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Terça-feira, Setembro 28, 2021

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Covid-19 | Queixas de violência doméstica aumentaram 25% no Médio Tejo durante a pandemia

Os dados são avançados pela APAV - Associação de Apoio à Vítima, que registou os maiores aumentos nos concelhos de Alcanena e Torres Novas.

Os dados anuais da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima referentes a 2020 revelam que na região do Médio Tejo houve um aumento do número de vítimas na ordem dos 24,8%. Se durante o ano de 2019 a APAV apoiou na nossa região 109 vítimas, esse número aumentou para 136 em ano de pandemia.

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Os dados estatísticos disponibilizados reportam-se aos processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone e online, no ano transato, pelos 69 serviços de proximidade da APAV.

Entre os 13 concelhos do Médio Tejo registou-se um aumento de queixas em sete municípios, havendo casos em que o número de processos mais do que duplicou (ver tabela).

No concelho de Torres Novas, num ano o número de vítimas apoiadas duplicou, passando de 12 para 24. Em termos proporcionais, o cenário é pior no vizinho concelho de Alcanena em que, de três pedidos de ajuda, passou para 17 em 2020. O mesmo se passou na Sertã, que subiu de um para seis o número de vítimas apoiadas.

Um aumento menos acentuado foi registado no concelho de Ourém, que passou de 16 para 21 queixas.

Apesar do aumento global na região do Médio Tejo, houve concelhos em que se registou uma redução do número de vítimas apoiadas. São os casos de Abrantes, Tomar, Ferreira do Zêzere, Mação, Vila Nova da Barquinha.

Nota também para o concelho de Vila de Rei, que há dois anos não assinala qualquer pedido de ajuda por parte de vítimas de violência doméstica.

A situação no Médio Tejo espelha a realidade a nível nacional. A APAV registou em todo o país um aumento do número de apoios para um total de 13.093 vítimas em 2020, mais do que no ano anterior, em que se registaram 11.676 apoios. Dos crimes identificados, a esmagadora maioria foi contra as pessoas e, desses, 75% corresponderam a violência doméstica.

No total, a APAV fez 66.408 atendimentos nos vários serviços de proximidade (Gabinetes de Apoio à Vítima, Equipas Móveis de Apoio à Vítima, Polos de Atendimento em Itinerância, Sistema Integrado de Apoio à Distância, Sub-Redes Especializadas, Casas de Abrigo e Linha Internet Segura).

No seu relatório anual, esta organização refere que cerca de 75% do total de vítimas diretas de crime eram do sexo feminino. As faixas etárias mais frequentes situavam-se entre os 25 e os 54 anos de idade, representando um total de 38,3%.

Já do total das mais de 13 mil vítimas diretas, a APAV registou 13.113 autores de crime. Destes, 65% eram do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (21,1%).

O relatório destaca ainda a média de 38 chamadas por dia recebidas pela APAV, entidade que apoiou, em média, cinco crianças por dia e 167 mulheres por semana.

Ao longo do segundo semestre de 2020, alguns dos 13 municípios do Médio Tejo inauguraram os chamados Espaço M, no âmbito do “Projeto Maria”, iniciativa financiada por fundos europeus e que visa criar uma estratégia integrada de intervenção para a área da violência doméstica e de género no território da Comunidade intermunicipal. Sobre os casos tratados por estes novos espaços ainda não há dados estatísticos, até porque alguns ainda estão em fase de instalação.

Os Espaços M têm por objetivo a promoção de uma resposta organizada em rede e que procure realizar a articulação necessária entre os vários parceiros, de forma a ser garantido o atendimento e encaminhamento mais eficaz às vítimas deste fenómeno.

Vítimas apoiadas pela APAV – Médio Tejo

2019 2020
Abrantes 20 15
Alcanena 3 17
Constância 2 3
Entroncamento 15 17
Ferreira do Zêzere 10 7
Mação 3 0
Ourém 16 21
Sardoal 0 2
Sertã 1 6
Tomar 23 21
Torres Novas 12 24
V. N. da Barquinha 4 3
Vila de Rei 0 0
TOTAL 109 136

 

Vítimas apoiadas pela APAV – Outros concelhos

2019 2020
Chamusca 11 7
Golegã 2 2
Santarém 116 129
Ponte de Sor 55 38
Gavião 9 10

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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