Covid-19 | Santuário de Fátima avança com despedimentos após “queda abrupta de receitas” devido à pandemia

Santuário de Fátima. Fotografia de Paulo Jorge de Sousa

O Santuário de Fátima confirmou ao mediotejo.net esta quarta-feira, 2 de setembro, a notícia avançada ontem à noite pela TVI, reconhecendo existir um plano de reestruturação com vista a realizar despedimentos, devido à “queda abrupta” nas receitas causadas pela epidemia de covid-19. A instituição estima vir a dispensar cerca de 50 pessoas (e não uma centena, como inicialmente noticiado por aquela televisão) e afirma que está em causa a sustentabilidade económica do santuário mariano.

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Segundo a diretora do gabinete de comunicação do Santuário de Fátima, Carmo Rodeia, iniciou-se um plano de reestruturação interna que visa a redução de custos fixos, em consequência da pandemia de covid-19. “A pandemia, além dos constrangimentos que trouxe ao quotidiano da nossa vida, provocou uma crise económica em todos os setores de atividade e o turismo não foi exceção – especialmente o turismo religioso – com um impacto muito significativo no fluxo de trabalho do Santuário e na sua gestão económico-financeira”, esclareceu.

A diminuição “expressiva” do número de peregrinos terá sido determinante. “Entre o dia 13 de março e o dia 30 de maio o Santuário não teve peregrinos, e desde que desconfinámos, retomando as celebrações com a presença física de peregrinos, a verdade é que tivemos nos meses de junho, julho e agosto quebras nos grupos organizados, sobretudo estrangeiros, superiores a 95%”, refere.

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nos meses de junho, julho e agosto, houve quebras superiores a 95% nos grupos organizados

O Santuário tentou preservar todos os pontos de trabalho desde o início da pandemia, não chegando a recorrer às ajudas do Estado. Cumpriu ainda, garante a responsável, com os compromissos assumidos com fornecedores e manteve os apoios sociais que atribui a instituições sociais, às famílias e às pessoas que procuram a instituição.

Mas, “dentro dos custos fixos a que o santuário tem de atender, há todo um conjunto de infraestruturas de apoio e acolhimento dos peregrinos que têm custos de exploração, e que não são pequenos”, explica. “A Basílica da Santíssima Trindade, por exemplo, onde atualmente fazemos todas as celebrações diárias da missa por questões de segurança, tem custos muito elevados desde a eletricidade, à limpeza sistemática… há outros espaços e serviços que o Santuário passou a disponibilizar aos peregrinos que também têm custos. Desde o simpósio anual, às conferências, aos encontros da escola do Santuário, que este ano já suspendemos”, enumera.

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O Santuário de Fátima deserto, em maio de 2020. Foto: mediotejo.net

“Numa gestão rigorosa e profissional temos de ter estes custos em consideração quando falamos de contas. Não se trata só de obra, trata-se de todo o custo associado à sua boa manutenção. Portanto, os custos fixos não são só postos de trabalho: são serviços que o Santuário presta hoje e que antes não prestava”, constata.

Carmo Rodeia salienta que, com o adensar de projeções que revelam que o fim da pandemia ainda vai demorar, “de forma responsável e em nome da sustentabilidade do Santuário, para que em nenhum momento possam ficar comprometidas as condições necessárias para o cumprimento da sua missão, que é acolher – e bem! – os peregrinos, o Santuário decidiu implementar este plano de reestruturação de forma célere, para garantir a paz social dentro da instituição”.

O plano “está na sua fase inicial”, diz. Os trabalhadores foram informados “e deu-se-lhes a possibilidade de refletirem sobre a sua situação contratual de forma voluntária”, explica. “Por isso, é prematuro falarmos em números concretos para a redução de postos de trabalho mas, no final do processo, não chegará à meia centena”, conclui.

O Santuário tem atualmente 308 trabalhadores e Carmo Rodeia enalteceu o “trabalho inexcedível” de todos os colaboradores neste período de pandemia, “na colaboração em serviços que nem são da sua área de trabalho para corresponder às necessidades do Santuário”.

O Santuário tem atualmente 308 trabalhadores e Carmo Rodeia enalteceu o “trabalho inexcedível” de todos os colaboradores neste período de pandemia

A notícia da TVI de terça-feira à noite, 1 de setembro, mencionava que os problemas económicos do Santuário de Fátima se têm vindo a acumular desde 2017, ano do centenário das Aparições e de avultados investimentos no recinto. A covid-19 terá sido a machadada final em três anos de saldo negativo.

*Com Lusa

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