Construção e uso da bateira avieira em Santarém inscrita como Património Cultural Imaterial

A inscrição, para salvaguarda urgente, das “Artes e saberes de construção e uso da bateira avieira no rio Tejo”, nas Caneiras, Santarém, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi aprovada pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

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A decisão, datada de 08 de abril, foi publicada na quarta-feira em Diário da República, reconhecendo a importância dos elementos a preservar patentes na candidatura apresentada pelo Instituto Politécnico de Santarém (IPS) no início de julho de 2015.

Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, o IPS realça a importância desta inscrição, “não só a nível regional, das zonas ribeirinhas do Tejo e da orla do litoral central, mas também a nível nacional, pela valorização do património cultural imaterial”, indicando que, no âmbito da candidatura, foi criado um e-atlas que pode ser consultado em http://www.e-atlasavieiro.org.

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A DGPC reconheceu “a importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial pela sua profundidade histórica, com origens que remontam aos finais do século XIX e à fixação sucessiva nas margens do rio Tejo de comunidades oriundas do litoral central”.

Por outro lado, reconhece “a relevância da prática em apreço como fator de sustentabilidade ambiental e de reforço da identidade cultural da comunidade das Caneiras” e da bateira avieira “para a manutenção do modo de vida tradicional da comunidade das Caneiras, assente na pesca no rio Tejo”.

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O anúncio publicado no DR refere ainda “a comprovada necessidade da salvaguarda urgente desta manifestação do património cultural imaterial, atendendo às características do atual contexto de transmissão intergeracional dos inerentes saberes e técnicas, que configuram sérios riscos de extinção desta prática tradicional, a curto ou médio prazo”.

Aponta igualmente as medidas do plano de salvaguarda proposto como forma de “assegurar a viabilidade futura da tradição em apreço, designadamente as de âmbito patrimonial, científico e formativo, para além das medidas destinadas à sensibilização pública para a necessidade” de preservação daquele património.

A decisão teve ainda em conta o facto de o pedido de inventariação ter resultado “do envolvimento dos detentores da manifestação de património cultural imaterial em apreço, tendo em vista a valorização desta à escala nacional”.

A ficha de inventário está disponível para consulta na página do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial www.matrizpci.dgpc.pt, lembrando a DGPC que esta é alvo de “revisão ordinária em períodos de 10 anos, sem prejuízo de revisão em período inferior sempre que sejam conhecidas alterações relevantes”, e que “qualquer interessado pode suscitar, a todo o tempo, a revisão ou a atualização do respetivo inventário”.

A candidatura apresentada pelo IPS resultou da vontade de conseguir a classificação da cultura avieira, oriunda das comunidades piscatórias de Vieira de Leiria que no início do século XX migraram para as margens do Tejo e do Sado, como património nacional imaterial, um dos projetos âncora de um projeto mais amplo, iniciado em 2009 e envolvendo entidades públicas e privadas, com o objetivo de recuperar as manifestações culturais das populações ribeirinhas e promover o turismo ao longo do rio Tejo.

Contudo, o facto de a classificação só ser possível para “manifestações vivas” levou a que tivesse que ser selecionado o elemento que ainda hoje existe, a bateira, estudada na aldeia avieira das Caneiras, no concelho de Santarém, por uma equipa de antropólogos, que desenvolveu a “componente etnográfica” da candidatura, disse à Lusa Teresa Serrano, coordenadora do projeto.

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