Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Covid-19 | Presidente da Fundação Garcia (Vila de Rei) assume ter sido vacinada e afirma que nada impede inclusão dos dirigentes

Irene Barata, presidente da direção da Fundação João e Fernanda Garcia, em Vila de Rei, confirmou ao mediotejo.net ter sido incluída na listagem prioritária para vacinação contra a covid-19, juntamente com o tesoureiro Fernando Lourenço Pires, a par de utentes e funcionários daquela IPSS. Acontece que Irene Barata é também provedora da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Vila de Rei e já havia declarado ao nosso jornal, a 2 de fevereiro, não ter sido vacinada e estar em confinamento, a propósito de um pedido de esclarecimento sobre uma denúncia referente ao processo de vacinação na SCM. O mediotejo.net contactou novamente a responsável após ter tido conhecimento de que, afinal, a ex-autarca da Câmara Municipal de Vila de Rei iria tomar a segunda dose da vacina este sábado, dia 13 de fevereiro, o que confirmou.

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Segundo novos dados a que o mediotejo.net teve acesso, a presidente da Fundação Garcia terá sido vacinada com a primeira dose juntamente com utentes e funcionários do Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), em Vila de Rei, no dia 23 de janeiro.

A responsável, de 79 anos de idade, confirmou que receberá este sábado, dia 13 de fevereiro, a segunda dose, juntamente com outro dirigente, Fernando Pires, tesoureiro da Fundação, afirmando que são os dirigentes ativos presentes “todos os dias na instituição”.

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“Só nós é que estamos lá o dia todo. Todos os dias”, salienta.

Irene Barata, que esteve na génese da criação da IPSS sediada em Vila de Rei que visa o bem-estar e desenvolvimento das pessoas portadores de deficiência e que dirige desde 2010, refere que “não há nada que diga [que os dirigentes não podem ser integrados na listagem prioritária]” e acrescenta que “não fui eu que pedi para ser incluída, eu nem queria, porque tenho horror às vacinas, e portanto, não fui eu que pedi para ser vacinada. Fui incluída na listagem e aconselhada a ser vacinada”, afimou.

Sobre o processo de vacinação, a dirigente disse que “está a correr bem”, não conseguindo ter presente o número de utentes e funcionários vacinados e remetendo para demais esclarecimentos junto do Centro de Saúde de Vila de Rei.

Fundação Garcia, em Vila de Rei. Foto: Fundação Garcia

Recorde-se que este é um tema que não tem merecido consenso, apesar das indicações do Ministério da Saúde e DGS, uma vez que as IPSS reclamam a vacinação dos dirigentes e afirmam não ter tido diretrizes para não vacinação dos corpos sociais e dirigentes na primeira fase, incluídos nas listas prioritárias.

Também na SCM Vila de Rei, perante sobras de vacinas, foram incluídos em lista suplementar três membros dos órgãos sociais, tendo a instituição optado pelo “critério da idade”, ou seja, dando primazia aos restantes colaboradores não considerados prioritários, caso dos de apoio ao domicílio, e àqueles que tinham mais idade.

O diretor-geral Valdemar Joaquim referiu, na altura, que “a lista foi submetida às entidades competentes e tratou-se de um processo transparente”.

Valdemar Joaquim disse ser entendimento que “apesar de os órgãos sociais não serem pessoas que recebem vencimento da Santa Casa ainda mais valor têm porque são pessoas que abdicam do seu tempo e disponibilidade para servirem uma determinada causa. Fazer destrinça entre o colaborador assalariado e quem não é, quando os que não são estão a dedicar o seu tempo e a assumir uma responsabilidade perante todas as entidades, também acho que têm todo o direito de poderem ser contemplados por pertencerem aos órgãos sociais e por terem determinada idade, mais nada”, concluiu.

Confrontado com a atualidade, onde o Ministério da Saúde repudia o desvio de vacinas para pessoas que não integram a lista de critérios de prioridade, nomeadamente membros dos órgãos sociais e não funcionários, Valdemar Joaquim referiu não existirem diretrizes sobre essa impossibilidade.

“Não temos nenhuma indicação de quem devia ser considerado no caso de sobrarem vacinas. Não temos nenhuma indicação, não nos chegou a informação de quem devíamos vacinar nesse caso”, assumiu.

Outras situações ser verificaram a nível nacional, mas também confirmadas na região do Médio Tejo, nomeadamente em Mação, Tomar e Vila de Rei.

O primeiro caso de vacinação a violar os critérios estabelecidos no plano nacional a ser denunciado envolveu José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, que justificou ter sido vacinado na qualidade de dirigente de um lar.

Situação mais polémica verificou-se no Centro Distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social (ISS), cuja diretora, Natividade Coelho, apresentou a demissão, no dia 29 de janeiro, depois de na véspera a SIC ter noticiado que 126 funcionários daquele organismo público tinham sido vacinados indevidamente.

Foto: SCMVR

De acordo com a Procuradoria-Geral da República foram também já instaurados inquéritos relativamente aos casos que envolvem o INEM de Lisboa e o do Porto.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse que o Ministério da Saúde está empenhado em que os casos de incumprimento “sejam tratados adequadamente”, porque o processo de vacinação “não pode sofrer fragilidades”.

No meio da polémica, o coordenador da ‘task force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, demitiu-se do cargo.

Por sua vez, a DGS já publicou atualização da norma, referindo que “não sendo possível evitar o desperdício através dos procedimentos referidos na alínea anterior, a vacinação deve prosseguir através da vacinação de pessoas incluídas noutra fase do plano de vacinação, desde que pertencentes aos grupos prioritários e em respeito pelos subgrupos de prioridades”, acrescenta.

A norma explica ainda que, em relação à vacinação nos lares, os frascos devem ser abertos apenas se houver profissionais suficientes para utilizar todas as doses na mesma instituição, mas admite que as doses não utilizadas (por não adesão à vacinação ou por surto ativo não existente aquando do planeamento) deve a vacinação prosseguir noutro lar ou unidade da rede de cuidados continuados integrados vizinha ou de concelho limítrofe.

Refere igualmente que deve ser dada prioridade ao concelho “com maior risco epidemiológico e/ou a estrutura ou unidade com maior número de pessoas”.

Caso não seja possível esta estratégia, a norma diz que, para evitar desperdício, as doses sobrantes devem ser usadas para vacinar profissionais de saúde ainda não vacinados.

Até segunda-feira, dia 8, tinham sido vacinadas contra a doença 396.371 pessoas em Portugal, das quais 104.613 já com a segunda dose, segundo dados da DGS.

c/ Lusa

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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