Covid-19 | Brigada Mecanizada ativa plano de contingência em Santa Margarida

O Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, acolhe 32 migrantes migrantes infetados com o novo coronavírus. Foto arquivo: Exército

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) tem a funcionar uma Célula Permanente de Crise (CPC) para “coordenar as ações de apoio” dos militares “no combate da pandemia covid-19, e a Brigada Mecanizada ativou um Plano de Contingência específico em Santa Margarida (Constância). O Ministério da Defesa Nacional não confirmou se há casos naquele Campo Militar mas disse ao mediotejo.net que existe um total de 53 militares infetados, um deles curado, estando grande parte em isolamento.

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As Forças Armadas (FA) portuguesas têm 53 casos confirmados de militares infetados com covid-19, informou na sexta-feira o Ministério da Defesa Nacional, quando questionado pelo mediotejo.net se havia algum militar infetado e em isolamento nas instalações do Campo Militar de Santa Margarida. Escusando-se a dar informações sobre situações em particular, a porta-voz do Ministério da Defesa Nacional disse, no entanto, que os doentes estão ligados aos três ramos das FA (Exército, Força Aérea e Marinha), tendo um deles já tido alta e grande parte dos demais em isolamento.

O Plano de Contingência do Exército para a Covid-19 foi aprovado e difundido no início de março, tendo, a partir daí, as várias Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército desenvolvido os seus planos. É o caso do Plano de Contingência da Brigada Mecanizada, um plano específico tendo em conta as características das suas instalações em Santa Margarida, e que foi elaborado neste contexto e no quadro das recomendações da Direção-Geral da Saúde.

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O mediotejo.net questionou o Exército sobre as medidas a adotar em Santa Margarida, no caso de ser confirmado um militar suspeito de ter contraído o vírus, tendo fonte oficial da instituição dado conta das medidas implementadas na Brigada Mecanizada e que se centram, nesta situação em concreto, em três componentes.

Militares portugueses que regressaram recentemente do Iraque apresentaram-se em Santa Margarida e vão cumprir quarentena. Foto: Exército

A primeira das medidas passa pela “identificação rigorosa de todos os militares e civis com quem o militar contactou. Todos aqueles com quem este elemento contactou, são avaliados e colocados de quarentena no local previsto e adequado”, deu conta o Exército, tendo referido que a segunda ação a desenvolver passa pela “desinfeção dos locais e materiais e higienização dos espaços, nomeadamente do local de alojamento, as respetivas instalações sanitárias, bem como todos os materiais utilizados pelo militar”.

Depois destas ações tidas como prioritárias, é feito o acionamento de outras medidas previstas no plano de contingência da Brigada Mecanizada, medidas que “variam dependendo da situação específica”, e que podem passar pela “substituição de pessoal, incremento da frequência de limpeza e desinfeção, e acompanhamento próximo do pessoal em quarentena e isolamento, incluindo equipas médicas”.

Gestão e operacionalização dos recursos humanos na Brigada Mecanizada

O jornal mediotejo.net questionou ainda o Exército sobre os procedimentos adotados na gestão dos recursos humanos na Brigada Mecanizada, tendo a instituição militar dado conta que essa gestão “assenta no princípio da preservação ao máximo do potencial humano, mantendo, contudo, a capacidade de resposta militar”.

Este princípio é operacionalizado na Brigada Mecanizada mantendo uma “parte do efetivo no domicílio, permanentemente disponível e monitorizada e, nas funções aplicáveis, em teletrabalho”, informou o Exército, tendo acrescentado que “os restantes militares encontram-se no Campo Militar de Santa Margarida, em funções de segurança, de sustentação e de apoio à resposta militar às autoridades civis”, no quadro da covid-19, sendo de realçar que “a Brigada Mecanizada tem empenhado militares e meios significativos no apoio às entidades civis em Abrantes, Porto, Évora, Montemor-o-Novo, Almeirim e Monforte”.

No âmbito do Plano de Contingência da Brigada Mecanizada relativo à COVID-19 foi distribuído aos militares e civis da Brigada Mecanizada um “pocket card”, ou manual de bolso. Foto: Exército

A rotação dos militares, notou a fonte oficial do Exército, “é feita de forma muito cuidada e rigorosa, com acompanhamento permanente por parte de toda a cadeia de comando, e implementando medidas como a monitorização dos movimentos, o não contacto entre militares, a desinfeção dos espaços, a medição de temperatura”, entre outras medidas.

No âmbito do Plano de Contingência da Brigada Mecanizada relativo à covid-19 foi distribuído aos militares e civis da Brigada Mecanizada um “pocket card”, ou manual de bolso. A finalidade é que todos conheçam o seu papel nas diversas situações e estejam preparados para assegurar uma resposta eficaz e segura.

Nesse âmbito, e respeitando as normas de segurança, a temperatura é medida a todas as pessoas que entram no Campo Militar de Santa Margarida.

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O Ministério da Defesa Nacional não confirmou se há casos no Campo Militar de Santa Margarida mas disse que existe um total de 53 militares infetados, um deles curado, estando grande parte em isolamento. Foto arquivo: mediotejo.net

O Plano de Contingência da Brigada Mecanizada

O Plano de Contingência da Brigada Mecanizada envolve diversas áreas, realçando-se: (1) a identificação dos cenários plausíveis e respetivas respostas; (2) definição clara dos procedimentos a adotar (descontaminação, isolamento, transporte, controlo de temperatura, limpeza e desinfeção de alojamentos, refeitórios, locais de trabalho, instalações sanitárias, etc.); (3) características, funcionamento e meios dos locais de isolamento/quarentena; (4) acompanhamento dos militares no domicílio; e (5) cuidados e procedimentos para a rotação semanal de militares.

O Plano de Contingência da Brigada Mecanizada foi testado em diversas simulações e permite responder de forma célere, coordenada e ajustada a um variado conjunto de cenários plausíveis relacionados com a pandemia.

Para reforçar a comunicação e assegurar que todos os militares e civis da Brigada Mecanizada conhecem o seu papel em cada situação e que estão preparados para assegurar uma resposta eficaz e segura, foram preparados diversos materiais de divulgação do plano e respetivos procedimentos.

Brigada Mecanizada ativou plano de contingência para covid-19 em Santa Margarida. Foto: Exército

Forças Armadas têm célula de crise desde início de março

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) tem a funcionar, desde o início de março, uma Célula Permanente de Crise (CPC) para “coordenar as ações de apoio” dos militares “no combate da pandemia covid-19.

Este gabinete de crise funciona no Comando Conjunto para as Operações Militares (CCOM) e “é responsável pela gestão de dados dos militares relativamente à infeção” pelo novo coronavírus, segundo um comunicado do EMGFA.

O comunicado esclarece também que foi acionado o Centro Logístico Conjunto e o Centro de Controlo de Movimentos para “maximizar a eficácia” da resposta das Forças Armadas “aos pedidos de apoio chegados através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)”.

É também a esta célula de crise que caberá, “através do oficial de apoio à Força de Reação Imediata (FRI)”, “receber e orientar eventuais pedidos de reforço militar”, se for pedido pelas autoridades.

Nesse sentido, o ministro da Defesa Nacional vai ser ouvido presencialmente na comissão parlamentar de Defesa, na próxima terça-feira, sobre os meios e capacidades da Defesa e Forças Armadas disponíveis para o combate à pandemia de covid-19.

O PS pretende que João Gomes Cravinho preste esclarecimentos sobre “os meios e capacidades disponíveis nesta área de soberania para prevenir, combater e auxiliar na contenção da pandemia, em coordenação próxima com as autoridades de saúde pública”, com as forças e serviços de segurança e com o Serviço Nacional de Saúde.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, declarou que não deverá ser necessário mobilizar as Forças Armadas para reforçar as ações de vigilância, que cabem às forças de segurança, mas caso seja necessário, ressalvou, os militares estarão prontos.

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