Covid-19 | As viagens entre Lisboa e o Interior “devem continuar a ser evitadas”, alerta Delegada de Saúde do Médio Tejo (c/áudio)

A situação na Área Metropolitana de Lisboa continua a gerar grande preocupação. Imagem: Relatório da DGS, 30.06.2020

Ourém volta a ser, pelo segundo dia consecutivo, o único concelho do Médio Tejo a registar novos casos de covid-19. Hoje foram confirmadas mais duas infeções entre pessoas que estavam em vigilância ativa por contactos com doentes sinalizados anteriormente: um homem de 30 anos, com ligação a um dos casos provenientes de Odivelas, e outro relativo a um homem de 69 anos, que havia contactado um elemento infetado no coro do Santuário de Fátima, fazendo subir para 39 o número de casos positivos relacionados com o surto ali iniciado.

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A Delegada de Saúde Pública do ACES do Médio Tejo, Maria dos Anjos Esperança, em entrevista telefónica ao mediotejo.net, voltou a frisar a importância de se manterem as “restrições nas viagens entre a Área Metropolitana de Lisboa e outras zonas do país menos afetadas”, como é o caso da região do Médio Tejo. “Se não forem urgências ou questões de trabalho, essas viagens devem continuar a ser evitadas, o mais possível”, relembra.

Devem então os residentes em Lisboa evitar fazer férias de Verão noutros pontos do território nacional? “Que me perdoem as pessoas de Lisboa, sobretudo as que vivem nas zonas com um maior número de infetados, mas deviam realmente pensar em manterem o seu isolamento nas zonas onde vivem. Mas se se deslocarem, que cumpram as regras da etiqueta respiratória, da higiene das mãos e do afastamento. É possível deslocarmo-nos para outros sítios do País, mas mantendo sempre o afastamento, até porque é preciso não esquecer que a nossa companhia aérea não está a voar para muitos destinos mas todos os dias continuam a chegar a Lisboa voos provenientes de outros países onde a transmissão do vírus é comunitária”, e que podem levar à progressão da doença no nosso território, considera.

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Ponto de situação do dia com a Delegada de Saúde do ACES do Médio Tejo (audio)

Além disso, amanhã, 1 de julho, serão reabertas também as fronteiras terrestres com Espanha, o que deverá levar as comunidades do Interior a manterem as suas cautelas. “É um risco, mas temos de ir abrindo o País e nós podemos tentar, com a nossa postura, mantendo os comportamentos de afastamento e higiene, evitar que a doença se vá propagando.”

No que diz respeito aos 109 testes ontem realizados a idosos internados na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, na sequência de um teste positivo confirmado num prestador de serviços externo à instituição, ainda não estavam disponíveis, às 19h00 de hoje, todos os resultados. Contudo, a Delegada de Saúde avançou ao mediotejo.net que têm estado a ser todos negativos. “Qualquer teste positivo é-me imediatamente comunicado, quer por mensagem telefónica quer por e-mail. Ainda não recebi nenhum alerta e estou confiante de que não irei receber.”

O ACES Médio Tejo apresenta esta terça-feira, 30 de junho, um total acumulado de 288 pessoas infetadas (+2), 153 recuperadas (-), 117 pessoas em vigilância ativa (-5), e 14 óbitos (-). Ourém é o município com mais pessoas em vigilância ativa (64), seguido do Entroncamento (18), Torres Novas (15), Tomar (8), Abrantes (4), Mação (4), e Ferreira do Zêzere (3). Com os casos da Sertã (6) e Vila de Rei (1) a região do Médio Tejo soma um total de 295 pessoas infetadas, 160 recuperadas e 14 óbitos.

O ACES Médio Tejo abrange 11 municípios e cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha. Vila de Rei e Sertã estão ligados ao ACES do Pinhal Interior Sul. O ACES Pinhal Interior Sul abrange quatro municípios e cerca de 33 mil pessoas, sendo composto pelos municípios de Vila de Rei, Sertã, Oleiros e Proença-A-Nova.

Os dados pós confinamento e depois do levantamento do Estado de Emergência mostram uma evolução de 146 casos positivos nos 13 municípios, quase tantos como os confirmados no período de quarentena obrigatória.

Covid-19 | Portugal regista mais oito mortos e 229 casos confirmados

Portugal regista hoje mais oito mortes causadas pela covid-19 do que na segunda-feira e mais 229 infetados, cerca de 82% dos quais na Região de Lisboa e Vale do Tejo, divulgou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS). De acordo com o boletim epidemiológico da DGS, o número de mortes relacionadas com a covid-19 ascende hoje a 1.576 pessoas enquanto os casos confirmados desde o início da pandemia totalizam 42.141 infetados.

Em comparação com os dados de segunda-feira, constatou-se hoje um aumento de óbitos de 0,5%, crescimento idêntico ao verificado na evolução dos casos de infeção. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se tem registado o maior número de surtos, a pandemia de covid-19 atingiu hoje os 19.165 casos, mais 188 do que na segunda-feira. Esta região tem atualmente 45% dos infetados em todo o país.

Em Portugal continental registou-se um aumento do número de infetados, com o norte a representar a segunda região com maior crescimento. Nesta região, a DGS contabiliza mais 20 pessoas infetadas com o novo coronavírus, atingindo hoje as 17.521.

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A região Centro surge na posição seguinte da lista das regiões com maior crescimento do número de infetados, tendo registado mais 10 do que na segunda-feira, o que totaliza 4.110 pessoas infetadas com covid-19. Também no Alentejo foram detetados mais sete infetados, atingindo 484, enquanto o Algarve somou mais três doentes, chegando aos 618. Os Açores registam 150 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-Cov-2, o mesmo número de segunda-feira, e 15 mortos, continuando também a Madeira com 92 pessoas infetadas e sem qualquer óbito registado.

A região de Lisboa e Vale do Tejo é a segunda com maior número de óbitos (473), mais cinco do que na segunda-feira. O Norte regista hoje mais um morto, totalizando 818, seguindo-se o Centro, com 248 óbitos, o Algarve com 15 mortos e o Alentejo regista sete mortos, mais dois do que na segunda-feira.

Do total de pessoas infetadas em Portugal, 491 estão internadas, mais dois do que na segunda-feira, estando 73 em unidades de cuidados intensivos, mais dois do que na contabilização anterior.

Na distribuição dos casos infetados por concelhos, Lisboa é o que regista o maior número de casos, com 3.502 (mais 49 do que na segunda-feira), seguido por Sintra, com 2.668 (mais 54).

No terceiro lugar dos concelhos com mais infetados encontra-se Loures, com um total de 1.827 (mais 15), seguindo-se a Amadora, com 1.697 (mais 31 infetados do que na segunda-feira), e Vila Nova de Gaia, com 1.650 (mais um).

Ainda acima dos mil casos, contam-se o Porto, que manteve os 1.414 casos de infeções, Matosinhos, que também continua com o mesmo número registado de segunda-feira, 1.292, e Braga, que também mantém o número anterior, somando 1.256 doentes.

A lista dos concelhos com mais de mil infetados inclui ainda Gondomar, com 1.093 casos, e Odivelas, com 1.101, mais três do que na segunda-feira.

Os dados do relatório da DGS indicam que, do total de mortes registadas até hoje, 786 são homens e 790 são mulheres. Por faixa etária, o maior número de mortes regista-se entre as pessoas com 80 ou mais anos (1.056), seguida pela faixa entre os 70 e os 79 anos (304).

Entre a população com idades compreendidas entre os 60 e 69 anos há 144 mortes, além de 50 mortes entre as pessoas com idade entre os 50 e os 59 anos. Entre os 40 e os 49 anos houve 18 mortos, duas entre os 30 e os 39 anos e duas na faixa etária dos 20 aos 29 anos.

Em termos globais, a faixa etária mais afetada pela doença é a dos 40 aos 49 anos (7.013), seguida da faixa entre os 30 e os 39 anos (6.721) e das pessoas com idades compreendidas entre os 50 e os 59 anos (6.616). Nas faixas etárias mais jovens, entre os 20 e os 29 anos, registam-se 6.146 casos e, entre os 10 e os 19 anos, 1.723, enquanto nas crianças até aos nove anos há 1.232 casos.

A DGS contabiliza ainda 4.339 casos na faixa etária dos 60 aos 69 anos, 3.039 entre os 70 e os 79 anos, e 3.569 com mais de 80 anos.

A aguardar resultado laboratorial de testes estão 1.454 pessoas e em vigilância pelas autoridades de saúde estão 31.413. Desde o dia 01 de janeiro, Portugal registou 380.476 casos suspeitos, segundo adianta o boletim, referindo que 27.505 recuperaram, mais 300 do que no sábado.

C/LUSA

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