Quinta-feira, Março 4, 2021
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Covid-19 | Autarca de Vila de Rei quer Governo “mais proativo” e militares ao serviço no apoio aos lares e IPSS (C/ÁUDIO)

Vila de Rei começou a manhã desta sexta-feira, dia 15 de janeiro, primeiro dia do novo confinamento em vigor, com 10 casos positivos à covid-19, mais três do que nas 24 horas anteriores. Na reunião de Câmara Municipal, o autarca Ricardo Aires confirmou esses dados e demonstrou especial preocupação com a propagação do vírus em contexto escolar, estando a atingir camadas mais jovens. Após relatório da Autoridade de Saúde Pública, ao final do dia desta sexta-feira contabilizam-se 8 casos ativos no concelho, com mais duas pessoas já recuperadas da infeção.

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Ricardo Aires disse ainda defender o encerramento de alguns ciclos escolares durante este confinamento como forma de prevenção e travar a propagação do novo coronavírus, temendo que o Estado possa estar a cometer um erro. Critica o modelo de confinamento, entendendo que continuam a ser penalizados os mesmos setores, prejudicando-se pequenas e médias empresas ligadas à restauração, salões de cabeleireiro e barbearias, entre outras atividades.

ÁUDIO: Ricardo Aires em declarações ao mediotejo.net onde defende o seu ponto de vista relativamente ao novo confinamento

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Por fim, o social-democrata diz não perceber porque os militares do Exército ainda não foram postos no terreno para auxílio em diversas frentes de combate à pandemia, nomeadamente no caso de surtos em lares ou o esgotar de recursos humanos em instituições, por questões de isolamento ou confinamento.

No final da reunião de Câmara, em jeito de balanço, Ricardo Aires demonstrou preocupação com a situação pandémica em contexto escolar. O autarca referiu estar-se a verificar grande propagação e infeção pelo novo coronavírus nas camadas mais jovens, nas escolas, referindo-se a casos confirmados em Vila de Rei, em que os pais não são infetados mas, sim, os filhos.

Ricardo Aires defende que algumas turmas ou ciclos de ensino deveriam ter sido colocados em confinamento, com interrupção da atividade letiva. “Eu preferia que os alunos pedagogicamente não tivessem tanta matéria, e mesmo que se tenha de reformular os anos futuros para que consigam recuperar, do que estarmos a confinar uma semana, depois duas semanas, … Se começarmos assim, vai acabar por acontecer o mesmo, e os alunos não vão conseguir acompanhar as matérias. Eu defendo que deveriam ter sido encerrados alguns dos ciclos de ensino”, afirmou.

Foto: mediotejo.net

O autarca social-democrata entende que “a economia sem saúde não vai a lado nenhum” e diz que o atual Governo “teve todas as hipóteses e tempo para fazer várias reformas no país”.

Ricardo Aires defende que “os militares podiam estar a atuar dentro dos lares”, entendendo que houve tempo para o Governo promover a formação específica dos militares para substituírem assistentes e funcionários dos lares que estejam em isolamento ou confinamento. Também poderiam estar aptos para “ajudar noutras atividades em situações de isolamento” que impeça determinadas ações ou iniciativas.

“O Exército é para servir o povo, e neste momento Portugal precisa deles também para isto. E não estão a servir, nomeadamente no apoio aos lares. É necessário para todo o país, porque há surtos detetados em lares todos os dias. Em Vila de Rei, neste momento não temos nenhum, mas amanhã podemos ter… e vai ser muito difícil nós depois tratarmos das outras pessoas. Acho que os militares deviam estar na rua há muito tempo e com formação”, argumenta.

Outra crítica pendeu sobre a morosidade e burocracia excessiva dos procedimentos da Administração central, indicando que existem empresas na região que ainda não receberam os apoios atribuídos pelo Estado durante o primeiro confinamento. “A burocracia do Estado por vezes é anormal, e nestas situações não pode ser. Tem que ser eficaz. Não culpo o Governo neste caso, principalmente o Ministro da Economia, mas há trâmites que não podem acontecer. Espero que nesta vaga sejam rápidos a chegar às empresas, porque a economia precisa desse dinheiro a fundo perdido. Isto já foi anunciado em setembro. Espero que esteja feito e pensado”, menciona.

O presidente da CM Vila de Rei critica o facto de algumas atividades económicas serem fechadas, nomeadamente o setor da restauração, que muito sai prejudicado com diminuição da faturação, ainda que mantenha portas abertas em regime take-away. Por outro lado, diz confiar nas medidas de segurança tomadas pelos empresários para que possam atender, dentro das limitações impostas pela pandemia, os seus clientes, referindo que acabam, por essa razão, por não ser locais de grande perigosidade da transmissão do vírus. Foto: DR

O presidente da Câmara vilarregense crê que o modelo de confinamento deveria ser repensado, com medidas concretas e ajudas “como deve ser” para as empresas. Depois, referindo-se à TAP disse que “é incomportável o nosso país estar a continuar a meter dinheiro num ‘buraco’ tão grande, e esse dinheiro pode servir para as nossas pequenas e médias empresas que estão sufocadas e necessitam desse dinheiro a fundo perdido, visto que a pandemia os tem prejudicado muito”, critica.

“A economia portuguesa precisa que as empresas estejam estáveis porque senão o nosso país vai sair prejudicado, todos nós vamos ficar prejudicados”, alerta. “Precisamos de um Governo proativo e não que ande a correr atrás do prejuízo”, insiste.

Ricardo Aires criticou o modelo do novo confinamento, referindo não entender o critério que obriga ao fecho de cabeleireiros, restauração e outros comércios/empresas. “Não consigo perceber porque é que são sempre os mesmos [a fechar]. Então os transportes públicos todos os dias a abarrotar nas cidades? Não consigo perceber isto. Mais… nos lares, especialmente os que têm surtos ativos… o que é que os nossos militares estão a fazer nas casernas? Este Governo já teve tempo para dar formação desde março aos militares. E toda a gente fala nisto, pessoas ligadas ao Governo. Não consigo perceber que raio de lobby são os militares. O Exército deve servir o país”, sublinha.

Ricardo Aires defende presença e apoio efetivo por parte do Exército Português, com militares a terem formação para assegurar ações ou iniciativas junto de instituições, lares e outras situações de necessidade. Foto: Brig Mec

Quanto à vacinação em lares, diz esperar que haja outra reorganização, além do atual critério, ainda que reconheça que as vacinas disponibilizadas são poucas tal como anunciado pelo Governo. “Esperemos que a vacina venha o mais depressa possível, que é uma luz ao fundo do túnel, nomeadamente para colmatar algum surto futuro que possamos vir a ter”, conclui o edil.

Vila de Rei regista, desde início da pandemia, um total de 25 casos de infeção, oito dos quais ativos e 19 pessoas recuperadas (+2 ao final desta sexta-feira, dia 15). Há informação de um óbito relativo a uma pessoa positiva hospitalizada e que faleceu no CHMT. O ACES PIS informou que ainda não conseguiu apurar a causa da morte, apesar do doente estar internado com covid-19. Vila de Rei tem 21 pessoas em vigilância e mantém-se em ‘risco moderado’.

Foto: DR

No ACES do Pinhal Interior Sul (PIS), o município da Sertã apresenta hoje um total acumulado de 433 pessoas infetadas (+36), das quais 223 (+26) recuperadas da doença, segundo o ACES PIS. Na Sertã estão 210 casos ativos e 220 pessoas em vigilância ativa. Este ACES revela três óbitos na Sertã, um dos quais ainda sem confirmação se a covid foi a causa da morte. Sertã integra o grupo de municípios de risco ‘muito elevado’.

Já no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, registo de 405 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, número dramático revelador da evolução da pandemia na comunidade e que constitui um novo máximo diário nos 11 municípios deste ACES. Os novos casos foram contabilizados em Tomar (+109), Torres Novas (+58), Ourém (+53), Entroncamento (+48), Alcanena (+46), Abrantes (+37), Ferreira do Zêzere (+33), Constância (+8), Mação (+6), Vila Nova da Barquinha (+5), e Sardoal (+2).

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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