Covid-19 | Freguesias rurais de São Facundo e Vale das Mós e as mais valias do apoio de proximidade (c/AUDIO)

Freguesias rurais de São Facundo e Vale das Mós e as mais valias do apoio de proximidade em tempo de pandemia. Foto: DR

São cerca de 1200 habitantes, a grande maioria idosos, os que habitam no território da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, numa zona periférica do concelho de Abrantes. Pessoas que aprendem a viver em contexto de pandemia, muitos em confinamento, e onde o apoio dos vizinhos, a entreajuda da comunidade e o amanho das hortas veio dar um novo sentido à palavra solidariedade. “Este vírus tem tudo de mau. A única coisa boa será essa. Cimentar um espírito de comunidade e devolver um sentimento de amizade a ajuda ao próximo”, disse António Campos, presidente da junta.

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“A população tem sentido a responsabilidade de se manter em casa e as aldeias estão desertas porque ninguém circula pelas pessoas. Emitimos um comunicado que espalhámos pelas localidades a pedir para que as pessoas não saíssem de casa, nomeadamente os mais idosos, e o pessoal da Junta de Freguesia está a levar a casa das pessoas os bens de primeira necessidade e os vales das pensões e reformas. Mas também o comércio local, os funcionários dos centros de dia e as farmácias estão todas a colaborar no sentido de ajudar as pessoas mais necessitadas e os grupos de maior risco”, disse António Campos.

“As pessoas”, diz, “principalmente os homens, aproveitam as manhãs para tratar dos quintais e das hortas, vivendo nós no meio rural. É uma forma de se distraírem e ocuparem o tempo. À tarde já se vê pouca gente a circular pelas ruas e à noite está tudo deserto até porque os cafés estão todos fechados”.

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Apesar da Junta de Freguesia ter suspendido o atendimento presencial desde o início do estado de emergência, a sede da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, no edifício da Junta de Freguesia em São Facundo (em Vale das Mós o edifício encontra-se encerrado), continuou sempre de portas abertas para o atendimento no Posto CTT no horário das 09:00 às 13:00 e com restrições.

“Não há serviços presenciais!”, esclarece o presidente. “Atendemos só casos urgentes”, um serviço de que se manteve até hoje para fazer valer o serviço de proximidade aos cidadãos nos casos mais urgentes, tais como o pagamento das pensões de reforma. A população é maioritariamente idosa e recebe as pensões através de vale de correio, indicou, tendo dado conta que a maioria das pensões foi entregue diretamente na casa das pessoas.

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Para o autarca António Campos, as relações de vizinhança e o reforço do espírito de união e amizade entre pessoas e famílias vai ser a única coisa boa a retirar desta pandemia. Foto arquivo: mediotejo.net

A porta da Junta em São Facundo está aberta “com as pessoas a aguardarem no hall de entrada, a 4 ou 5 metros de distância da funcionária. Para algum pagamento ou entrega de documento enfiam o envelope por debaixo da porta, sem qualquer contacto. E são seguidas as orientações de higienização da Direção-Geral da Saúde”, explicou.

Para o autarca, as relações de vizinhança e o reforço do espírito de união e amizade entre pessoas e famílias vai ser a única coisa boa a retirar desta pandemia.

“Quando ultrapassarmos esta situação vamos ficar todos mais unidos. É pena é ser pela circunstância que é, mas vai haver mais união e amizade entre todos”, assegura, tendo feito notar que toda esta situação de afastamento e confinamento social e familiar vai permitir que as pessoas façam um exercício de reflexão sobre o sentido da vida.

“Quando andamos aqui por vezes com tricas e a aborrecermo-nos uns com os outros, por pequenas coisas, sem significado e sem razão de ser, quando passarmos esta situação vai haver mais união entre todos. Vai ser a única coisa boa que vamos retirar desta pandemia”.

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