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Covid-19 | Centro Social de Carvoeiro (Mação) admite vacinação indevida dos órgãos sociais

O presidente da direção do Centro Social de Carvoeiro, em Mação, admitiu hoje que a instituição procedeu à vacinação contra a covid-19 de alguns elementos dos seus órgãos sociais, incluindo o próprio. O dirigente diz que as listas das pessoas a vacinar foram enviadas a quem de direito e que nada foi feito às escondidas. Entre os elementos vacinados, além do presidente da direção, António Pereira, de 50 anos, consta ainda o presidente da Assembleia Geral, Nuno Bragança, 42 anos, que preside igualmente à junta de freguesia de Carvoeiro.

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A vacinação contra a covid-19 nos lares terminou no concelho de Mação no dia 27 de janeiro, depois de ter arrancado a 4 de janeiro o projeto de vacinação nacional em São José das Matas e Cardigos. No dia seguinte, a 5 de janeiro, também os utentes e funcionários do Centro Social de Carvoeiro iniciaram o processo mas acontece que foram incluídos na vacinação membros da direção e órgãos sociais, fora dos critérios de priorização para a toma da vacina.

ÁUDIO: ANTÓNIO PEREIRA, PRESIDENTE CENTRO SOCIAL DE CARVOEIRO

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António Luís do Carmo Pereira, 50 anos, canalizador de profissão e presidente da direção do Centro Social São João Baptista em Carvoeiro, concelho de Mação, confirmou ao mediotejo.net terem sido vacinados membros dos órgãos sociais da instituição, incluindo ele próprio. Entre os elementos consta o presidente da junta de freguesia de Carvoeiro, Nuno Bragança, enquanto presidente da Assembleia Geral do Centro Social.

Apenas o tesoureiro da instituição, reformado, não quis tomar a vacina mas “por medo dos efeitos secundários”. Também um utente não foi vacinado por não ter autorização dos familiares e uma funcionária recusou também.

Segundo o dirigente do Centro Social todos os membros dos órgãos sociais são ativos e estão a trabalhar, ocupando os cargos em regime de “voluntariado”, não auferindo dali qualquer salário. António Luís Pereira refere que todos tomaram a vacina porque houve autorização por parte do Instituto de Segurança Social, bem como da ARS LVT e Saúde Pública de Mação.

“Nós facultámos o nome à Segurança Social, e foram referidos os cargos desempenhados nos corpos sociais. E veio a ordem para sermos vacinados, e fomos vacinados”, afirmou.

O presidente da direção, que ocupa esse cargo desde 2008, disse que se o tivessem alertado para o facto de não poder ser vacinado, não o teria sido simplesmente, e afirma que se for aberto inquérito pelo Ministério Público, que outras pessoas terão de responder pelo facto. “Se eu for chamado, alguém tem que ir também e dar a cara. Não fizemos nada às escondidas”, afirma.

Centro Social vacinou além dos funcionários e utentes, membros dos órgãos sociais da instituição. Foto: DR

Segundo dados a que o mediotejo.net teve acesso, foi vacinado um grupo de 28 pessoas entre funcionários e membros dos corpos sociais, constando da lista as categorias e cargos desempenhados, bem como datas de nascimento e a indicação de trabalhar ou não naquela IPSS/ERPI. Também foram vacinados 34 utentes na primeira fase e 32 na segunda, uma vez que dois faleceram após a primeira toma.

A instituição tem um total de 39 utentes, e apenas dois não levaram vacina: um porque não teve autorização dos familiares para tal e outro por indicação do médico de família por ser portador de doença rara.

O presidente da direção referiu ter alguma “revolta e tristeza”, sentindo que o “ruído” que existe em torno da vacinação dos dirigentes das instituições é “injusto”, uma vez que são pessoas “dedicadas 24h sobre 24h para a gestão do bem-estar dos utentes e que abdicam da sua vida pessoal e profissional”, acrescentando que as IPSS foram “deixadas entregues a si próprias no primeiro confinamento”.

António Luís Pereira levanta ainda críticas ao governo e à falta de apoio, criticando o método de seleção e critérios de vacinação, concordando que se protejam as pessoas que têm de estar presentes nos lares e que estejam diretamente ligadas ao seu funcionamento. “As coisas não foram esclarecedoras e a logística não foi bem preparada”, diz o responsável.

Refira-se que têm sido colocados a descoberto inúmeros casos de vacinação indevida, de norte a sul do país, com autarcas, membros dos órgãos sociais de lares e IPSS, funcionários da Segurança Social e do INEM a serem incluídos na lista de vacinação, desrespeitando os critérios de prioridade estabelecidos pelo plano nacional, alguns dos quais a ser alvo de inquéritos por parte do Ministério Público.

Por este facto, Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, disse ontem à Lusa que haverá “tolerância zero” para atos de vacinação indevida, tendo referido ainda que “o grupo de trabalho tem reforçado as suas orientações para que no caso de haver doses sobrantes, existam listas suplementares elaboradas com critérios de priorização do plano de vacinação, para que possam ser usadas as vacinas sobrantes”.

O Secretário de Estado deu ainda conta de estarem a ser promovidas auditorias pela Inspeção de Atividades em Saúde, de âmbito nacional, e que há “procedimentos que terão sanções quer ao nível disciplinar e criminal, se durante a sede de inquérito tal se provar”.

Acontece que, diz o governante, estão garantidas as vacinas necessárias para as segundas doses “a todos os que levaram a primeira, incluindo os que a tomaram invalidamente”.

Ministra da Saúde, Marta Temido, diz que desvios às regras do plano de vacinação “serão investigadas por quem de direito e serão retiradas as consequências após a investigação” . Foto: HUGO DELGADO/LUSA

Também a ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta segunda-feira, dia 1 de fevereiro, que o Governo está empenhado para que casos de vacinação indevida contra a covid-19 não se repitam e disse que o incumprimento do plano de vacinação merece “veemente repúdio”.

A propósito de casos que têm sido divulgados de que foram vacinadas pessoas que não são consideradas prioritárias, Marta Temido afirmou que todas as situações que tenham sido reportadas como desvios às regras do plano de vacinação “serão investigadas por quem de direito e serão retiradas as consequências após a investigação”.

Marta Temido disse ainda que “não há processos” em que não se faça antes uma “investigação exata e concreta” e acrescentou que desde a semana passada a Direção-Geral das Atividades em Saúde está a avaliar e a auditar semanalmente o processo de vacinação em curso.

O Ministério Público anunciou esta segunda-feira, dia 1, que abriu inquéritos em relação a casos que envolvem o INEM de Lisboa e do Porto, a Segurança Social de Setúbal e outras instituições na vacinação contra a covid-19 de casos não prioritários.

c/ Lusa

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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