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Domingo, Setembro 19, 2021

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Consultório | Fatores de risco menos conhecidos para o cancro da cabeça e pescoço

“Consultório” é uma rubrica quinzenal assinada por especialistas na área da Saúde, com carácter informativo e preventivo.

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Segundo dados do Observatório Global de Cancro (Globocan, 2020), a nível mundial, o cancro da cabeça e pescoço é responsável por mais de 1 milhão e 500 mil novos casos por ano e por uma mortalidade que é cerca de um terço.

O cancro da cabeça e pescoço engloba um conjunto de tumores invasivos que estão presentes nesta região anatómica, tais como o cancro da cavidade oral, faringe, laringe, glândulas salivares, fossas nasais e seios paranasais, tiroide e cancro da pele da face, pescoço e couro cabeludo.

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O tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o vírus do papiloma humano (HPV) constituem os principais fatores de risco do cancro da cabeça e pescoço. Mas existem outros fatores de risco a considerar, alguns dos quais potencialmente evitáveis.

Infeções pelos vírus de Epstein-Barr (EBV)
O EBV é um vírus que está presente em mais de 90% da população mundial. Após o contacto inicial, os indivíduos tornam-se portadores do vírus, uma vez que a infeção permanecerá numa forma latente. Este vírus é responsável pela mononucleose infeciosa (também conhecida por “doença do beijo”) e está associado a vários tipos de cancro, incluindo um subtipo de cancro da nasofaringe. No entanto, este tipo de cancro é raro em Portugal e tem uma incidência de 0.9 por 100 mil casos por ano.

Alimentos salgados ou processados
A ingestão de alguns tipos de alimentos salgados ou processados durante a infância parece ser um fator de risco para o cancro da nasofaringe, realidade muito mais frequente em países asiáticos.

Mascar noz de bétel ou de areca
Provém da palmeira de areca, originária do sudeste asiático, sendo que o mascar da semente desta espécie vegetal faz parte de muitas culturas orientais. Contudo, constitui também um fator de risco para o cancro da cavidade oral, com um risco estimado de 7 vezes mais.

Dieta pobre em frutas e vegetais
Existe evidência de que dietas com baixos níveis de vitaminas A e C e pobres em frutas e vegetais poderão contribuir para o risco de cancro da cavidade oral. Muitas vezes esta dieta desregrada está associada também a hábitos alcoólicos marcados.

Refluxo gastro-esofágico
O refluxo gastro-esofágico consiste no retorno do conteúdo do estômago para o esófago. Esta condição acontece quando o ácido no estômago é excessivo ou quando o esfíncter esofágico inferior (músculo que fecha a passagem para o estômago) não fecha devidamente. Esta patologia parece ser um fator de risco para cancro da laringe.

Saúde oral deficiente
A má higiene oral associada à ausência de peças dentárias e à presença de próteses mal-adaptadas parece ser outro fator de risco para cancro da cavidade oral.

Exposição ocupacional
A exposição a determinados agentes como o pó da madeira ou da cortiça, formol, níquel e outros metais pesados, está associada a uma maior incidência de cancro da cabeça e pescoço, principalmente das fossas nasais e/ou seios paranasais.

Exposição solar prolongada
A exposição desadequada (em excesso) à radiação ultravioleta sem medidas de proteção está associada ao aumento do risco de cancro do lábio e da pele.

Estado de imunodepressão
Doentes imunodeprimidos têm maior probabilidade de desenvolver cancro da cavidade oral e da orofaringe. Neste grupo heterogéneo incluem-se indivíduos com imunodeficiências primárias ou síndromas hereditárias (ex.: anemia de Fanconi, que aumenta 500-700 vezes o risco) e secundárias (ex.: infeção pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV), outras patologias autoimunes e doentes sob terapêutica imunossupressora (ex.: transplantados de órgão).

Lesões pré-malignas

A prevalência de lesões pré-malignas tem taxas variáveis em função da população estudada e dos métodos diagnósticos preconizados. Estima-se que a sua prevalência varie entre 1 a 5%, sendo que a maioria dos doentes afetados estão entre a 4ª e 6ª década de vida. A maioria das lesões deste género encontra-se na cavidade oral, das quais se destacam as seguintes:

Leucoplasia Placas de cor esbranquiçada que não desaparecem com a fricção e que estão aderentes à mucosa adjacente, podendo surgir em qualquer região da cavidade oral, incluindo nas bochechas, língua, lábios e palato.
Eritroplasia Placas ou manchas de cor avermelhada com uma textura macia e que surgem preferencialmente no palato mole e na região mandibular atrás do último molar, pavimento da boca e bordo da língua. Trata-se de uma alteração que se esbate na mucosa circundante, sendo geralmente assintomática ou com sintomas ligeiros como ardor. Embora mais rara que a leucoplasia, tem uma taxa de transformação maior para cancro (40% versus 2-5%).
Líquen plano Lesões violáceas ou branco-leitosas que envolvem a pele, faneras e mucosas.
Fibrose submucosa Vesículas associadas a reação inflamatória local com afetação da cavidade oral, orofaringe e o terço superior do esófago.

Perante fatores de risco modificáveis, como a alimentação ou a saúde oral, opte por geri-los de forma saudável. Mantenha-se atento e faça o autoexame da boca. Perante suspeitas de alguma alteração, procure o seu médico assistente. O diagnóstico destes tumores numa fase precoce permitirá um tratamento mais atempado e eficaz.

Diogo Alpuim Costa

Oncologista, médico na CUF Oncologia - Hospital CUF Descobertas, Hospital CUF Cascais, Hospital CUF Sintra e Hospital CUF Santarém. Membro dos corpos sociais do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço.

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