Covid-19 | Dezanove utentes de lar ilegal em Santarém estão no hospital de Abrantes

Dezanove utentes de lar ilegal em Santarém estão no hospital de Abrantes. Um dos utentes, de 86 anos, viria a falecer. Foto arquivo: mediotejo.net

Os 19 utentes de um lar ilegal no concelho de Santarém que na terça-feira testaram positivo à covid 19 estão já na unidade de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo, disse hoje o presidente do município.

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Ricardo Gonçalves referiu à Lusa que, aos oito idosos que foram transferidos ainda na noite de terça-feira, depois de conhecidos os resultados aos testes realizados no dia anterior, se juntaram mais 11 transportados durante a manhã de hoje, todos eles assintomáticos em relação à covid-19.

Segundo o autarca, a casa de repouso Idoso Feliz, situada em Casével, no concelho de Santarém, vai ser desinfetada, cabendo a decisão sobre o regresso dos utentes às autoridades de saúde, tendo em conta o seu estado de saúde, e à Segurança Social, uma vez que a instituição não possui alvará, embora apresente “boas condições” de acolhimento.

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A realização dos testes na instituição aconteceu depois de um dos idosos ter sido testado, de acordo com o protocolo, quando foi enviado ao Hospital de Santarém, na sexta-feira, devido a uma queda, o mesmo acontecendo com um outro que foi levado no domingo a esta unidade hospitalar.

Em ambos os casos o resultado foi positivo.

Um destes idosos continua internado no Hospital de Santarém, tendo o outro, que entretanto teve alta da doença que motivou a ida a esta unidade de saúde, sido transportado para Abrantes.

Também seis dos nove funcionários testaram positivo, tendo, contudo, sido todos colocados em quarentena em casa, com acompanhamento pela delegada de saúde.

O autarca afirmou que a transferência para o Hospital de Abrantes e não para o de Santarém decorre do facto de ser aquela a unidade referenciada no plano distrital para estas situações.

Ricardo Gonçalves sublinhou que o levantamento de estruturas residenciais para idosos em situação ilegal em curso decorre de uma diretiva nacional do Instituto da Segurança Social, que especifica os procedimentos a adotar.

Segundo os dados divulgados pela Comissão Distrital de Proteção Civil, existem 130 estruturas ilegais no distrito.

Ricardo Gonçalves referiu que no concelho de Santarém foram identificadas 42, o dobro da estimativa feita a partir da informação da Segurança Social e do Agrupamento de Centros de Saúde.

O autarca salientou a distinção entre lares ilegais e clandestinos, sendo que os primeiros acabam por ser referenciados pela Segurança Social por terem feito tentativas de legalização. O conhecimento da existência dos restantes só ocorre por deslocações dos médicos de família em assistência ao domicílio ou dos bombeiros para transporte para o hospital, referiu.

Para Ricardo Gonçalves, a situação criada pela pandemia da covid-19 veio “abrir uma caixa de Pandora”, ao revelar a dimensão de um problema que tem estado escondido e para o qual não existe resposta formal, lamentando os atrasos no Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES).

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