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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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“Copos e… mulheres”, por Helena Pinto

Jeroen Dijsselbloem, é presidente do Eurogrupo, um grupo “informal” no espaço da União Europeia, onde têm assento os vários ministros das Finanças e que discute os orçamentos dos países. Dá opinião sobre as contas do país, dita onde se deve cortar, faz maratonas para dobrar os mais renitentes (como foi o caso da Grécia) e, regularmente, dá conferências de imprensa onde faz “alertas” sobre os desvios de alguns em relação ao que outros pensam sobre como devem ser geridas as finanças de cada país, que por acaso, só mero acaso, são países soberanos, com eleições e deveriam decidir sobre as suas escolhas, sem chantagens.

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Neste “grupo informal” também pontua Wolfgang Schäuble, o todo-poderoso ministro das finanças alemão, que continua a agitar o fantasma do “segundo resgate para Portugal”.

Dijsselbloem está de saída de presidente do Eurogrupo, porque o seu partido teve uma queda monumental nas recentes eleições na Holanda. Mas apressou-se a dizer que estava disponível para continuar até ao início do próximo ano e começou a dar entrevistas. Sabe que precisa do apoio alemão e por isso nada melhor que, numa entrevista a um jornal alemão, corroborar a tese de que os países do sul são preguiçosos e que vivem acima das suas possibilidades. Desta vez quis ser bem preciso na sua metáfora para que não restassem dúvidas: gastam o dinheiro em copos e… mulheres e depois querem ser ajudados.

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Essa história da “ajuda” tem muito que se lhe diga, como sabemos. A “ajuda” dos anos da intervenção da troika está bem à vista – desemprego, faixas da população cada vez mais pobres, emigração forçada, famílias sem casa, e por aí fora. A exceção será a ajuda ao sistema financeiro que teve papel determinante na origem da crise.

Mas concentremo-nos na frase de Dijsselbloem e no que ela significa: arrogância e preconceito, xenofobia e um profundo sexismo. Foi um lapso? Foi uma metáfora infeliz? Não nos enganemos – quem assim fala, exprime o que pensa. A arrogância de quem pensa que pode desclassificar povos, porque existem outros superiores é uma ideia xenófoba, que nos menoriza e nos impõe uma tutela – ou fazemos como nos ordenam ou seremos castigados!

E, claro, para além dos copos, juntar nisto as mulheres, esses seres/objetos que trazem sempre consigo o pecado e a desgraça alheia!

Desculpas? Não. Dijsselbloem não pede desculpas. Que saia, que já se faz tarde.

Mas a questão de fundo permanece – será esta a política que trará as necessárias e urgentes soluções para os problemas europeus centrais – desenvolvimento económico, emprego (lembram-se da europa do pleno emprego?), dívidas soberanas, crise humanitária dos refugiados, segurança, direitos e respeito pelos cidadãos e cidadãs – será esta política capaz de travar os populismos e o fascismo? A vida tem provado que não.

Sai Dijsselboem de cena, mas não se evite o debate necessário.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas no mandato de 2017 a 2021.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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