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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Covid-19 | Chef de cozinha retido no norte de Angola vive “um dia de cada vez”

“Eu neste momento vou vivendo um dia de cada vez, e vou matando as saudades da família através das redes sociais”. É desta forma que Bruno Caetano, chef de cozinha de 34 anos, resume o seu estado de espírito numa fase em que se encontra retido numa base de logística no norte de Angola. A sua mulher e filhos, que vivem no Entroncamento, estão ansiosos para poder abraçar novamente Bruno, mas este não sabe quando poderá voltar nem tem qualquer perspetiva, como o próprio confirma numa entrevista que concedeu ao mediotejo.net.

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Nesta altura as suas movimentações são muito limitadas. Por causa da pandemia de covid-19, todas as fronteiras estão fechadas e mesmo as deslocações entre províncias não são permitidas.

A trabalhar um pouco por todo o mundo desde 2007, Bruno Caetano estava este ano a fazer um trabalho de formação a bordo em algumas plataformas e navios ligadas à indústria petrolífera. Antes trabalhou como chefe executivo de cozinha num navio de extração de crude em águas profundas chamado FPSO Paz flor, uma embarcação com capacidade para 280 pessoas. Tem passado por países como Congo, Angola, Ghana, Namíbia, África do Sul, Singapura, Coreia do Sul, entre outros.

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A última vez que saiu de Portugal foi no dia 25 de fevereiro, tendo embarcado no navio no dia seguinte. Normalmente trabalha embarcado num regime de 28 dias seguidos e 28 dias de pausa.

As coisas começaram a complicar-se quando no dia 16 de março teve de se mudar para a base logística onde se encontra no norte de Angola, porque existia a suspeita de um tripulante num barco vizinho estar infetado com covid 19. Nessa altura todos os navios iniciaram um processo de redução de pessoal ao máximo, deixando apenas a tripulação necessária para garantir os serviços mínimos.

“Neste momento a situação aqui está minimamente sob controle. Aqui dentro estamos minimamente seguros. E protegidos”, relata Bruno Caetano, que desde 27 de março permanece naquela base em isolamento.

As suas deslocações a Portugal, por norma acontecem seis vezes por ano, ficando um mês com a família. Além da mulher e filhos no Entroncamento, como familiares mais próximos tem o pai na localidade de Atalaia, Vila Nova da Barquinha, e a irmã, no Cartaxo.

Bruno estudou na Escola Profissional de Tomar

Educação familiar traçou o caminho

Bruno Caetano nasceu em Torres Novas no dia 11 de julho de 1985, mas cresceu no concelho de Vila Nova da Barquinha, mais propriamente na Atalaia. Foi na escola primária desta localidade que estudou, prosseguindo depois os estudos na escola Dona Maria II na Barquinha.

Com 14, 15 anos foi estudar para a Escola Profissional de Tomar, onde frequentou o curso técnico profissional nível III na área da hotelaria e restauração.

“Os meu pais sempre me apoiaram e incentivaram a seguir o meu caminho de forma independente. Então educaram-me que, para termos as coisas, temos de trabalhar para as ter”. Esta forma de educação marcou o seu percurso profissional e a atitude perante os desafios da vida.

Teria à volta dos 12, 13 anos quando, durante umas férias de verão, começou a trabalhar integrado numa equipa que servia casamentos, gerida por um primo do seu pai tinha.

Foi a primeira oportunidade que Bruno teve para arranjar um trabalho remunerado e desde então nunca mais deixou de trabalhar. Estudava durante a semana e aos fins de semana ia servir casamentos para conseguir mais alguma fonte de rendimento. Trabalhou em algumas quintas de eventos na zona centro, deste Fátima até Vila Franca de Xira.

Com 17 anos, através da escola, foi-lhe possível realizar um estágio profissional além fronteiras, num programa financiado pela fundação Da Vinci e pela própria escola. Fez o estágio em Bordéus (França) durante um mês, onde, confessa Bruno, ajudou-o muito a abrir portas na sua carreira profissional.

Terminado o estágio, concluiu também o seu curso com aproveitamento e média na ordem dos 15 valores, ficando assim com o 12° ano de escolaridade. Pouco tempo depois de regressar de França entrou no mercado de trabalho, começando num restaurante de comida espanhola, o Lizarran, nas traseiras do mercado Municipal de Torres Novas, onde esteve cerca de seis meses.

A paragem seguinte foi em Lisboa, onde as oportunidades são em maior quantidade e mais diversificadas. Durante dois anos e meio trabalhou num hotel de 5 estrelas que considera ter sido a sua segunda escola.

É sem pruridos que assume ter vivido num quarto alugado quando foi trabalhar para Lisboa. Ele fazia o jantar e a senhoria tratava da sua roupa numa lógica de parceria. “Foi uma relação fantástica, posso dizer”, recorda.

A trabalhar a bordo de uma plataforma petrolífera. Foto: DR

Ao fim de dois anos e meio, Bruno achou que tinha de ganhar mais, para alcançar os seus sonhos. Por isso, voltou novamente a procurar trabalho. Pesquisou em alguns sites de emprego, respondeu a alguns anúncios e acabou por ser chamado para algumas entrevistas de trabalho.

Num dos anúncios pediam chefes de cozinha para Angola. Candidatou-se, foi chamado e “por sorte ou pelo destino” acabou por ser selecionado para ir trabalhar para uma empresa que presta serviços de catering para empresas do ramo petrolífero na costa norte da antiga colónia portuguesa.

Há uma data que Bruno não esquece, a primeira vez que pisou solo angolano: 15 de julho de 2007 às 7.30 da manhã. Desde então mantém-se ali a trabalhar, não contando que, quase 13 anos depois, a pandemia viesse estragar os seus planos. Ansioso, nesta altura Bruno apenas sabe que irá regressar “assim que possível”.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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