Covid-19 | Empresa de Constância equipa Museu do Louvre com máquinas de desinfeção automática

O Museu do Louvre, em Paris, recorreu à H-JDP, empresa instalada em Montalvo, no concelho de Constância, para adquirir e instalar seis equipamentos Alcoolmatic, uma inovadora máquina automática de desinfeção de mãos para utilização no combate à pandemia da covid-19. O empresário Daniel Pereira não escondeu a sua satisfação e orgulho dando conta que “esta é a única obra de arte portuguesa neste magnífico Museu!”.

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Em declarações ao mediotejo.net, o empresário disse que França tem sido um dos países que regista maior número de encomendas desta máquina idealizada, concebida e fabricada na fábrica instalada na zona industrial de Montalvo. “No Museu do Louvre foram instaladas seis máquinas de desinfeção das mãos mas também já equipamos grandes parques temáticos em Paris”, revelou, dando conta de uma carteira significativa de encomendas não só de França mas de várias partes do Mundo, além de empresas, autarquias e instituições em Portugal.

“Estamos em constante expansão mas também em evolução, já com seis modelos diferentes de funcionamento deste equipamento, desde híbridos, a painéis solares e até preparados para equipar transportes públicos”, realçou Daniel Pereira.

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“Em março estava a ponderar despedir pessoas, porque o trabalho parou quase por completo devido ao coronavírus, mas numa reunião entre todos sobre o que poderíamos fazer surgiu a ideia de, fazendo uso da nossa experiência, dar uma resposta à pandemia e também ao nosso problema, criando uma máquina de desinfeção automática das mãos para instalar em espaços públicos”, lembrou o proprietário da HJDP – Alimentar.

Empresa de Constância finta crise com golpe de criatividade e tem centenas de encomendas de máquinas de desinfeção. Foto: mediotejo.net

A empresa nasceu em 2016 a pensar no desenvolvimento de “máquinas e equipamentos para a indústria alimentar e, nesse campo, também sistemas de higiene industrial”.

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Incluindo o próprio empresário, a empresa contabilizava 12 trabalhadores, mas já contratou mais seis funcionários para dar resposta às encomendas que chegam de todo o país e que se estenderam rapidamente a vários países europeus e de outros continentes.

Numa situação adversa, considerou Daniel Pereira, houve “criatividade perante a oportunidade” e a solução “permitiu passar ao lado do ‘lay-off’” numa empresa com capacidade técnica para trabalhar diversas ligas metálicas, nomeadamente o aço inoxidável, o ferro, o alumínio, o cobre e o titânio.

A Alcoolmatic resume-se à aplicação da tecnologia da higiene industrial, que a equipa já dominava, aplicando-a, neste caso, às mãos. A máquina é fabricada em aço inox, com um peso de 25 quilogramas, é portátil e tem um depósito com capacidade para quatro litros de solução hidroalcoólica que dão para cerca de duas mil desinfeções, bastando estar ligada a uma ficha monofásica de 220 volts.

Um sensor de proximidade permite o funcionamento de forma automática e o produto desinfetante é aplicado através de aspersores de nebulização, tendo a própria máquina uma luz que sinaliza a necessidade de recarga.

A Alcoolmatic “tem uma bomba, um sensor e uns aspersores, basta colocar as mãos no equipamento e pulveriza o desinfetante, ninguém precisa de tocar no equipamento”, contou Daniel Pereira, notando que a máquina, já patenteada, “tem tido muita procura, até porque quem compra está satisfeito e vai passando a palavra”.

A máquina começou por estar instalada, por exemplo, no restaurante do Estádio da Luz, nos hospitais do Médio Tejo e no Hospital de Coimbra, em farmácias, em escolas e no aeroporto de Lisboa, antes de chegar agora ao Museu do Louvre e aos parques temáticos.

Desde que o primeiro equipamento foi vendido a uma fábrica instalada no concelho, em 16 de março, decorreram cerca de cinco meses e surgiram “centenas de encomendas de norte a sul do país e ilhas para equipar, além de hospitais e restaurantes, fábricas, câmaras municipais, hipermercados, farmácias e onde quer que haja espaços públicos”.

O sinal de STOP ao fundo da rua inspirou os criativos da empresa para as características a implementar na Alcoolmatic. Foto: mediotejo.net

Recentemente foram enviadas 30 máquinas para Espanha e houve também solicitações da Áustria, Suíça, França e Holanda.

“Uma das mais recentes inovações responde a um pedido do mercado, nomeadamente uma máquina em versão para crianças, e que pode estar acoplada a uma maior, estando a ser solicitada para instalar em escolas e em restaurantes”, referiu Daniel Pereira.

Com uma equipa composta por um engenheiro eletrotécnico, um engenheiro mecânico, um técnico superior de higiene e segurança no trabalho, soldadores, eletricistas e serralheiros, a HJDP – Alimentar começou, contudo, a “alargar horizontes muito antes da pandemia” e a “desenvolver projetos inexistentes no mercado há algum tempo” – por exemplo, é “a única empresa do mundo que fabrica uma máquina capaz de produzir flor de sal”.

Um dos mais recentes desafios surgiu por parte das autarquias e a empresa assegurou a resposta técnica para a solicitação: “Algumas câmaras gostavam de instalar estas máquinas nos jardins e espaços públicos e pediram-nos para ver se era possível tecnicamente encontrar uma resposta, e que passa pela acoplagem de um painel solar para o fornecimento da energia à máquina”, contou Daniel Pereira.

Com capacidade de produção de cerca de uma centena de máquinas por semana, a equipa da H-JDP fez na pandemia uma oportunidade e fintou a crise com um golpe de criatividade.

c/LUSA

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