Covid 19 | O regresso da Holanda ao Tramagal e o choque na diferença comportamental (C/VIDEO)

Nos próximos dias vamos partilhar os olhares de pessoas da nossa região pelo mundo, nestes tempos de pandemia. Hoje a palavra é dada a Américo Dias e Cilita Dias, 65 e 63 anos, respetivamente, trabalhadores na Holanda há cerca de 50 anos e com casa em Tramagal (Abrantes). Regressaram a Portugal há duas semanas, e dão conta de um choque pela diferença comportamental entre os dois povos e pelas medidas aplicadas em cada país perante a pandemia do Covid-19. “Aqui anda tudo muito stressado e lá andam muito descontraídos. Temos de nos adaptar e respeitar as medidas de cada um dos países”, afirmam.

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Encontramos o casal Américo Dias e Cilita Dias a cuidar do jardim da sua habitação em Tramagal (Abrantes) numa tarde de domingo com sol, coisa rara por terras de Holanda, onde trabalham vai para 50 anos. Regressaram há cerca de 15 dias e contam voltar para a Holanda ainda esta semana, não vá, entretanto, a TAP fintar os seus propósitos. “Viemos para 15 dias, ver a minha mãe que está num lar na Praia do Ribatejo, e aproveitar as coisas boas do nosso país e o sossego da nossa terra, mas isto está aqui muito complicado e as pessoas muito stressadas”, nota Cilina Dias.

“Aqui o governo já parou o país e na Holanda ainda não. Lá as pessoas andam muito mais descontraídas, aqui anda tudo com muito medo e muito stressado”, nota.

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O regresso da Holanda ao Tramagal e o choque na diferença comportamental. Foto: mediotejo.net

Américo Dias veio direto para Lisboa e era logo à chegada que contava ver o seu Benfica a jogar com o Tondela. Primeira constatação da diferença de procedimentos, embora na Holanda já não se jogue também. ”Vinha com a ideia de vir ver o meu Benfica nesta estadia de 15 dias, mas disseram-me logo à chegada que não havia jogo para ninguém e que o jogo com o Tondela tinha sido cancelado” conta-nos, com ar desalentado.

“Quando saí da Holanda estava tudo a funcionar, podia ir a cafés, restaurantes – (lojas de roupa também – observa, entretanto, a esposa), embora houvesse já algumas restrições, tal como aqui estava, com cafés abertos até às 21:00 e restaurantes com capacidade limitada, mas agora acabaram aqui por tomar medidas drásticas e acabaram por fechar tudo”, lamenta.

“As medidas nos dois países são como são e só temos de acatar. Aqui em Portugal só saímos para o estritamente necessário, e na Holanda também respeitamos as medidas em vigor”, afirma Cilita, que aproveita a conversa para ligar à filha, que está na Holanda. Pergunta se a situação se complicou por lá. Parece que sim. E os cafés e os restaurantes continuam abertos, questiona, ainda, num misto de português e holandês. Diz que não. Já fecharam tudo.

“ Bem, esperemos que as medidas dos dois países tenham sido as corretas para bem de todos nós”, atira Cilita, preocupada com o evoluir da situação na Holanda e com o voo de terça-feira para regressar ao local de trabalho. “Parece que não, talvez só lá para junho. Em junho quero eu regressar, esperemos que a TAP mantenha o voo para lá”.

O marido encolhe os ombros. “Ficar em Portugal até junho? Se tiver de ser”, parece pensar. “Pena é os restaurantes”, confessa o apreciador da boa gastronomia ou não fosse um bom português…

“Aqui o governo já parou o país e na Holanda ainda não. Lá as pessoas andam muito mais descontraídas, aqui anda tudo com muito medo e muito stressado”

Confinamento, encerramento de escolas e empresas, restrições em fronteiras são algumas das principais medidas pelos países europeus para combater a propagação do novo coronavírus.

Na Holanda, assim como no Luxemburgo, Ucrânia, Áustria, Bulgária e Eslovénia, os locais abertos ao público já foram encerrados e os estabelecimentos comerciais não essenciais estão encerrados na Itália, França, Grécia, Andorra, Alemanha, Dinamarca, Portugal e Espanha, que também fechou hotéis e estâncias turísticas.

Países Baixos, Luxemburgo, Ucrânia, Áustria, Bulgária e Eslovénia ordenaram o encerramento de locais e empresas abertas ao público e restaurantes, bares, discotecas e cinemas estão fechados em todos os lugares, incluindo bares na Irlanda e bordéis na Holanda.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral de Saúde. Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou na terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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