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Covid-19 | Critérios de prioridade nas vacinas questionados nos hospitais do Médio Tejo

Deve uma secretária ser vacinada primeiro do que um médico? “Depende”, é a resposta rápida para uma questão complexa, depois de analisados os critérios usados para definir a lista de prioridades para a vacinação contra a covid-19 de todos os profissionais que trabalham no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), que agrega os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas.

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O mediotejo.net questionou o CHMT sobre as razões que justificavam haver ainda médicos e enfermeiros que não receberam a primeira toma da vacina – numa altura em que muitos profissionais de saúde já tomaram a segunda dose necessária, 14 dias depois da primeira –, quando funcionários de serviços administrativos já começam a ser vacinados. O assunto tem sido comentado por vários profissionais de saúde do CHMT, nomeadamente em Tomar e Torres Novas, incomodados com a prioridade dada a determinados funcionários, duvidando dos critérios seguidos.

A administração do CHMT explicou ao mediotejo.net que no dia 21 de janeiro “seria o último dia” para a segunda toma da vacina aos profissionais que foram inoculados com a primeira dose e que vários profissionais de saúde “faltaram à vacinação e sem aviso prévio”. Além disso, revela, também existiram “profissionais que fizeram a primeira toma entre os dias 29 e 31 de dezembro e que entretanto positivaram”, pelo que essas vacinas “foram alocadas a outros, tal como preconiza o Plano Nacional de Vacinação Covid-19”.

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Estando as vacinas preparadas, “e havendo um prazo de validade muito curto, das mesmas, e depois de se terem chamado à pressa outros profissionais, restavam quatro vacinas”, adianta a resposta do CHMT ao mediotejo.net. “Razão que explica que se tenham aproveitado essas quatro vacinas para três elementos do secretariado e um elemento do Conselho de Administração, sendo que duas destas pessoas têm condições clínicas e ou idade que os fazem integrar grupos de risco”.

Os serviços hospitalares “não se garantem sem atividades de retaguarda essenciais que permitem os recursos necessários para que médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e assistentes operacionais prestem cuidados de saúde aos doentes”. Incluem-se nesta categoria “canalizadores, eletricistas, informáticos, gestão de acesso/tramitação de doentes e gestão de recursos humanos, entre outros”, acrescenta o CHMT, explicando que, “ao abrigo dos critérios de prioridade que foram estabelecidos, seguindo as diretivas da Direção Geral de Saúde”, foram vacinados os seguintes profissionais:

  • Até ao dia 24 de janeiro de 2021, dos 177 médicos elegíveis foram já vacinados 146 médicos, tendo-se dado prioridade às especialidades mais relevantes para o tratamento dos doentes Covid-19;
  • A percentagem de enfermeiros vacinados é mais expressiva, com 615 vacinados dos 680 enfermeiros elegíveis;
  • Dos cerca de 190 Técnicos de Diagnóstico e terapia das mais diversas áreas elegíveis, mais de 130 foram vacinados, tendo-se dado prioridade aos que têm maior proximidade ao contexto do tratamento de doentes com Covid-19.
  • No caso de Assistentes Operacionais, dos 543 elegíveis foram vacinados 413;
  • Desde que iniciou o Plano de Vacinação Covid-19, a 29 de dezembro de 2020, o Centro Hospitalar do Médio Tejo vacinou mais de 1440 profissionais, sendo que, destes, mais de 500 já receberam a segunda dose;
  • 94% das vacinas foram para profissionais na prestação direta de cuidados a doentes Covid-19, sendo que as restantes 6% foram administradas a funcionários igualmente essenciais para o funcionamento do CHMT;
  • No fim da presente semana todos estes números subirão por se irem administrar 170 novas primeiras tomas de vacinas.

Neste momento, realça o CHMT, “a percentagem de profissionais vacinados permite o funcionamento da Instituição preservando os seus profissionais de contágios comunitários”, sendo a sua taxa de vacinação “um fator de garantia e de confiança para toda a população do Médio Tejo, pois permite que o CHMT não pare a prestação de cuidados aos doentes”.

Milhares de profissionais de saúde continuam por vacinar, denuncia a Ordem dos Médicos

A nível nacional, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, criticou na segunda-feira o facto de o plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal estar “a deixar milhares de médicos de fora desta fase, prejudicando quem está no terreno a salvar vidas”. O problema coloca-se agora sobretudo com os médicos que estão a trabalhar fora do Serviço Nacional de Saúde, ou que trabalham nos hospitais públicos através de empresas prestadoras de serviços. A Ordem dos Médicos contabiliza 6.562 profissionais nessas circunstâncias, e desses, vinca, “nem meia centena terão chegado a receber a vacina”.

 

 

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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