Constância | Professor de Harvard dá conferência sobre “Os mares épicos de Camões” na Casa-Memória

O professor Josiah Blackmore, da Universidade de Harvard, estará na vila poema no dia 19 de outubro, sábado, pelas 16h00, para uma conferência sobre “Os mares épicos de Camões”. A sessão decorrerá na Casa-Memória e a entrada é livre.

O professor Blackmore virá dos Estados Unidos da América propositadamente para esta conferência que versa sobre a vida e obra de Camões e onde serão apresentadas ideias sobre “Os Lusíadas” como uma epopeia do mar, da navegação e das viagens marítimas.

Em anos recentes, os estudiosos têm-se debruçado sobre questões do imperialismo e da crítica camoniana da empresa marítima portuguesa no célebre poema, sobre questões do globalismo e das conceções de um mundo cada vez mais científico e cartográfico no século XVI português.

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Contudo, crê-se, com breves exceções, que os leitores de Camões ainda não se têm dedicado ao estudo da imaginação camoniana como uma imaginação de cariz marítimo no sentido de o mar fornecer toda uma série de hipóteses metafóricas, simbólicas e empíricas utilizadas pelo poeta em criar a narrativa histórico-mitológica da viagem de Vasco da Gama.

Josiah Blackmore. Foto: DR

Nesta medida, é objetivo da conferência estudar o mundo marítimo e a viagem marítima como aspeto fundamental da criação poética camoniana, sobretudo, mas não exclusivamente, na elaboração do poema épico. Estudar-se-ão as relações entre a navegação e a narrativa épica, entre os navios e o decorrer da história, entre a saudade camoniana, o exílio e os mundos de água em alguns dos poemas líricos e o lugar do mar e da navegação na cultura científica do mundo em que viveu Camões.

Josiah Blackmore é Catedrático Nancy Clark Smith of the Language and Literature of Portugal na Universidade de Harvard, com especialização na literatura portuguesa medieval e renascentista. Durante 22 anos, foi professor titular da literatura portuguesa na Universidade de Toronto.

Entre as suas publicações, contam-se livros sobre a literatura portuguesa dos naufrágios (Manifest Perdition, 2002), a empresa portuguesa em África nos séculos XV e XVI (Moorings, 2009) e uma edição das “Canções de António Botto”, de Fernando Pessoa (2010), traduzida para inglês.

Destacam-se ainda artigos científicos que apresentam análises da poesia galego-portuguesa medieval, as crónicas de Gomes Eanes de Zurara, os viajantes portugueses na história cultural do mar nos séculos XVI e XVII e a ficção de Eça de Queiroz.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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