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Sábado, Outubro 23, 2021

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Covid-19 | Estudante de Tramagal reencontra família após um mês retido na Lituânia (C/VIDEO)

João Antunes, estudante de Turismo, residente em Tramagal, regressou este sábado da Lituânia depois de um mês ali retido e algum desespero com vários voos a serem sucessivamente cancelados. À sua espera estava a família e vizinhos, que manifestaram a sua alegria pelo regresso do jovem com aplausos mas sem outras manifestações de carinho, como beijos ou abraços, que o vírus é frio e obriga a distanciamento. Ele e outros 12 estudantes portugueses, em programa Erasmus, foram surpreendidos com o encerramento de fronteiras e do espaço aéreo no contexto da pandemia de covid-19. A viagem foi conseguida graças ao empenho da embaixada portuguesa na Dinamarca e até o presidente da Câmara de Abrantes foi chamado para ajudar a resolver o impasse, agora desbloqueado. A família está de novo reunida, num país em estado de emergência.

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Ao início da manhã de sábado, no aeroporto de Lisboa, à chegada de João Antunes, estava o pai, ansioso por ver o filho surgir na porta de desembarque, e rumarem de volta a casa, no Tramagal, onde chegaram perto das 13:00. A mãe e a irmã esperavam em casa, impacientes, e os vizinhos prepararam um cartaz de boas vindas e esperavam na rua, aplaudindo a chegada do jovem para junto dos seus, após um mês retido além fronteiras.

Estudante de Tramagal reencontra família após um mês de espera na Lituânia. Não foram permitidos beijos nem abraços, neste reencontro familiar. Foto: mediotejo.net

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João Antunes conseguiu um voo charter holandês que partiu na manhã de sexta-feira de Vilnius, na Lituânia, a exemplo de estudantes portugueses e de outros países, com o avião a fazer várias escalas para deixar os jovens de vários países. Um trabalho de articulação entre o embaixador português na Dinamarca e o embaixador holandês, que permitiu que os portugueses embarcassem rumo a casa. Rui Antunes, o pai do jovem estudante, destacou ainda o papel da Câmara de Abrantes, através do seu presidente e do assessor, Manuel Jorge Valamatos e Afonso Costa, respetivamente, que ao serem alertados para a dificuldade no processo de repatriamento não enjeitaram esforços nos contactos e na pressão junto da secretaria de Estado das Comunidade Portuguesas.

João Antunes, estudante de Turismo em Erasmus na Lituânia, estava há um mês a tentar regressar a Portugal. E não estava sozinho. Acompanhavam-no neste desejo de regressar a casa mais 12 estudantes portugueses e outros estudantes de outras nacionalidades. Nem todos conseguiram regressar a casa, como o João. Depois de dois voos cancelados e de se sentirem “abandonados” pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros foi desta que a viagem aconteceu, graças ao empenho da embaixada portuguesa na Dinamarca e do próprio presidente da Câmara de Abrantes, a quem o pai do estudante, Rui Antunes, recorreu, em desespero de causa.

Família reunida em Tramagal após o jovem estudante João Antunes ter ficado retido na Lituânia durante cerca de um mês. Foto: mediotejo.net

Os estudantes “quando vêm que reclusos estão a ser transportados para as ilhas pela Força Aérea Portuguesa e eles, inseridos num programa oficial, ficam para trás, sentem-se abandonados”, contou Rui.

“Tem sido um desespero total” para a família, revelou por sua vez a mãe, Luísa Lobato, que só queria que o filho chegasse a casa apesar das despesas com voos, dois entretanto cancelados, já ultrapassaram os mil euros. Um problema financeiro para alguns dos estudantes portugueses que se encontravam em programa Erasmus na Lituânia. Rui Antunes diz ter alertado a embaixada para esta dificuldade e disse que algumas universidades chegaram a pagar os bilhetes de avião para os alunos poderem regressar.

O voo da companhia aérea Lufthansa estava agendado para dia 20 de abril mas entretanto foi cancelado para preocupação de João Antunes, que se manifestou ao longo dos últimos dias impaciente, preocupado e revoltado pela falta de solução. Perante aquele cenário Rui Antunes voltou a contactar a Câmara Municipal de Abrantes e foi dessa articulação que resultou o contacto com a embaixada portuguesa em Copenhaga, na Dinamarca, uma vez que não há embaixada portuguesa na Lituânia.

“A secretaria de Estado das Comunidades ficou um bocadinho aquém no apoio prestado mas a embaixada na Dinamarca foi incansável”, reconheceu Rui. Assim, a embaixada portuguesa na Dinamarca contactou a embaixada na Holanda e foi conseguido, após uma maior abertura do espaço aéreo da Lituânia, “um voo charter que foi buscar e levar a vários pontos cidadãos europeus e também americanos.

Na mesma situação, provocada pelo novo coronavírus que encerrou desde fronteiras ao espaço aéreo, encontravam-se naquele país mais 17 estudantes portugueses. Hoje foram 12 os que também regressam no mesmo voo. João Antunes estava na cidade de Klaipéda e outros estudantes estavam em Vilnius e outros ainda em Kaunas.

João Antunes quer continuar a conhecer Mundo e estudar Erasmus, mas só depois desta pandemia passar. Foto: mediotejo.net

João teve pela frente um longo itinerário nas ultimas 24 horas. Na sexta-feira saiu cedo de Klaipéda de comboio em direção a Vilnius, numa viagem de cerca de quatro horas, onde apanhou às 15:40 um voo para Amesterdão, com escala em Varsóvia “mas sem sair do avião”. Chegados a Amesterdão, na Holanda, “pernoitaram no aeroporto”. Na manhã deste sábado, pelas 09:00, partiu então o tão esperado voo com destino a Lisboa, cidade onde chegou perto das 11:00.

Inicialmente os estudante optaram por ficar na Lituânia “uma vez que Portugal estava com a epidemia a crescer, mas a própria universidade aconselhou os estudantes a regressarem ao país de origem e o que queriam era vir embora”, lembrou ainda Rui Antunes.

João Antunes chegou à Lituânia no dia 28 de janeiro de 2020 e iria ficar naquele país do báltico até 28 de junho. O pai conta que o filho, tal como os restantes portugueses, permaneceram na residência de estudantes após o encerramento da universidade.

“Inclusive estão a ter aulas online, o que não o impede de vir para Portugal. A partir do momento que lhes disseram que era melhor regressarem por causa do encerramento das fronteiras, o João ficou assustado, particularmente quando começaram a dar datas de voos só para 31 agosto”, lembrou.

A mãe, Luísa Lobato, telefonou entretanto para a Linha Saúde 24 através da qual recebeu orientações relativamente ao isolamento de João, que ficará em quarentena por ter viajado de um pais estrangeiro, e outros procedimentos a serem cumpridos, nomeadamente sobre o manejo “de loiças e roupas e terá uma casa de banho só para ele”.

A Linha Saúde 24 informou também que João, chegado a Portugal, não seria submetido a um teste ao novo coronavírus porque segundo lhe foi explicado “se o João for infetado no sábado, o teste não acusa positivo, demora alguns dias até ser possível detetar a infeção”.

Estudante de Tramagal reuniu-se hoje com a sua família após um mes de espera retido na Lituânia devido ao cancelamento sucessivo de voos por via da covid-19. Foto: mediotejo.net

Na Lituânia a situação assemelha-se à portuguesa na questão das medidas de contenção, designadamente na quarentena, do confinamento social e do encerramento de institutos públicos e privados.

Mas “não é uma situação que acompanhemos muito porque não passam notícias daquele país na televisão”, nota o pai, que finalmente conseguiu o regresso do filho mais novo, retido que esteve um mês lá longe, numa Europa que atravessa uma crise pandémica. No final, tudo está bem, quando acaba em bem. Só falta mesmo a pandemia passar para João regressar à sua descoberta do Mundo, e viajar por outros países. Para já, por via das dúvidas, fica-se pelos estudos à distância, a exemplo do que sucede nas escolas em Portugal.

c/Paula Mourato

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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