Covid-19 | Morreu um dos 19 utentes de lar de Santarém evacuado para o hospital de Abrantes (C/AUDIO)

Dezanove utentes de lar ilegal em Santarém estão no hospital de Abrantes. Um dos utentes, de 86 anos, viria a falecer. Foto arquivo: mediotejo.net

Morreu um dos 19 utentes de um lar em Casével, no concelho de Santarém, um homem de 86 anos, que integrava o grupo de cidadãos que estou positivo à covid 19 na terça-feira e que chegou à unidade hospitalar de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) ainda naquela noite, apurou o mediotejo.net junto de fonte hospitalar. Além do ocotagenário, chegaram a Abrantes mais alguns idosos em situação de fragilidade, entre os quais alguns utentes com pneumonia e a necessitarem de efetivos cuidados hospitalares.

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O nosso jornal contactou o CHMT que não confirmou nem desmentiu o óbito, tendo, no entanto, manifestado a sua preocupação com o estado de saúde com alguns dos idosos do lar (ilegal) de Casével que já necessitavam de cuidados hospitalares, sendo o grupo de 19 utentes composto por indivíduos com idades compreendidas entre os 72 e os 92 anos.

“Obviamente que o estado clínico dos doentes não é todo igual, há situações clínicas muito frágeis, estamos a falar de uma população que veio entre os 72 e os 92 anos, há dois utentes deste lar que não são positivos, os testes deram negativos, uma das senhoras repetiu o teste hoje e deu negativo o que é uma boa notícia”, disse na quinta-feira ao mediotejo.net o presidente do Conselho de Administração do CHMT.

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“É uma população entre os 72 e os 92 anos e têm situações clínicas distintas, algumas graves, entretanto, num destes doentes, a situação complicou. Há várias situações de pneumonia e portanto estes doentes precisavam, muito mais de uma unidade que os recebesse de apoio ao plano de contingência da Proteção Civil, precisavam de efetiva prestação de cuidados hospitalares”, disse Carlos Andrade.

Questionado sobre se a situação que se “complicou” havia significado a morte de um dos utentes, Carlos Andrade Costa optou por não o afirmar, referindo, “não querer dizer mais do que isso”, tendo reiterado a idade avançada dos utentes transferidos de Santarém para Abrantes e a necessidade de cuidados hospitalares deste grupo de cidadãos.

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“Na reunião da Proteção Civil, o senhor diretor clínico do hospital de Santarém dizia que estes doentes não precisavam de internamento hospitalar. Obviamente que sim e a situação deles espelha isso mesmo e até porque a própria autoridade de saúde assim o determinou”, afirmou.

Aos oito idosos que foram transferidos ainda na noite de terça-feira, depois de conhecidos os resultados aos testes realizados no dia anterior, juntaram-se mais 11 transportados durante a manhã de quarta-feira, todos eles assintomáticos em relação à covid-19.

Segundo o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, a casa de repouso Idoso Feliz, situada em Casével, no concelho de Santarém, vai ser desinfetada, cabendo a decisão sobre o regresso dos utentes às autoridades de saúde, tendo em conta o seu estado de saúde, e à Segurança Social, uma vez que a instituição não possui alvará, embora apresente “boas condições” de acolhimento.

A realização dos testes na instituição aconteceu depois de um dos idosos ter sido testado, de acordo com o protocolo, quando foi enviado ao Hospital de Santarém, na sexta-feira, devido a uma queda, o mesmo acontecendo com um outro que foi levado no domingo a esta unidade hospitalar. Em ambos os casos o resultado foi positivo.

O autarca afirmou à Lusa que a transferência para o Hospital de Abrantes e não para o de Santarém decorre do facto de ser aquela a unidade referenciada no plano distrital para estas situações, disponibilidade que o presidente do CA do CHMT, Carlos Andrade, reiterou, tendo, no entanto, feito notar a necessidade de “repartir este esforço com o hospital de Santarém”, e feito notar que “as estratégias têm de ser redesenhadas em função do momento”.

Para Ricardo Gonçalves, a situação criada pela pandemia da covid-19 veio “abrir uma caixa de Pandora”, ao revelar a dimensão de um problema que tem estado escondido e para o qual não existe resposta formal, lamentando os atrasos no Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES).

Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, Miguel Tomás, ainda não tinha a “confirmação oficial” do óbito do utente do lar instalado na freguesia a que preside, tendo, no entanto, dado conta da surpresa e preocupação da comunidade, ela de si já muito idosa, por este surto de covid.

O autarca deu conta que os utentes tinham “mobilidade muito reduzida”, e “outras maleitas” com “idade muito avançada”, uma franja da população particularmente afetada pelo novo coronavírus.

O vírus “continua aí”, é “um “inimigo invisível” e todos os cuidados são poucos, alertou, manifestando o desejo que para eles [utentes] e para as suas famílias que “corra tudo bem e consigam superar este momento difícil”.

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