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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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Constância: Os 30 anos da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro (C/VIDEO)

A Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro comemora no próximo domingo três décadas a espalhar música e talento dentro e fora das fronteiras do Médio Tejo. Além da história, quisemos saber como é hoje esta associação por onde, nas palavras de Rui Ferreira, atual presidente da direção, já passou “mais de um milhar de pessoas”.

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Ernesto Maia, Zeferino Pereira, Reinaldo Ferreira, Fernando Gaspar, Aquilino Natividade, Manuel Bernardino e Adelino Louro são os sete nomes a quem se deve a fundação da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro em 1986. Reinaldo Ferreira assumia então o cargo de primeiro presidente da direção e a escolha do local para a primeira sede, a Junta de Freguesia, foi certamente influenciada pela ligação dos fundadores à esta entidade e à Assembleia de Freguesia.

Ali começaram as primeiras aulas da escola de música, à qual se juntaria no mesmo ano a banda filarmónica. Os irmãos Luís e José Patrício foram os primeiros maestro e professor de formação musical, respetivamente. Cerca de uma década depois, em 1997, no mandato de Ana Silvério, a associação passou para a nova e atual sede.

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Na fachada do edifício de dois andares vemos a primeira das muitas claves de sol espalhadas pelo seu interior, assegurando que a música está sempre presente. Encontramos o espaço num dos raros momentos em que não se ouvem vozes e instrumentos. É de manhã e os ensaios decorrem nas tardes e noites de segunda a sexta e no sábado durante todo o dia.

Foi numa das salas de aula do primeiro andar que Rui Ferreira, com 56 anos e presidente da direção desde 2012, nos falou sobre o que é a Associação Filarmónica Montalvense trinta anos depois do primeiro 24 de janeiro. O espaço é exíguo, um problema que este salienta face ao elevado número de inscritos que frequentam as diversas turmas e a banda vindos dos concelhos de Abrantes, Constância, Chamusca, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha.

A ligação de Rui Ferreira à associação é antiga e antes de assumir o cargo atual esteve ligado à Assembleia e ao Conselho Fiscal. O interesse “surgiu no seguimento dos fundadores” e dos primeiros estatutos nos quais se definiu como objetivo “a formação e divulgação musical”. A aposta pretendia ajudar uma região “carente” na altura de algo que, diz, continuar a ser uma “deficiência da nossa sociedade”.

A “popularização do ensino” também o motivou e hoje pauta-se pela máxima de que todos devem ter acesso à formação musical. As cotas cobradas aos “cerca de 400 associados”, um número que tem vindo a crescer nos últimos anos, asseguram uma parte dos custos inerentes à gestão do espaço e da própria associação, como a compra dos instrumentos ou as viagens que feitas pela região, Portugal Continental, arquipélago dos Açores e França. Somam-se os apoios de entidades públicas e privadas que, na maioria dos casos, têm diminuído.

Às cotas acresce um valor suplementar para quem tem formação específica. Uma aula de grupo com instrumentos de sopro é diferente de uma aula particular de piano ou guitarra. “Ninguém fica de fora por falta de recursos financeiros”, assegura Rui Ferreira. Quem não pode pagar em euros, “paga” com apoio logístico ou limpezas das instalações.

A formação musical é direcionada sobretudo para crianças e jovens, o que não invalida que um adulto (o aluno mais velho tem 56 anos) frequente as aulas ou integre a banda filarmónica. Começa-se na turma infantil dos três aos cinco anos, hoje com cerca de 15 elementos. Consoante o nível e ritmo de aprendizagem, passa-se para uma das turmas dos seis aos doze. Os 33 músicos e cerca de 80 formandos usufruem “de serviço de qualidade”, assegurado por profissionais especializados. Certamente todos conhecerão os professores José, Manuel, Fernando, Adolfo e Paula, tal como o maestro Miguel Alves.

Não fica por aqui. A parceria estabelecida entre a associação, o Conservatório de Música Choral Phydellius e o Agrupamento de Escolas de Constância permite que os alunos do ensino articulado de música, que abrange o segundo e terceiro ciclos de ensino básico, tenham aulas instrumentais na sede e aulas teóricas na Escola Básica e Secundária Luís de Camões. Existe ainda o polo de Santa Margarida da Coutada, com 15 crianças no coro, quatro no canto e sete com aulas de piano.

Além da formação musical, Rui Ferreira considera que a associação contribui para “a formação das pessoas”, sobretudo ao nível da concentração das crianças. Não apenas daqueles que frequentam as aulas durante o ano letivo, mas também dos participantes nas Oficinas de Verão que realizam há uma década nas férias da Páscoa e que se tem afirmado como “uma referência” no campo das bandas filarmónicas.

A décima primeira edição deste curso intensivo de música com docentes externos está prevista para abril e as inscrições serão abertas na próxima semana. A expetativa de Rui Ferreira no número de inscritos mantém-se, costumam ser mais de 50 vindos de todo o país.

Muitos dos que já participaram, tal como antigos alunos, visitam a associação em datas importantes como o 24 de janeiro, celebrado neste fim de semana, independentemente de terem seguido outras carreiras profissionais. Podem ter deixado a música, mas não esquecem onde aprenderam que a excelência exige tempo, disciplina e dedicação.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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