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Covid-19 | Maria Oliveira, 97 anos, uma força da natureza

Maria Oliveira Matos teve uma infância muito difícil, de trabalho duro na agricultura, onde começou por enxotar pássaros dos milheirais, de sol a sol. Sempre de sorriso largo e com uma grande alegria de viver, Maria foi internada em novembro no hospital de Tomar devido a um tromboembolismo numa perna. Como se não bastasse, foi lá que apanhou uma pneumonia bacteriana e foi infetada pela covid-19. A tudo sobreviveu, qual força da natureza, e quatro meses depois estava em sua casa, em Crucifixo (Tramagal) a soprar as velas do seu 97º aniversário junto de amigos e da família mais próxima. A recuperação é lenta e a retoma da locomoção incerta. A melhor prenda que podia receber, diz, era melhorar, levantar-se e poder andar pelo seu pé.

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Maria Oliveira esteve quase quatro meses internada, primeiro a recuperar de um problema numa perna, que necessitava de cuidados hospitalares, a que se juntou uma pneumonia bacteriana e uma infeção por covid-19. Muitos problemas juntos numa pessoa só. “Foram meses muito difíceis e ainda estou a sofrer as mazelas, a recuperar. A covid foi uma novidade para mim”, conta-nos Maria Oliveira, que está acamada pelas dificuldades acrescidas de locomoção. Os problemas em andar sem ajuda ou apoio já existiam, mas agravaram-se com os meses que passou acamada nos hospitais, primeiro no de Tomar, depois, com a covid-19, no de Abrantes.

“Os músculos atrofiaram com todos estes meses internada e agora só com fisioterapia pode haver alguma esperança em voltar a andar, mas já será muito difícil voltar a fazê-lo sozinha e fazer a vida que gostava de fazer”, conta-nos o neto, Rui Miguel, tendo feito notar a imensa alegria de viver e socializar de Maria Oliveira, que até à chegada da pandemia frequentava a Universidade Sénior em Tramagal.

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Para já recorrem a uma fisioterapeuta particular, alguns dias por semana, assim como ao apoio domiciliário prestado pelos profissionais do Centro Social Paroquial. O prometido apoio e ajuda dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde ainda não chegou a casa de Maria Oliveira mas a família não desiste.

Maria Oliveira conta com o apoio de amigos e familiares para ultrapassar este momento. Foto: mediotejo.net

“Está melhor do que quando chegou a casa, já recuperou alguma mobilidade nos braços mas nas pernas está mais complicado, até pela idade que tem e pelos problemas que já trazia e que se agudizaram. Tem de ser um dia de cada vez e temos de ver o muito que passou nestes últimos meses”, conta o neto, que vive em Lisboa, mas que vem sempre a casa da avó quando consegue. O apoio direto é prestado pelo genro, que vive na mesma casa, e ainda por alguns amigos e vizinhos, como Maria Felício, uma prima que encontrámos junto de Maria Oliveira a dar alguma ajuda e a conversar, dando ânimo a quem nunca gostou de se sentir presa ou impedida de fazer a sua vida pessoal e social.

Maria Oliveira teve alta hospitalar ao fim de quatro meses e soprou as velas do 97º aniversário em casa. Foto: RM

Maria Oliveira nasceu a 27 de fevereiro de 1924 em Crucifixo, onde sempre viveu, e teve alta a 4 de fevereiro, a tempo de soprar as velas do seu 97º aniversário em casa, junto das pessoas mais próximas. “Assim que telefonaram do hospital a dizer que tinha alta e que o teste à covid-19 já tinha dado negativo fui buscá-la ao hospital de Abrantes”, conta Rui Miguel, lembrando o apoio imediato da Associação Vidas Cruzadas na disponibilização de uma cadeira de rodas e de uma cama articulada. “Foram inexcedíveis, sem problemas burocráticos alguns, ao contrário de muitas outras dificuldades com que nos vamos deparando para conseguir apoios para a recuperação da minha avó. A covid-19 tem as costas muito largas e há situações que vão ficando para trás, talvez irremediavelmente”, lamenta.

Com a ajuda da família, Maria Oliveira soprou as velas do 97º aniversário em sua casa, a 27 de fevereiro. A melhor prenda, diz, era recuperar a sua liberdade. “A prenda melhor que podia ter era melhorar, levantar-me e poder andar pelo meu pé”, conta-nos, não se mostrando preocupada em chegar aos 100 anos de vida.

“Chegar aos 100 é coisa que a gente não sabe. Vai-se quando Deus entender que deve levar a gente”, reflete, afirmando estar grata por tudo. “Sempre que pude diverti-me bastante. Agora estou satisfeita por estar na minha casinha”, afirma Maria, uma força da natureza.

O apoio e presença da família é uma constante. Foto: mediotejo.net

*O primeiro caso de covid-19 foi registado na região do Médio Tejo a 16 de março. Assinalando 1 ano de pandemia, preparámos uma série especial de artigos que serão publicados num Dossier Especial ao longo desta semana.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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