Covid-19 | CHMT transfere Serviço de Ortopedia do Hospital de Abrantes para Tomar (c/áudio)

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) está a reforçar as equipas de profissionais de saúde na Unidade Hospitalar de Abrantes, onde centraliza o combate ao novo coronavírus, antevendo uma maior afluência. Nesse sentido, estão a ser libertadas enfermarias em Abrantes para acolher mais pessoas infetadas e a Ortopedia vai mesmo ser transferida para Tomar, a exemplo do que sucedeu na primeira fase da pandemia, disse ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Abrantes.

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Questionado sobre um aumento da capacidade de internamento em enfermaria covid das atuais 96 para 197 camas na Unidade Hospitalar de Abrantes e do encerrar do serviço noturno nos Serviços de Urgências Básicas de Tomar e Torres Novas para reforçar as equipas médicas no Hospital de Abrantes no âmbito do tratamento a pessoas portadoras do SARS-CoV-2, Manuel Jorge Valamatos (PS) disse que o esforço conjunto dos município da região em torno da estratégia da administração do CHMT é para manter e que “nem poderia ser de outra forma”.

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“Estivemos sempre e estaremos sempre ao lado da administração do CHMT, e dos profissionais de saúde do Hospital de Abrantes e dos hospitais do CHMT, e depois de vermos regressar a Ortopedia e a Maternidade a Abrantes (depois da saída provisória na primeira fase da pandemia), vemo-nos agora confrontados com uma situação ainda mais complexa, com a saída de algumas enfermarias para Tomar e Torres Novas para libertar alas para a covid, no fundo para tentarmos ter mais 197 camas para a covid-19 e isso vai implicar a saída novamente da Ortopedia de Abrantes para Tomar”, afirmou o presidente da autarquia de Abrantes.

“Temos de dar uma resposta de solidariedade e apoio ao país, numa luta que é de todos e para a qual temos de unir esforços e ter capacidade para responder a uma questão de saúde pública” nacional, defendeu, tendo feito notar que a transferência será provisória, e que a maternidade não será transferida para Torres Novas, como sucedeu na primeira fase, uma vez que houve reforço estrutural e das condições físicas da maternidade, estando hoje o espaço completamente estanque relativamente ao restante espaço hospitalar e seguro para as grávidas e recém nascidos, não havendo, assim, necessidade de transferência do Serviço.

O CHMT, que agrega as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, ativou na sexta-feira o nível 2 do seu plano de contingência para dar resposta aos doentes SARS-CoV-2, o que implica um aumento da capacidade de internamento em enfermaria covid para 197 camas na Unidade Hospitalar de Abrantes, e o encerramento do serviço noturno nos Serviços de Urgências Básicas de Tomar e Torres Novas, que passaram assim a ter um novo horário de atendimento, uma medida, aliás, já adotada na primeira fase da pandemia.

Em comunicado, o conselho de administração (CA) do CHMT deu ainda conta que a “capacidade de camas de Cuidados Intensivos pode ir até às 32 camas no Serviço de Medicina Intensiva”, numa medida de “reorganização temporária” e que “deriva da implementação das orientações recebidas da tutela”.

Decorrente desta “necessidade de alocar recursos humanos”, e “em articulação estreita com os responsáveis municipais da região”, o conselho de administração do CHMT “decidiu alterar os horários de funcionamento dos dois Serviços de Urgência Básica [em Tomar e Torres Novas], encerrando os mesmos nos períodos noturnos, entre as 00:00 e as 08:00, encerrando a admissão de doentes a essas mesmas urgências básicas às 21:00”, horários que entraram em funcionamento na sexta-feira. Dia 6 de novembro.

Na mesma informação pode ler-se que os utentes que necessitem de recorrer ao serviço de urgência do CHMT, entre a 00:00 e as 08:00, devem dirigir-se ao serviço de urgência médico-cirúrgica, instalado na unidade hospitalar de Abrantes, que “mantêm em funcionamento, 24:00 sobre 24:00, o serviço de urgência médico-cirúrgica, o serviço de urgência pediátrica e o serviço de urgência de obstetrícia”.

O CA do CHMT refere ainda que “vai retomar algumas das medidas adotadas durante a primeira fase da pandemia”, sem especificar quais, além do fecho das Urgências Básicas, “e, ainda, acrescer outras medidas que resultam da orientação agora transmitida [pela tutela] da articulação inter-regional”, e ao abrigo da qual é atribuída ao CHMT uma capacidade para internamento de doentes covid-19 até às referidas 197 camas.

Em março, na primeira fase da pandemia, o CHMT transferiu de forma temporária algumas valências do Hospital de Abrantes para outras unidades hospitalares do Médio Tejo, sendo a Ortopedia transferida para o Hospital de Tomar e a Maternidade e serviço de Ginecologia/Obstetrícia para a Unidade Hospitalar de Torres Novas, de modo a concentrar o acolhimento e internamento dos casos mais graves identificados com o novo coronavírus.

“O CHMT desde sempre mostrou uma enorme solidariedade e disponibilidade para receber doentes de outros hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em momentos críticos para essas outras entidades hospitalares”, pode ler-se na nota informativa, tendo o CA afirmado que “essa disponibilidade e solidariedade nunca colocaram em causa a capacidade assistencial aos doentes covid da área de influência do Médio Tejo”.

Segundo o CHMT, o novo quadro organizativo é “temporário”, perspetivando que “venha a durar até ao final do próximo mês de fevereiro”.

Municípios, Governo e Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) têm conjugado esforços na estratégia de apoio aos doentes covid-19, sendo o hospital de Abrantes a referência no acolhimento e tratamento aos portadores do SARS-CoV-2. Foto: mediotejo.net

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 260 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, no distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

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Mário Rui Fonseca
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.
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