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Covid-19 | Autarca de Tomar defendia confinamento “duro” com encerramento de escolas (c/ÁUDIO)

O concelho de Tomar registou esta quarta-feira, dia 13 de janeiro, 90 casos diários positivos de covid-19, somando a 209 pessoas em vigilância ativa, números que se devem a transmissão na comunidade bem como a surtos detetados em centros de dia/lares, caso do surto no Lar de São Mateus, Junceira. Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal de Tomar, defendeu um confinamento total com encerramento de todas as escolas. A autarca falava à comunicação social ao final da tarde desta quarta-feira à margem de uma conferência de imprensa no Salão Nobre dos Paços do concelho, ainda desconhecendo as medidas decretadas pelo Governo para o próximo confinamento.

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“Defendo, claramente, um confinamento duro. Defendo que nos primeiros 15 dias deve encerrar tudo. Ao fim dos 15 dias faz-se avaliação dos números e aí, eventualmente, poderá abrir o pré-escolar e primeiro ciclo”, afirmou a presidente da Câmara Municipal de tomar.

Áudio: Presidente da CM Tomar, Anabela Freitas, reafirma a sua posição sobre o confinamento e encerramento de escolas em declarações à comunicação social

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Anabela Freitas lembrava que no dia 12, os casos diários foram 51. Eis que esta quarta, dia 13, aumentam e chegam aos 90 casos positivos, ultrapassando o concelho os 1000 casos acumulados.

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“Os números são complicados, pesados. Ainda hoje estive a falar com a Delegada de Saúde do ACES Médio Tejo, e ontem Tomar teve 51 casos. E há uma coisa que já se percebeu: foi dado voto de confiança a todos nós no Natal, com aliviar das regras. As pessoas são irresponsáveis. Eu acho que é preferível tomar medidas muito duras durante um curto espaço de tempo, do que meios confinamentos durante largos meses. Esta é a minha opinião”, prosseguiu.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, defende um confinamento total, com tudo encerrado, enquanto critica a postura e “irresponsabilidade” de pessoas que não têm cumprido as medidas impostas pelas Autoridades de Saúde, levando ao elevado número de casos positivos que têm surgido em catadupa durante o mês de janeiro. Foto: Arlindo Homem

A edil disse ainda que, quanto a medidas municipais, dependerão das diretrizes da Administração central, conforme o que ditar a legislação. “Vamos ter de esperar pelo decreto-lei para decidir sobre encerramento de espaços municipais e serviços, porque faz uma diferença grande entre o que se pode fazer e o que é obrigatório. Se o teletrabalho for obrigatório, tenho de enviar os trabalhos da Câmara para teletrabalho, com exceção de funções em que tal não é possível”, explicou.

Anabela Freitas mostrou-se muito crítica à postura dos cidadãos, sublinhando a importância de tentar atenuar e inverter este aumento considerável de casos no concelho, na região e no país.

“Os profissionais de saúde também são infetados, estão exaustos, e a pressão está a ser muito grande nos cuidados hospitalares”, alertou.

“Não podemos ter professoras a fazer festas e depois temos de mandar turmas para casa. Nem sequer estamos a falar de pessoas iletradas. Estamos a falar de pessoas que devem ter algum grau de responsabilidade”, mencionou a autarca, aludindo ao caso de infeção de uma professora da Escola EB 2/3 de Santa Iria, em Tomar, frisando tratar-se de “uma irresponsabilidade”.

A autarca tomarense defende o encerramento das escolas durante o confinamento. Foto: Nelson Garrido

“Falei com a Delegada de Saúde e não decidimos nada, vamos aguardar os testes. Imagine, o Governo não decreta o encerramento do 1º ciclo, então se calhar temos de tomar medidas mais duras, porque temos essa elasticidade. Recordo que também já encerramos em tempos a Escola de Santa Maria do Olival. Temos liberdade legislativa para o fazer, pedindo autorização à Direção-Geral de Saúde”, respondeu quando confrontada sobre esta situação específica.

Para já a autarca confirmou que uma docente testou positivo, aguardando-se resultados de testes com aquela comunidade escolar em quarentena até sexta-feira, ou aquando reavaliação ou decisão por parte do Município e da Autoridade de Saúde local.

Tomar tem também surtos em lares, sendo que a autarca destacou a existência de um lar onde todos (utentes e funcionários) estão positivos. “A opção foi que ficassem no lar, está a ser acompanhada a situação e já foi acionada uma Brigada de Intervenção Rápida (da Segurança Social), mas o lar não quis por ter trabalhadoras ainda assintomáticas e capazes de laborar. Todos os dias temos estado a acompanhar”, indicou.

“Temos alguns casos num centro de dia, mantêm-se ainda os surtos em lares, caso do Lar de S. Mateus, na Junceira”, mas a presidente da Câmara sublinha que o principal problema no concelho deve-se ao facto de o vírus estar “espalhado na comunidade, que é muito mais difícil de rastrear”.

Foto: Getty Images

Anabela Freitas voltou ainda a criticar a postura e “irresponsabilidade” da população, nomeadamente situações reportadas de “pais que têm os filhos com dores de cabeça e garganta há três ou quatro dias e vão para a escola na mesma. Ao menos liguem à Saúde24. Pessoas que continuam a fazer festas em dias que até fizeram testes, e depois o resultado vem positivo. E fizeram a festa… Quando não conseguimos assumir a nossa responsabilidade, tem de vir de cima para baixo, por muito que nos doa a todos”, disse, indicando que neste ponto “paga o justo pelo pecador”.

Quanto às escolas, a edil insiste que o caminho certo passaria pelo encerramento. “Espero mesmo que haja encerramento das escolas a partir de segunda-feira, até porque as nossas escolas têm períodos letivos por semestre, e na última semana de janeiro iam estar encerradas”, salientou, lembrando que este facto representa organização e logística, nomeadamente para preparar a entrega de refeições aos alunos.

Para já, das decisões do novo confinamento, surge a realização de reuniões de Câmara Municipal por videoconferência, segundo despacho da presidente da Câmara. A reunião de segunda-feira, dia 18, já irá decorrer nesses moldes com transmissão através do canal YouTube da Rádio Hertz.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.
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