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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Covid-19 | Cancelamento do Bons Sons gera perdas de 3,5 ME para região de Tomar

O cancelamento do festival Bons Sons, na aldeia de Cem Soldos, traduz-se numa quebra de 3,5 milhões de euros para a região, estima a organização do evento que regressa de 12 a 15 de agosto de 2021. “Acolhemos, respeitamos e compreendemos a decisão” de cancelar todos os festivais até 30 de setembro, disse a organização Bons Sons, na aldeia de Cem Soldos, no concelho de Tomar, que hoje anunciou o reagendamento da 11.ª edição do festival para os dias 12 a 15 de agosto de 2021.

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Organizado pelo Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS), o festival tem um impacto económico estimado em 3,5 milhões de euros “cuja perda se vai refletir em toda a região”, afirmou à agência Lusa o diretor artístico do Bons Sons, Miguel Atalaia.

As perdas afetam “artistas, técnicos, agentes, fornecedores, parceiros”, mas também “o comércio da aldeia para o qual os dias do festival são uma lufada de ar fresco e a hotelaria da região que nesse período tem um elevado índice de ocupação”, sublinhou.

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As características únicas do festival “organizado por uma aldeia que se une em regime de voluntariado”, envolvendo todas as gerações na preparação do cartaz, montagem de palcos e criação de espaços para receber milhares de pessoas, torna “difícil adiar o encontro entre o público e a população”.

Mas, sublinha Miguel Atalaia, Cem Soldos “é uma aldeia resiliente que terá a capacidade de ser reinventar para a próxima edição” e o cancelamento do festival não porá em causa “os projetos comunitários que vivem muito da dinâmica do Bons Sons e que são também assentes no voluntariado e nas parcerias”.

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De acordo com a organização o festival tinha já esgotado os 1.500 bilhetes postos à venda na primeira fase e vendido grande parte dos ingressos disponibilizados na segunda fase de vendas.

“Aguardamos a clarificação sobre a devolução dos bilhetes ou a entrega de vales, mas acreditamos que a maioria do público do Bons Sons reverte as entradas já pagas para a edição do próximo ano”, afirmou Miguel Atalaia, lembrando que muitos ingressos são adquiridos “muito antes de ser conhecido o cartaz”.

Em comunicado, a organização referiu hoje que mais que um festival, o Bons Sons “é uma aldeia em manifesto” e que SCOCS teve, ao longo dos 13 anos e 10 edições realizadas, que “reaprender a manter uma comunidade ativa”.

Em tempo de pandemia o desafio é agora “adaptar-se nestes tempos imprevistos, estranhos e muito difíceis”, estando já a ser planeada “uma retoma controlada e segura de atividades, eventos e serviços, repensando formatos e causas, aproveitando para encetar novas formas de organização comunitária que respeitem, integrem e envolvam todos”.

Antes de 2021, adiantou Miguel Atalaia, Cem Soldos “encontrará forma de sinalizar a data em que o festival se realizaria este ano”, prometendo para agosto a realização de iniciativas a anunciar.

Organizado desde 2006 pelo SCOCS, o Bons Sons manteve-se bienal até 2014, passando depois a realizar-se anualmente.

A aldeia de Cem Soldos é fechada e o seu perímetro delimita o recinto que acolhe 10 palcos integrados nas ruas, praças, largos, igreja e até garagens e lagares.

São os cerca de 1.000 habitantes da aldeia que organizam e montam o festival, ao longo do qual acolhem e servem os visitantes, numa partilha que distingue o Bons Sons dos restantes festivais nacionais.

O Governo anunciou na quinta-feira a proibição de festivais em Portugal até 30 de setembro devido à pandemia de covid-19.

Agência de Notícias de Portugal

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