Covid-19 | CHMT com 56 doentes internados, Hospital de Abrantes permanece de referência

Neste momento encontram-se hospitalizados 56 doentes com covid-19 no Centro Hospitalar do Médio Tejo. Nesta segunda vaga da pandemia a unidade hospitalar de Abrantes continuará como hospital de referência mas desta vez não está prevista a transferência nem do serviço de Ortopedia (transferido durante quatro meses para Tomar) nem da Maternidade (transferida durante quatro meses para Torres Novas) durante o período mais crítico da primeira vaga.

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Na segunda vaga da pandemia de covid-19 o Hospital de Abrantes permanece de referência covid. “Nada mudou, o Plano do Centro Hospitalar do Médio Tejo é estável, dentro daquilo que são as suas linhas estruturantes mas sempre adaptável naquilo que a próprias pandemia vai revelando, e daquilo que também vamos aprendendo para nos defendermos cada vez melhor, em termos de resposta a dar”, explicou Carlos Andrade Costa.

Portanto, a resposta do CHMT “vai-se manter na unidade hospitalar de Abrantes naquilo que são a maioria dos recursos que temos polarizados em resposta aos doentes covid”. Contudo, não está prevista a transferência dos serviços de Ortopedia nem a Maternidade para as outras unidades do CHMT tal como aconteceu na primeira vaga. O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo falou aos jornalistas em conferência de imprensa por videoconferência, esta terça-feira.

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Nos últimos dias, “com o momento da intensidade da pandemia também se tem feito sentir o impacto dentro do CHMT, nunca tivemos tantos internados por covid-19 como temos desde a passada quinta-feira” o que obriga, segundo Carlos Andrade Costa, a redesenhar a capacidade de resposta. Neste momento encontram-se hospitalizados 56 doentes com SARS-Cov-2, sendo que o habitual até aqui, não ultrapassava os 25 doentes internados.

O CHMT conta com “duas unidades de internamento com 26 camas cada uma” mas em breve terá de avançar para uma terceira. “Temos capacidade de internamento em Nefrologia, um outro espaço convencional para doentes hemodializados, e são dois doentes internados hemodializados por covid, estão internados nesse outro espaço por serem doentes particularmente frágeis. E temos os Cuidados Intensivos com uma lotação nesta fase de 8 camas, onde estão cinco doentes internados. Sendo que esta capacidade também é extensível, tal como o internamento”, garantiu.

O presidente do conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, Carlos Andrade Costa, em videoconferência.

Em relação à primeira vaga da pandemia, nesta fase “muda o que diariamente vemos nas notícias; ou seja, uma segunda vaga bastante mais generalizada na população, como muitos mais casos diários, muito mais internamentos, com mais óbitos, como muito mais doentes em cuidados intensivos. Esta segunda vaga traz para os hospitais bastante mais gente do que trouxe a primeira e faz-nos aumentar, a todos, as medidas de autoproteção” disse apelando a que “todos” evitem “comportamentos que possam pôr-nos, ou aos nossos, em risco”.

A média de idades dos doentes internados no CHMT com covid-19 “são pessoas mais idosas. Muitos na casa dos 90 anos” indicou o presidente do conselho de administração fazendo notar que “são cada vez mais os doentes na faixa etária dos 40 anos. Três casos, poucas horas depois de entrarem no hospital, foram para os cuidados intensivos”, contou.

Com o Hospital de Abrantes a receber doentes provenientes de outras regiões do País, e o numero de infetados a aumentar, Carlos Andrade Costa assegura também que esta unidade não corre o risco de entrar em rutura e continua a ter capacidade instalada para socorrer as necessidades prementes que surjam fora do Médio Tejo.

“Não há risco de entrar em rutura. A rutura não acontece de um dia para o outro, mas ao longo de uma escalada sucessiva de dias”, afirmou, afastando esse cenário. O administrador hospitalar reconhece o aumento em “muito o número de internamentos desde quinta-feira mas de uma forma programada”. Carlos Andrade indica que os doentes internados em Abrantes chegaram maioritariamente de hospitais da região de Lisboa – arredores e cidade de Lisboa.

“Tivemos que abrir a segunda enfermaria para doentes covid precisamente porque nos programámos para aumentar aquilo que tem sido o apoio do CHMT a outros hospitais. Este atingir de 56 doentes internados resulta de uma programação em que aumentou a capacidade de apoiarmos outros hospitais. Não é tanto por força da nossa própria população”, observou.

Quanto ao crescimento diário dos números de infetados Carlos Andrade considera que “será tão pequeno quanto formos capazes de fazer todas as medidas de autoproteção. É absolutamente fundamental” o cumprimento de todas as medidas, vinca o administrador hospitalar.

Reconhecendo a existência de “momentos difíceis”, conta que “desde fevereiro que não entra ninguém em minha casa nem vou a casa de ninguém. Essa é a minha responsabilidade! São os meus colegas que me ajudam a equilibrar um bocadinho a minha dimensão pessoal”.

Outra prática que não será visível nesta segunda vaga prende-se com equipamentos, ou seja com a instalação de tendas nas entradas das urgências das três unidades hospitalares do CHMT.

“Essas tendas tiveram o seu contexto muito específico num altura em que estávamos a iniciar a resposta à pandemia em que internamente, dentro dos edifícios, os circuitos covid e não covid estavam completamente estruturados e essas tendas deram o seu contributo”, explicou, acrescentando que “há vários meses que os circuitos estão identificados, e toda a sinalética interior está estabelecida”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.
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