Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Covid-19 | Misericórdias de Vila de Rei e Tomar incluíram membros dos corpos sociais na vacinação (c/ÁUDIO)

A direção da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei incluiu nas listas da vacinação prioritária suplementares membros dos órgãos sociais da instituição, tendo sido vacinados dois elementos da Mesa administrativa e um elemento da Mesa de Assembleia por terem sobrado doses, confirmou ao mediotejo.net o diretor-geral, Valdemar Joaquim, na sequência de denúncias anónimas que circulam sobre a situação. O responsável afirmou ainda que a provedora Irene Barata bem como a vice-provedora Celeste Costa não foram vacinadas ao contrário do que consta na denúncia em causa. Já em Tomar, o caso foi mais flagrante, com o provedor da Santa Casa, António Alexandre, a ser vacinado integrando a lista de utentes e funcionários prioritários logo no arranque de vacinação na instituição. Na altura foi publicada foto desse momento na página institucional da SCM Tomar que, após polémica nas redes sociais, foi retirada a par das restantes que retratavam funcionários.

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O mediotejo.net contactou a Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, Irene Barata, que desmentiu ter sido vacinada referindo estar em confinamento e remetendo para o diretor-geral da instituição mais esclarecimentos.

Valdemar Joaquim, diretor-geral da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, explicou todo o processo, referindo que a certa altura foi pedido que além da lista de vacinação prioritária fosse enviada uma suplementar para o caso de existiram doses sobrantes, o que acabou por acontecer porque alguns funcionários recusaram ser vacinados no próprio dia.

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Na lista suplementar, validada pelas entidades competentes – Segurança Social e Autoridade de Saúde – o diretor-geral referiu terem sido integrados outros funcionários que não eram considerados prioritários e membros dos órgãos sociais da instituição, estabelecendo um “critério de idade”, ou seja, incluindo na lista pessoas com mais de 65 anos ou com problemas de saúde associados.

ÁUDIO | Valdemar Joaquim, diretor-geral da SCM Vila de Rei

“Nessa fase entendemos que devíamos criar um critério, e definimos que iríamos incluir na lista suplementar para as doses sobrantes pessoas de mais idade. Arranjámos uma lista com pessoas, desde a mais idosa e até ao limite de 60 anos. Nesta lista colocámos alguns nomes de órgãos sociais, que não foram todos porque alguns nem tinham interesse em ser vacinados. Colocámos cinco nomes dos órgãos sociais. E depois uma série de colaboradores que não estavam considerados para serem vacinados mas que pela idade achámos por bem colocar”, começou por referir Valdemar Joaquim.

Dos órgãos sociais foram vacinados três membros, dois da Mesa Administrativa e um da Mesa de Assembleia, com 75, 67 e 61 anos respetivamente, sendo que “os mais novos até têm problemas de saúde”, frisou.

Foto: SCMVR

O diretor-geral referiu que, da lista apresentada para aproveitar as sobras, foi inclusive vacinado “todo o pessoal do apoio domiciliário”.

O responsável frisou ainda que “a lista foi submetida às entidades competentes e tratou-se de um processo transparente”.

Por fim, Valdemar Joaquim disse ser entendimento que “apesar de os órgãos sociais não serem pessoas que recebem vencimento da Santa Casa ainda mais valor têm porque são pessoas que abdicam do seu tempo e disponibilidade para servirem uma determinada causa. Fazer destrinça entre o colaborador assalariado e quem não é, quando os que não são estão a dedicar o seu tempo e a assumir uma responsabilidade perante todas as entidades, também acho que têm todo o direito de poderem ser contemplados por pertencerem aos órgãos sociais e por terem determinada idade, mais nada”, concluiu.

Confrontado com a atualidade, onde o Ministério da Saúde repudia o desvio de vacinas para pessoas que não integram a lista de critérios de prioridade, nomeadamente membros dos órgãos sociais e não funcionários, Valdemar Joaquim referiu não existirem diretrizes sobre essa impossibilidade.

“Não temos nenhuma indicação de quem devia ser considerado no caso de sobrarem vacinas. Não temos nenhuma indicação, não nos chegou a informação de quem devíamos vacinar nessa caso”, assumiu, referindo que por isso a SCM Vila de Rei optou pelo “critério da idade”.

Foto: SCMVR

No âmbito o plano de vacinação da SCM Vila de Rei durante a primeira fase foram vacinadas entre 400 a 450 pessoas, entre utentes e funcionários.

Também em Tomar sabe que o Provedor da Santa Casa da Misericórdia, António Alexandre, foi vacinado logo no primeiro momento de vacinação naquela instituição, uma vez que foram publicadas fotografias, uma delas retratando a ocasião em que o provedor é vacinado. O mediotejo.net tentou contactar o provedor, que se encontrava ausente da instituição, mas até ao momento sem sucesso.

Sucede que as fotografias, que foram republicadas por meios de comunicação tomarenses, foram depois eliminadas da página institucional da SCM Tomar no Facebook devido a polémica em comentários, não constando atualmente qualquer fotografia que retrate a vacinação quer a utentes, quer a funcionários.

Segundo dados divulgados pela SCM Tomar, foram vacinados numa primeira parte, com início no Hospital da Misericórdia, 57 utentes e trabalhadores, e numa segunda parte foram vacinados 202 utentes e trabalhadores afetos ao Lar Nossa Senhora da Graça e às Residências Assistidas.

Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tomar, António Alexandre, durante a primeira toma da vacina contra a covid-19. Tal foi publicitado nas redes sociais da instituição a 15 de janeiro, no arranque da vacinação naquela instituição, tendo sido republicadas pelos órgãos de comunicação de Tomar a dar conta do feito. Foto: SCMT

Refira-se que atualmente já foram abertos inquéritos no Ministério Público em relação a casos que envolvem o INEM de Lisboa e do Porto, a Segurança Social de Setúbal e outras instituições na vacinação contra a covid-19 de casos não prioritários.

Também o Ministério da Saúde, através da Ministra Marta Temido e do Secretário de Estado Lacerda Sales, revelou que à Lusa que haverá “tolerância zero” para atos de vacinação indevida, tendo referido ainda que “o grupo de trabalho tem reforçado as suas orientações para que no caso de haver doses sobrantes, existam listas suplementares elaboradas com critérios de priorização do plano de vacinação, para que possam ser usadas as vacinas sobrantes”.

O Secretário de Estado deu ainda conta de estarem a ser promovidas auditorias pela Inspeção de Atividades em Saúde, de âmbito nacional, e que há “procedimentos que terão sanções quer ao nível disciplinar e criminal, se durante a sede de inquérito tal se provar”.

Também a ministra da Saúde, Marta Temido, disse na segunda-feira, dia 1 de fevereiro, que o Governo está empenhado para que casos de vacinação indevida contra a covid-19 não se repitam e disse que o incumprimento do plano de vacinação merece “veemente repúdio”.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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