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Segunda-feira, Novembro 29, 2021

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Constância | Uma freguesia pequena mas que “não caberia numa única palavra” (c/áudio e fotos)

Constância é uma freguesia pequena em dimensão mas o seu valor “não caberia numa única palavra”, assume José Manuel Rita, presidente da Junta de Freguesia. Envolta no encontro das águas do Tejo, que avivam a memória dos tempos áureos dos marítimos, e das águas do Zêzere, que espelham a zona ribeirinha a convidar a um passeio nas tardes soalheiras, a freguesia que dá nome ao município tem a “particularidade única em todo o país” de ser dividida pelo rio – para se chegar a Constância Sul é preciso “ir ao concelho vizinho pedir licença para passar a ponte”. À frente dos destinos da Junta de Freguesia de Constância desde 2017, José Rita refere que a qualidade de vida da população sempre foi “a” preocupação, com o pensamento virado não para os problemas mas sim para a sua solução. A terminar o primeiro mandato, o autarca admite que não se recandidata por motivos pessoais mas sublinha que pretende continuar próximo dos fregueses. De consciência tranquila, diz que ao longo destes quatro anos só não fez aquilo que a pandemia não o deixou. Com o desejo de que a vila possa vir a ter no futuro um parque aquático e que os constancienses continuem “a gostar da terra como gostam agora”, nesta receita para uma freguesia feliz o presidente diz que a principal necessidade atualmente é a “capacidade de invenção, de nos inventarmos de forma a tirar o maior e melhor partido das coisas”.

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“Um presidente não é presidente, está presidente. E está presidente, se for necessário, 24 horas”, assume José Manuel Rita, à frente da Junta de Freguesia de Constância, localizada na sede de concelho e a escassos metros da Câmara Municipal. Foi com esse princípio em mente que em 2017 se candidatou, após um primeiro mandato como vogal de Assembleia de Freguesia, em 2013, à Junta.

Natural da Golegã mas residente em Constância há mais de 20 anos, é militar de carreira e foi por força desta ligação que fez nascer em Constância o Campeonato de Paraquedismo, evento inscrito no calendário nacional e que é hoje uma das bandeiras da sua governação. Entrou na vida autárquica pela vontade de “fazer mais” e encontrou nela “uma forma de continuar a servir o Estado, dedicando à população e ao sítio onde vivo algum tempo”.

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A Junta de Freguesia de Constância fica a poucos metros da Câmara Municipal. José Rita admite a mais-valia desta proximidade, apontando ainda a localização de Constância no centro do país como o ponto forte da vila. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Um desafio que confessa que tem sido “aliciante”. “A Assembleia de Freguesia apenas tem três elementos do PS e depois tem dois da CDU e dois do MIC. Isto é, se as propostas que o presidente apresentar não forem de acordo com a vontade da oposição, pura e simplesmente podem deitar abaixo. Isto já aconteceu algumas vezes e tem levado a criar uma dinâmica e uma vontade ainda mais forte em apresentar propostas”, admite.

Constata que o poder local está hoje a viver uma “fase de transição”, nomeadamente com a disposição de valências por parte do Governo central como a Educação ou a Saúde a serem delegadas nos Municípios, que, por sua vez, delegam também competências nas freguesias. No caso da sua Junta, a realidade é a de um executivo proporcional ao um concelho pequeno: “Todo o trabalho é assegurado pelo executivo, isto é, presidente, secretária e tesoureiro. Não temos mais ninguém, a Junta não dispõe de funcionários. Dadas estas limitações também não podemos meter-nos em grandes aventuras”, admite.

Áudio | Presidente da JF Constância, José Rita, em entrevista ao mediotejo.net

Mas não fosse José Rita um autarca “com coragem para fazer mais”, como o próprio admite, não se tinha aventurado naquele que é o seu mais recente motivo de orgulho: o projeto de ornamentação da rotunda na Rua Moinho de Vento, na zona norte da vila, onde uns binóculos são o chamariz. Virados para o sentido do rio porque “é no rio que está o futuro, na água, é por aí que nós devemos descobrir o nosso caminho, a nossa orientação”, admite com o entusiasmo na voz o autarca.

Projeto de ornamentação da rotunda na Rua Moinho de Vento, investimento da Junta de Freguesia de Constância. Os binóculos estarão direcionados para o centro histórico da vila, na zona de encontro entre os rios Tejo e Zêzere. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Não obstante a aposta em novos projetos, a preocupação sempre presente tem sido a qualidade de vida na freguesia, sublinha José Rita. “A nossa preocupação sempre foi as pessoas e com base nisso temos desenvolvido a nossa atividade de forma a que consigamos, dentro das nossas parcas possibilidades – a Junta de Freguesia tem um orçamento bastante reduzido, pouco mais de 50 mil euros para todo o ano – criar condições às pessoas. E, nomeadamente com o Covid, o apoio ao levantar as reformas, o ir às compras por eles, tudo isso é merecido, de forma a criar-lhes condições. Quando só por si a junta não tem essas condições, procura-as junto dos parceiros”, elucida o edil.

Nesta linha de qualidade de vida, José Rita elenca um conjunto de iniciativas promovidas pela Junta que têm como propósito dar vida e dinâmica à freguesia: desde as aulas de ginástica para envelhecimento ativo às festas de Carnaval, à celebração do Dia da Mulher, Dia da Árvore, Dia Mundial da Criança, até à participação nas Festas do Concelho e Nossa Senhora da Boa Viagem, a um arraial dos Santos Populares, à promoção da tradição do Pão por Deus e do Magusto, passando ainda por uma festa jovem, convívios, passeios e almoços para séniores, bem como a participação em iniciativas como a recolha de bens alimentares. Eventos e atividades que constam do plano eleitoral e das grandes opções do plano anual e que só não se tornaram todas realidade no ano transato e no presente devido ao contexto pandémico.

“Das coisas a que me propus, realizei quase todas”, admite José Rita. “As que não realizei foi aquelas que não pude por causa da pandemia”, acrescenta. Mas há um evento que o edil queria levar a cabo antes de se afastar dos destinos da Junta de Freguesia de Constância: o Campeonato de Paraquedismo, que acontece por altura do verão.

A prova de paraquedismo, promovida pela Junta de Freguesia de Constância, é uma das bandeiras do atual executivo e acontece, por norma, na zona ribeirinha da vila. Foto: JF Constância

“É realmente uma coisa nossa, uma bandeira da junta”, confessa o autarca, também membro da direção do Para-Clube Nacional dos Boinas Verdes, não negando o “cunho pessoal que vai sempre ficar associado à freguesia”. “Foi uma realidade, nós durante os três anos fizemos no areal da zona ribeirinha – no último fizemos dentro da Unidade Militar, em tempo de pandemia, de modo a manter o campeonato no calendário nacional, uma vez que é uma prova nacional – e é uma prova que traz atletas de todo o país”, conta. Este ano “gostava de o ter aqui [na zona ribeirinha] e estou a fazer todos os esforços direcionados para que ele tenha a sua continuidade no nosso concelho”.

CONSTÂNCIA, UMA FREGUESIA ACOLHEDORA QUE MUITOS ESCOLHEM PARA DORMIR

E por falar em continuidade, aos olhos de José Rita e aos dias de hoje, Constância continua a ser uma “freguesia urbana, apesar de ter muito espaço rural”. A tendência tem sido, porém, a de uma freguesia dormitório. “Nós temos fregueses que estão a trabalhar em Lisboa e que fazem diariamente Lisboa-Constância”.

“A zona histórica está a ficar mais desertificada e com mais casas livres para o turismo local e turismo de habitação. A parte alta da vila é a habitacional e como nós, em termos de emprego, a única coisa que temos é a Caima, a Câmara Municipal e Bombeiros, o resto é quase residual, portanto o que acontece é que o pessoal tem que procurar emprego fora e aproveita e vem a Constância dormir”, explica o autarca, que nega contudo o cenário de uma freguesia dormitório.

Centro Histórico de Constância. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Áudio | Presidente da JF Constância, José Rita, em entrevista ao mediotejo.net

Em Constância, sente-se o envelhecimento da população. “Cada vez há pessoal mais idoso”, diz o presidente da Junta de Freguesia, que sublinha a importância da resposta social que o projeto de um novo lar por parte da Santa Casa da Misericórdia vai trazer à vila e à região. Já o número de habitantes na freguesia tem-se mantido “mais ou menos” constante, na casa dos 900, dos quais 830 a 850 se contam como eleitores. José Rita admite que tem havido alguma procura de Constância por parte de novos habitantes, situação que “leva a crer que vamos crescer um bocadinho mais nos próximos anos”.

Para o crescimento da freguesia tem também contribuído a Caima, a empresa que “mais contribui para o emprego na freguesia”. “É o maior empregador, não tenho dúvidas nenhumas”, assume o presidente da Junta. Localizada em Constância Sul, a empresa pertencente ao grupo Altri produz cerca de 115.000 toneladas de pasta solúvel através de eucalipto por ano.

Caima, a principal empregadora da freguesia, na margem sul de Constância. Foto: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

A nível do associativismo, destacam-se na freguesia a FAJUDIS – Federação das Associações Juvenis do Distrito de Santarém, os motards ‘Vikings’ e os ‘Motards da Treta’. Também a CICO, do Carrilhão Lvsitanvs, é um importante meio de divulgação de Constância pelo mundo, mas aquela que se destaca é também o Clube Estrela Verde, com o campeonato de patinagem e, inclusive, com atletas que chegaram à Seleção Nacional.
A par da patinagem, as águas límpidas do Zêzere atraem a canoagem e com ela os turistas. Já a paisagem à beira rio, convida a uma caminhada, atividade que o presidente da Junta admite que tem vindo a ter mais adeptos.

Mas Constância é também sinónimo de poesia, não fosse sobejamente conhecida por “Vila Poema”, nome atribuído pelo historiador António Matias Coelho. Por aqui se refugiaram Luís Vaz de Camões, cujo monumento em sua homenagem está erguido no centro histórico (sem esquecer a Associação Casa-Memória Camões ou o Jardim-Horto), Alexandre O’Neill, patrono da Biblioteca Municipal, e Vasco de Lima Couto, cujo espólio está em processo de vinda para a posse do Município.

JOSÉ RITA NÃO SE RECANDIDATA MAS CONTINUA DISPONÍVEL PARA “AJUDAR NAQUILO QUE ESTIVER AO MEU ALCANCE”

Questionado pelo mediotejo.net sobre o futuro na vida autárquica, José Rita confessa que não se vai recandidatar aos destinos da freguesia mas diz que vai “ficar próximo”. “A ideia será apoiar a equipa que virá a seguir, se tivermos a sorte de continuarmos – eu penso que vamos continuar. Para a próxima equipa, propus-me ficar como presidente da Assembleia [de Freguesia], de forma a poder continuar a ajudar mantendo algum espaço, um bocadinho mais afastado”, elucida.

Os motivos que o levam a afastar do papel principal são os “sessenta e muitos” e a possibilidade de ter tempo para si e para os seus. “É tentar olhar um bocadinho mais para a família, uma vez que também sinto que já dei o meu contributo para o desenvolvimento da vila. Apesar de não continuar disponível a tempo inteiro, continuo disponível para ajudar naquilo que estiver ao meu alcance”, expõe.

Questionado sobre qual a maior dificuldade durante o seu mandato, admite que tem sido “a falta de apoio financeiro para desenvolvimento”. Diz também que o objetivo do seu executivo foi sempre o de “encontrar soluções”, numa luta cujo ponto fraco é “a capacidade de invenção”. “A capacidade de nos inventarmos de forma a tirar o maior e o melhor partido das coisas. Para isso é preciso que haja algum apoio financeiro e a dificuldade maior é mesmo essa”, confessa.

O autarca admite não existir na sua freguesia “nenhuma necessidade premente” aos dias de hoje, mas aponta alguns desejos para o futuro: “Nos próximos 40 anos eu espero ver aqui um parque aquático e a praia [fluvial] – que acho que vai ser uma realidade”.

“Gostaria também que as pessoas continuassem a gostar da terra como gostam agora, que as pessoas se sentissem bem, que houvesse alegria e sentimento de união, de convívio”, conclui.

Fotogaleria Freguesia de Constância:

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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