Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Covid-19 | De Tramagal a Santarém para encontrar um centro de saúde aberto ao sábado

Um problema agudo de reumático obrigou Nuno Rosa a percorrer quase 100 quilómetros para encontrar ajuda médica para o seu pai num centro de saúde. Era um sábado e ninguém lhe atendia o telefone. Em desespero de causa, e para evitar ir ao hospital de Abrantes por medo da covid-19, recorreu à Saúde 24 e foi encaminhado de Tramagal para Santarém, para o centro de saúde que estaria a funcionar e que seria o mais próximo da área da residência. O ACES Médio Tejo assegura que havia resposta na região mas Nuno Rosa não se conforma.

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“O meu pai tem 76 anos e estava com as articulações atrofiadas e mal se conseguia levantar, problemas de artrose e reumático, e depois de muitos contactos para médicos particulares e para centro de saúde na nossa zona, sem nunca ninguém atender o telefone, resolvemos ligar para a saúde 24. Depois de atenderem lá explicámos qual a situação e os sintomas que o meu pai apresentava. Indicaram para não o levarmos para o hospital mas sim para um centro de saúde e disseram que na nossa zona o único sítio onde podiam atender era em Santarém”, contou. Nuno Rosa e os irmãos não tiveram dúvidas e seguiram viagem com o pai.

Era um sábado, dia 23 de janeiro, em pleno confinamento e com proibição de circular entre concelhos. “Pai é pai e mesmo não podendo sair de concelho em concelho levei-o até lá para ser atendido, mesmo podendo sendo penalizado e ser até obrigado a retroceder na minha viagem e com consequências graves”, notou, tendo lembrado que os telefonemas para tentar encontrar um centro de saúde aberto na área da residência começaram às 10:00.

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Pai e filhos acabaram por chegar a Santarém, a cerca de 80 quilómetros de distância, às 13:20.

“O centro médico tinha atendimento até às 14:00. Ao chegar disse que vinha por parte da saúde 24 e qual não foi o espanto delas ao saberem que vinha de Tramagal quando tinha no concelho de Abrantes centros médicos. Essas mesmas enfermeiras e médicas telefonaram à minha frente para os centros de saúde na zona e ninguém atendeu. Estava tudo fechado. Sendo o único centro de saúde aberto no concelho de Santarém a Saúde 24 estava a encaminhar todos os utentes para lá. Acho isto inadmissível porque os centros de saúde deviam estar abertos para não sobrecarregarem os hospitais”, afirmou.

Efetivamente, os centros de saúde no concelho de Abrantes estão todos encerrados ao fim de semana, sendo que, em caso de necessidade aguda, a alternativa será recorrer às Urgências hospitalares do CHMT ou a médicos particulares. No entanto, o ACES do Médio Tejo tem a funcionar três centros de saúde ao fim de semana, nomeadamente em Ourém, Mação e Ferreira do Zêzere, todos afastados das unidades hospitalares do CHMT, situadas em Abrantes, Tomar e Torres Novas.

Contactado pelo nosso jornal, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo confirmou que os centros de saúde no concelho de Abrantes estavam encerrados naquele dia mas disse que disponibiliza três Atendimentos Complementares (AC) aos fins-de-semana e feriados, designadamente o AC do Centro de Saúde de Ourém, das 9:00 às 19:00, o AC do Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere, das 9:00 às 17:00 e o AC do Centro de Saúde de Mação, das 10:00 às 19:00. Os mesmos, assegura, apesar de ser dia de véspera de eleições, estavam a funcionar no dia 23 de janeiro.

Durante a semana, refere ainda, “as unidades de saúde do ACES Médio Tejo dão resposta às situações de doença aguda que não requeiram atendimento hospitalar”.

Por outro lado, continua, ACES disponibiliza ainda serviços aos fins-de-semana e feriados dedicados à doença respiratória, designadamente o Atendimento de Doentes Respiratórios da Comunidade (ADR-C), que no Entroncamento está aberto aos fins-de-semana e feriados das 8:30 às 19:30, de acordo com a Orientação n.º 4/2020 da DGS. Este ADR-C também funciona de segunda-feira a sexta-feira.

O ACES Médio Tejo, pode ler-se na mesma informação, “tem ainda várias equipas de médicos e enfermeiros a trabalhar ao fim-de-semana para acompanhamento telefónico dos utentes inscritos na plataforma Trace Covid”.

A distância que Nuno Rosa teria de percorrer para encontrar apoio médico para o seu pai era similar. De Tramagal a qualquer localidade com centros de saúde a funcionar aos fins de semana no ACES Médio Tejo teria sempre de percorrer algumas dezenas de quilómetros, nalguns casos até superiores à deslocação a Santarém.

“Fomos muito bem atendidos, por uma equipa muito atenciosa e profissional, e só tenho de agradecer. Havendo estes centros de saúde a funcionar na região, o que desconhecia, e a Saúde 24 também, pelos vistos, numa próxima oportunidade sei que terei mais alternativas. Para as urgências é que nem pensar, no estado em que se encontram atualmente os hospitais”, assegurou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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