de isolamento profilático, isolamento por terem testado positivo à covid-19 ou para apoio à família, nomeadamente. Foto ilustrativa: Nelson Garrido

Sobre o fecho das escolas, Lacerda Sales afirmou que essa decisão deve ser suportada técnica e cientificamente e ter em conta diversos enquadramentos, de forma a que a decisão política “responda às necessidades dos portugueses”.

De referir que, no diálogo que teve hoje com os governantes, Anabela Freitas salientou que, durante o primeiro confinamento, o município fez “um investimento muito forte nas novas tecnologias para que não falte a nenhuma criança ou a nenhum jovem”, e que os serviços autárquicos estão “preparados para levar refeições” a todos os alunos que necessitem, garantindo igualdade de oportunidades para todos.

“Temos a máquina toda montada para que não fique nenhuma criança sem comer pelo facto de uma escola estar encerrada”, disse na ocasião.

Recorde-se que Tomar tem já duas escolas de 1º ciclo encerradas (Santa Iria e Raul Lopes), e está a braços com dois novos surtos (CIRE, em Tomar, e Lar de São José do C.A.S.T., em Alvito) que apontam para mais de uma centena de infetados com covid-19 entre utentes e funcionários.

O Município optou ainda por avançar com testagem dos elementos que integram as mesas e secções de voto nas eleições presidenciais de dia 24, este domingo.

c/ Lusa

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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