Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Covid-19 | Presidente das IPSS de Santarém repudia casos de vacinação indevida por parte de dirigentes (c/ÁUDIO)

A presidente da União Distrital das IPSS do distrito de Santarém (UDIPSS) criticou hoje os casos de vacinação indevida contra a covid-19 por parte de dirigentes destas instituições, tendo repudiado a falta de bom senso e lamentado que os dirigentes em causa não tivessem auscultado quem de direito, caso tivessem dúvidas sobre o processo.

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“Entristece saber que não há bom senso a gerir um plano de vacinação que, se tem várias fases é porque as vacinas não chegam para todos [ao mesmo tempo] e devia imperar aqui o princípio da solidariedade, matriz do terceiro setor, e compete aos dirigentes aplicar esse princípio nas suas instituições”, disse Sónia Lobato, também dirigente do Lar Evangélico Nova Esperança.

“Dirigentes que não sendo ativos, não estando presentes, não se admite que tenham sido vacinados e menos ainda que tenham chamado pessoas que pese embora façam parte dos órgãos sociais não têm presença ativa na instituição”, disse, relativamente a uma postura que disse “repudiar” e ser de “lamentar”.

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ÁUDIO: SÓNIA LOBATO, PRESIDENTE UDIPSS SANTARÉM:

Tendo feito notar não ser menos verdade que “as coisas deveriam ter sido clarificadas e planeadas por parte de quem nos tutela”, para a presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém, que representa 186 IPSS no distrito, tal “não invalida a responsabilidade dos dirigentes”.

“Se dúvidas houvesse, lamento que os dirigentes não tivessem procurado saber. Eu não vi os dirigentes terem essas dúvidas e não hesitaram em chamar quem não deveriam ter chamado. Agiram na convicção, tem de ser escrutinado e deviam-se retratar”, defendeu Sónia Lobato.

Os casos de vacinação indevida em Portugal continuam a aumentar, com casos relatados em dirigentes de lares em Mação, Tomar, Entroncamento e Vila de Rei, por exemplo, e a provocar demissões, incluindo a do coordenador da ‘task force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19.

Presidente das IPSS de Santarém repudia casos de vacinação indevida por parte de dirigentes. Foto: DR

Francisco Ramos — substituído pelo vice-almirante Gouveia e Melo, que já integrava a ‘task force’ — renunciou ao cargo e afirmou numa declaração escrita que a decisão se deveu a irregularidades relativas ao processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCV), do qual é presidente da comissão executiva.

Posteriormente, o diretor clínico e a enfermeira diretora do mesmo hospital anunciaram que tinham colocado os lugares à disposição, justificando a irregularidade com um lapso na seleção dos profissionais a vacinar contra a covid-19, revelou o médico à Lusa.

No domingo, o responsável pela delegação do Norte do INEM, António Barbosa, tinha apresentado a demissão depois de ter assumido que tinha autorizado a vacinação de 11 funcionários de uma pastelaria próxima do instituto, alegando tratar-se de uma opção para evitar o desperdício das doses de vacina.

Outras alegadas irregularidades no INEM tinham sido denunciadas no dia 28 de janeiro pela Associação Nacional de Emergência e Proteção Civil, que divulgou também que o presidente do INEM, Luís Meira, “contrariou as indicações do Ministério da Saúde e vacinou dezenas de profissionais não-essenciais e que não são profissionais de saúde”.

Apesar das demissões e da polémica em torno dos casos de vacinação violando os critérios estabelecidos no plano nacional, continuam a suceder-se diariamente situações divulgadas por órgãos de comunicação social.

Na terça-feira a SIC noticiou que, no concelho de Sátão, no distrito de Viseu, o presidente e o vice-presidente da autarquia receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19.

De acordo com a SIC, o presidente justificou ter recebido a vacina por ser dirigente de uma fundação que gere dois lares e, o vice-presidente por fazer voluntariado, como médico numa outra instituição.

O responsável pela administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste, que gere três hospitais e os 14 centros de saúde do distrito de Bragança, protagoniza, segundo a TSF, outro dos casos recentes, em que dirigentes e funcionários administrativos daquele organismo terão sido vacinados.

A primeira situação irregular a ser divulgada foi a do presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, que justificou ter sido vacinado na qualidade de dirigente de um lar.

Sucederam-se os do presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez e provedor da Santa Casa da Misericórdia, Francisco Araújo e de Elisabete Adrião, vereadora da Câmara do Seixal e responsável pelo Núcleo Local de Inserção de Sesimbra.

Nas últimas semanas vieram ainda a público alegados usos indevidos de vacinas no Centro de Apoio a Idosos de Portimão (cujos órgãos sociais foram incluídos na lista dos prioritários, no Hospital Narciso Ferreira, em Vila Nova de Famalicão (cujo administrador incluiu a filha e a mulher na lista de profissionais prioritários), no lar da Santa Casa da Misericórdia de Bragança (onde terão sido vacinados todos os órgãos sociais) e na Santa Casa da Misericórdia do Montijo, cujo provedor terá incluído a mulher na lista da vacinação.

A secção regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros denunciou também várias pessoas, incluindo um padre, que foram vacinados indevidamente contra a covid-19 numa instituição de Valongo do Vouga, Águeda, no distrito de Aveiro.

Na segunda-feira a Procuradoria-Geral da República confirmou à Lusa que o Ministério Público já instaurou inquéritos relativamente “a alguns dos casos vindos a público, desde logo os respeitantes à Segurança Social de Setúbal, ao INEM de Lisboa e ao INEM do Porto”.

Na sexta-feira, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) tinha anunciado que vai verificar o cumprimento das normas e orientações aplicáveis ao processo de administração da vacina contra a covid-19.

Vacinação de dirigentes nos lares cumpriu orientações – instituições

Misericórdias e IPSS defenderam hoje em audição parlamentar a vacinação contra a covid-19 de dirigentes ativos nos lares, considerando-o “um dever moral” de proteção aos utentes e um ato para o qual tinham orientações.

Perante críticas aos casos de vacinação indevida e abusos vindos a público nas últimas semanas nas prioridades na inoculação contra a covid-19, o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS) assumiu-se perante os deputados pelo responsável da vacinação de “dirigentes ativos”, um conceito que limitou a quem tem de facto funções de contacto direto com utentes, excluindo uma generalização a todos os órgãos sociais dos lares.

“Se há aqui algum criminoso, o criminoso sou eu. Eu é que introduzi a questão dos dirigentes ativos. Coloquei-a em três instâncias: na comissão permanente [de acompanhamento da pandemia], dizendo à senhora ministra [do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social] que deviam ser vacinados, ao ex-coordenador da ‘taskforce’ [Francisco Ramos] e também num encontro com o primeiro-ministro [António Costa]. Nenhum dos três disse ámen, mas também nenhum dos três me contrariou. Até que um dos três achou que era de facto necessário, que se justificava plenamente”, disse Lino Maia.

O presidente da CNIS, assim como o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, estiveram hoje a ser ouvidos via teleconferência pelos deputados da Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social.

Manuel Lemos, a este propósito, leu aos deputados um ‘email’ com orientações claras para as instituições identificarem, no âmbito do processo de vacinação, os dirigentes e profissionais a vacinar.

“É um longo ‘email’, mas penso que resolve muitas das questões”, disse o presidente da UMP sobre as críticas a vacinação indevida de dirigentes, acrescentando que é “certo que houve abusos inaceitáveis e que põem em causa o bom nome de toda a gente”.

Lino Maia, que se declarou “absolutamente contra os abusos”, também disse ser “contra a perda de vacinas”, uma vez que “elas são poucas e é importante que sejam todas aplicadas”, apelando para os deputados terem “uma palavra no sentido de serenar, de acalmar” a discussão em torno deste tema, no que foi secundado por Manuel Lemos.

“Estou a notar em dirigentes um certo desencanto, uma vontade de recuar, e sem estes dirigentes ficaríamos muito mal. É preciso uma palavra de respeito para que não haja uma debandada e fiquemos sem estes dirigentes”, disse o responsável da CNIS.

Sobre o andamento do processo de vacinação nos lares e na rede de cuidados continuados, os dois responsáveis foram unânimes numa avaliação positiva, afirmando que o processo está a correr bem e que a grande maioria já recebeu a segunda dose da vacina.

À exceção dos lares onde se registaram surtos, disse Lino Maia, a expectativa é que a vacinação esteja terminada antes de 06 de março.

Quanto aos lares com surtos ativos que impediram a vacinação, adiantou que há a garantia de que o Ministério da Saúde assumirá a vacinação nessas instituições sem que seja necessário qualquer requerimento para o efeito.

Lino Maia considerou ainda “muito importante” que os utentes dos lares ilegais tenham sido “considerados como pessoas” e “colocados ao lado dos outros” na vacinação, tendo ainda aproveitado para defender a necessidade de criação de um grupo de trabalho para a legalização destas instituições.

Defendeu também a vacinação do pessoal em trabalho de apoio domiciliário.

Manuel Lemos e Lino Maia estiveram também de acordo na avaliação de que as brigadas de intervenção rápida criadas para acudir a surtos em lares são insuficientes, não tendo todos os recursos humanos necessários, algo que o presidente da UMP justificou com a falta de pessoal disponível em algumas regiões do país onde não existem pessoas para as funções necessárias.

Lino Maia disse também que a expectativa é a de que vacinação reduza a incidência e frequência de surtos, tornando o reforço destas brigadas menos necessário.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Lamentável é a desconsideração que demonstra pelos Orgãos Sociais das instituições, “alguém que vai lá de 15 em 15 dias para assinar uns papeis”.
    Como sabe, ou devia saber, os tais que acima refere, são aqueles sobre os quais recaem as maiores responsabilidades de uma IPSS e para o qual não recebem nem um tostão e muitos deles, já de alguma idade.

  2. Cada caso é um caso e todos deverão ser escortinados pelas entidades competentes, mas nem todos os casos devem ser colocados no mesmo “saco”.
    Dado que na peça está referida a SCM Vila de Rei, esclarecemos, para que não subsistam dúvidas, as listas enviadas para a entidades só incluíam os nomes das pessoas que diariamente estão no interior das ERPI`s (utentes e colaboradores), nestas listas nunca estiveram incluídos nomes de pessoas externas às ERPI`s, nomeadamente, da Direcção e/ou dos Orgãos Sociais. Para as “sobras”, sim, elaborámos de boa fé, uma lista (com o critério da idade) na qual estavam alguns nomes de pessoas dos Orgãos Sociais bem como de outros colaboradores da SCM Vila de Rei que não haviam sido incluídos nas listas iniciais (pois não trabalham diariamente dentro das ERPI`s). Se errámos, eu assumo esse erro e responderei por ele nas instâncias devidas.

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